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domingo, 19 de outubro de 2014

Aos Drs. Josés














Aos Drs. Josés


Drs. Josés fui forjado na dura realidade das universidades particulares, no enfrentamento por melhores condições de ensino e no combate aos aumentos nas mensalidades. Diretor do DCE da PUCAMP e dirigente da Juventude Comunista-UJC, não sua 4° força auxiliar que na década de 90 seria a 5° coluna do PCB, era reconhecido pela coragem e criatividade nas ações e não apelidado pelos estudantes de Zé Pé no Sac...
Drs. Josés, arquitetura evoluiu muito nos últimos anos, talvez não nos rumos que vocês queriam.
Diferente de vocês optei em trabalhar em cooperativas que sobrevivem sob o regime dos parcos recursos dos programas habitacionais destinados às entidades. Não preciso colecionar Certificados de Acervos Técnicos- CAT para participar de licitações cada vez mais flexíveis e em regimes de exceções, no qual vale muito a adulação aos governantes e indicações de parentes para construir o público a serviço do privado.  
No cooperativismo não temos patrões e elegemos nossos chefes, diferente dos escritórios, hoje minorias bem sucedidas. Sou sindicalista e convivo com o sacrifício de centenas de arquitetos que trabalham com esses escritórios, muitas vezes transformados em sócios minoritários e recebendo bem abaixo do piso da categoria. 
Talvez seja esse apego ao atual sistema que transforma-se em desprezo ao bem público.
Desprezo em que tratam nosso conselho fruto de 52 anos de lutas de nossa velha guarda. Faltam constantemente às plenárias e seguram centenas de processos que prejudicam o mesmo número de colegas profissionais.
Falam em carreirismo, deve ser pelo fato que faltei apenas três vezes e todas justificadas, participando ativamente da Comissão de Exercício Profissional, da coordenação da Móbile, a Revista do CAU/SP e da 1° Conferência do CAU/SP onde percorremos 5500 Km para conversar com 1500 profissionais e que resultou em 10 sedes regionais.
Drs. Josés, o CAU/SP é estadual assim como a produção da arquitetura não limita-se aos palácios e templos de seus pequenos reis e falsos deuses em que vocês insistem em produzir com seus desenhos que menosprezam os trabalhadores dos canteiros.
Nunca precisei ser presidente do IAB para contribuir com nossa quase centenária entidade, fui fundador de núcleos no interior, diretor e membro de seu Conselho Superior.
Defendo o IAB de Vilanova Artigas e não o que faz campanha para governantes que notoriamente espancam companheiros dos movimentos populares por moradias.
Ao tentarem menosprezar minha produção na arquitetura fazem o mesmo com 70% da categoria que sobrevive em órgãos públicos ou são autônomos.
Escuto desses colegas palavras como “obrigado” e “estamos juntos”, durante as assembleias que estamos dirigindo a maior greve de São Paulo de todos os tempos, enquanto os senhores falam em alto e bom tom que eles não podem reclamar “pois já sabiam do salário quando fizeram o concurso público“, deve ser por que vocês não consideram o serviço prestado pelo estado como arquitetura.
Gostaria que vocês vissem quantos loteamentos, casas e conjuntos habitacionais sou o responsável técnico ou mesmo quando assumimos cargos públicos não mudamos de opinião e foi como arquiteto e secretário de planejamento da cidade de Americana que recebi o prêmio do IAB/SP em 2004. Bingo!
Não conhecem a produção arquitetônica do interior e do resto do Brasil, pois seus olhares são para os impérios e a arquitetura do espetáculo mundial.  
Quem vos escreve é o arquiteto de Zés, Joaos, Carlões, Pedrões e tantos outros que não frequentam ou habitam seus projetos!

Arq. e Urb. Victor Chinaglia
 

 

 




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