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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Arquiteto funcionário público, quem vai querer? - por Alexandre Delijaicov, André Takyia e Pedro Fiori Arantes


    A Móbile, a Revista do CAU/SP tem  espaço para os observatórios em que  dois editores e uma grande quantidade de colegas  contribuem com os temas.

  No observatório de obra pública Alexandre Delijaicov, André Takyia e Pedro Fiore falam num tema hiper atual, o arquiteto público. Atual pois temos  movimentos reivindicatório em várias prefeitura do estado por salários e melhores condições, diga-se reconhecimento.

  Os governos precisando aplicar uma política de desmanche do estado atacam primeiro quem o defende, os arquitetos e engenheiros públicos, terceirizam os setores da administração cujos os salários dos profissionais das empreiteiras diferem para mais em muito com seus colegas concursados ou realizam novos concursos com remunerações abaixo do piso da categoria para que ninguém participe  acabando com o conhecimento  que não é repassado a diante para as novas gerações, o acervo técnico público.

   Soluções temos, mas será com muita luta,  a aprovação da Carreira de Estado  e a arquitetura como política de estado com sua verticalização o início.

   .A importante  a análise de meus colegas e amigos é uma ótima fonte de debate entre a categoria para aprimorar  nossa organização e  elevar a consciência de classe tão  necessários para o sucesso de nossa dura jornada de lutas ,  boa leitura! 

Arq. e Urb. Victor Chinaglia-Coordenador da Móbile, a Revista do CAU/SP





Observatório Obra Pública | Alexandre Delijaicov, André Takyia e Pedro Fiori Arantes



Arquiteto funcionário público, quem vai querer?


   A figura idealizada do arquiteto esteve associada a do gênio criador e, modernamente, a do profissional liberal, autônomo em seu ofício, premiado e reconhecido no círculo privilegiado de seus pares. Quase todo estudante de arquitetura é estimulado a desejar ter escritório com seu sobrenome estampado, sair em capa de revista e ser um dia descoberto por um crítico internacional como nova promessa brasileira para a arquitetura mundial.

  Além do escritório-ateliê da “alta arquitetura”, os ciclos de crescimento econômico produziram grandes escritórios privados de projeto e, dentro deles, o arquiteto empresário e, em maior número, o arquiteto assalariado, desenhista heterônomo de fragmentos de projeto. Virar arquiteto-proletário, com liberdade de criação reduzida, seria, por outro lado, a chance de organização sindical e poderia ser ele bom arquiteto? Fazer carreira pública no Brasil pode ser atraente em alguns setores privilegiados, as chamadas carreiras de estado, em geral ligadas à justiça, fazenda, receita e altos cargos públicos, militares e civis. Mas para arquiteto e urbanista, esse é um lugar destinado aos que, talvez, tenham poucas ambições profissionais (ou do ego), almejam estabilidade ou não querem se aporrinhar com clientes privados.


 Além de salários muitas vezes abaixo do próprio piso da categoria, por ausência de carreira e consciência de classe, sempre frágil, contudo, em nosso campo liberal e competitivo – mas ação ainda necessária.

   Em ambos os casos, arquitetos do setor privado disputam contratos do Estado e consideram-se os mais preparados para receber as encomendas públicas de todos os portes – por concorrência, concursos ou por meio da anômala figura do notório saber e dispensa de licitação. Não é à toa que o grande nome da arquitetura brasileira foi um desses casos, e que ninguém contesta, pois Oscar Niemeyer foi o arquiteto número um do Estado brasileiro sem ser funcionário público.

    Existiu por um período um programa chamado “arquiteto da comunidade”, que depois passou a ser parcialmente replicado noutros países, mas não por aqui.

   Da mesma forma, bons projetos de edifícios públicos podem e devem ser concebidos por arquitetos do funcionalismo – mesmo que depois licitados e detalhados por escritórios privados. O Estado brasileiro precisa ter a capacidade de definir projetualmente suas necessidades e manter escritórios próprios de projeto em setores estratégicos da gestão. Equipes devem ser preparadas não apenas para realizar editais de licitação, termos de referência e fiscalizar o que contrataram, mas para executar planos e anteprojetos, uma vez que deverão ser plenamente conhecedoras das demandas de seus órgãos e usuários, dos custos e especificidades operacionais e de manutenção, além de defender o interesse público e das maiorias, o que o setor privado não faz por conta própria.

   O desmanche dos escritórios públicos e de sua cultura de projeto em nome da terceirização, inclusive da concepção, é um crime contra a capacidade da sociedade brasileira .Afinal, funcionário público, no imaginário social, é aquele burocrata cinzento, empoeirado e medíocre, desprovido de criatividade e sensibilidade. Como específica, o arquiteto em geral recebe responsabilidades muito acima da remuneração e do prestígio que lhe são destinados. São inúmeros municípios que, quando contam, têm pouquíssimos arquitetos para todo o setor de planejamento urbano, projetos, obras, desapropriações, aprovações e fiscalizações. O que resulta em dificuldades de todas as ordens, além de resultados precários, processos morosos e fiscalização insuficiente.


    Se, na máquina pública, já estão em número muito aquém do necessário, nas periferias das grandes cidades, os arquitetos são verdadeiros desconhecidos, apresentados por vezes na TV, como profissão de galã de novela. Não existe no serviço público o atendimento em arquitetura para a população, como ocorre com profissionais de saúde e educação e, mais recentemente, com a Defensoria Pública. Contudo, seria fundamental que o profissional do habitat estivesse lá, como aliás prevê a Lei de Assistência Técnica (11.888/2008) – lembrando que, historicamente, existiram e ainda sobrevivem alguns poucos escritórios de assessoria aos movimentos de luta por moradia atuando nesses contextos.

    Seria importante que o arquiteto estivesse nos loteamentos precários das nossas cidades com equipes multiprofissionais (fazendo parte do Programa Saúde da Família, nas Diretorias de Ensino ou da Defensoria Pública, por exemplo), atendendo às demandas por melhorias nas moradias autoconstruídas, situações de risco, regularização fundiária, requalificação de praças, escolas e equipamentos públicos. Em Cuba, único país latino-americano sem favelas, exileira, por meio do Estado, em definir suas demandas, critérios e meios de resolução, com inteligência própria, sem ficar refém da “venda de sistemas e tecnologias” pelo mercado. Veja-se o desastre brasileiro nas áreas de mobilidade, abastecimento de água, saneamento, energia e habitação, em que a iniciativa privada passou a comandar as decisões estratégicas em detrimento do interesse público, da justiça social e da qualidade urbana.

    O CAU e as escolas públicas de arquitetura deveriam propor a abertura de uma discussão sobre como a União,  Estados e municípios podem implementar e manter escritórios públicos de projetos – para planejar, projetar, orçar, construir e avaliar – obras de infraestruturas urbanas (de saneamento ambiental, mobilidade urbana e transporte público), equipamentos públicos (de educação, cultura, esportes, lazer, assistência e saúde) e habitação social (universal).


   Concursos de projeto são necessários e bem vindos, como trataremos em texto deste Observatório, mas a carreira pública deve ser reabilitada no plano de salários e gratificações, nas condições de trabalho, na contratação em número adequado de servidores em cada função no aparelho do Estado (com arquitetos prestando assessoria técnica das favelas aos tribunais de contas), sem descuidar dos aspectos da sua formação, desde as universidades, para termos profissionais preparados a enfrentar as mais diversas tarefas da arquitetura pública, a favor de sociedades e cidades melhores e mais justas.

Lúcio Costa, Affonso Eduardo Reidy, a engenheira Carmem Portinho, no Rio de Janeiro, e o arquiteto Hélio Duarte em São Paulo, serão lembrados como servidores públicos que contribuíram para a boa arquitetura pública brasileira, com alicerce ético humanista, social, público e coletivo.



Alexandre Delijaicov- Arquiteto e urbanista da prefeitura de São Paulo, prof. do departamento de projeto da USP e coordenador dos Grupos de Pesquisa em Projetos de arquitetura de equipamentos públicos e Infraestruturas Urbanas Fluviais da USP.

André Takyia-  Arquiteto e urbanista da prefeitura de São Paulo, Coordenador dos Grupos de Pesquisa em Projetos de arquitetura de equipamentos públicos e Infraestruturas Urbanas Fluviais da USP.

Pedro Fiori- Arquiteto e urbanista , pró reitor e coordenador do escritório público da UNESP e ex-coordenador da Assessoria técnica Usina .


sábado, 27 de dezembro de 2014

A Bauhaus de Moscou, Vkhutemas ,por Frank Svensson

















As Oficinas Superiores de Arte e Técnica, na Rússia, competiam com a Bauhaus. Mas ao contrário da escola alemã, a russa praticamente caiu no esquecimento, apesar de seus feitos arquitetônicos e artísticos.





Projeto da fachada da Vkhutemas para o 10° aniversário da revolução comunista



Um novo ser humano e uma nova forma de sociedade: a década de 1920 foi um período em que a arte deveria atender a tal exigência. Na Europa, sob a direção do arquiteto Walter Gropius, a Bauhaus estabelecia as bases de uma nova era para a arquitetura e o design.
Mas também na antiga União Soviética, intelectuais, artistas e arquitetos acreditavam nessa utopia com uma euforia pós-revolucionária. Tanto ali quanto na Alemanha surgiram as primeiras instituições de ensino que promoviam a vanguarda na arte e, principalmente, na arquitetura. Em 1919, surgia em Weimar a escola Bauhaus, e, um ano mais tarde, foram fundadas em Moscou as Oficinas Superiores de Arte e Técnica – as Vkhutemas.
As duas escolas são, muitas vezes, motivo de comparação. Frequentemente, as Vkhutemas são chamadas de "Bauhaus russa". E, de fato, as escolas russas têm semelhanças com a Bauhaus na Alemanha, principalmente na abordagem pedagógica e compreensão da arte.
Houve também uma cooperação: nos anos de 1927 e 1928, os estudantes realizaram intercâmbios de visitas e ideias. Na década seguinte, tanto a Bauhaus quanto as Vkhutemas fecharam.
Passados cerca de 80 anos, o espaço de exposição Martin Gropius Bau, em Berlim, apresenta a mostra Vkhutemas. Um laboratório russo do modernismo. No entanto, os curadores da mostra não quiseram colocar as duas escolas em pé de igualdade. Pois, além das semelhanças, há também inúmeras diferenças entre elas.

"Uma centena de Gropius"


Qualquer um, mesmo sem conhecimentos especiais anteriores, podia estudar nas Vkhutemas, que foram abertas por decreto do governo soviético. Isso também teve impacto sobre o número de alunos. Enquanto somente no primeiro ano, as Vkhutemas registraram 2 mil matrículas, na Bauhaus, estavam inscritos somente 150 alunos, distribuídos nas faculdades de Pintura, Escultura, Têxteis, Gravura, Cerâmica, Madeira e Metalurgia. A Bauhaus dava destaque ao design industrial, e, nas oficinas russas, o foco estava na arquitetura.






Estudantes da Vkhutemas executando tarefas práticas

Nas Vkhutemas, os estudantes podiam escolher o professor ou professora cujo curso queriam frequentar. Essa decisão não era fácil. Enquanto na Bauhaus, Walter Gropius era o diretor criativo no círculo de seus seguidores, na Vkhutemas, havia "uma centena de Gropius", explica Gereon Sievernich, diretor do Martin Gropius Bau. Estes incluem arquitetos como Alexey Shchusev, Nikolai Ladovsky e Konstantin Melnikov ou pintores como Kazimir Malevitch, El Lissitzky e Vassily Kandinsky, que, mais tarde, manteve o espírito das Vkhutemas ao ensinar na Bauhaus.



Alunos superam professores




Nas Vkhutemas, o ensino se baseava no chamado "princípio sintético", que previa uma proficiência tanto em atividades artísticas quanto artesanais. Os alunos começavam com composições abstratas, para aprender conceitos de espaço, forma e equilíbrio. Posteriormente, recebiam tarefas práticas, tendo que projetar bancas de jornal, caixas d'água e centros comunitários.


Projeto de Ivan Leonidov para o Instituto Lênin





Algumas vezes, os projetos estudantis apresentavam uma extravagância que ficaram tão conhecidos quanto os projetos de seus professores e professoras. Por exemplo, após a defesa do trabalho de conclusão de curso por Ivan Leonidov, que projetou o Instituto e Biblioteca Lênin em Moscou, os docentes se levantaram de seus assentos em sinal de respeito: o aluno superara seus mestres.






Vkhutemas: uma lição para o futuro?


Apesar do sucesso, a "centena de Gropius" não conseguiu encontrar uma linguagem comum. Cada novo reitor – no total foram três – mudava radicalmente a política da instituição de ensino: as estruturas, o corpo docente e os objetivos. Em 1930, as Vkhutemas foram dissolvidas na esteira de outra reforma da educação.






Habitação comunitária: projeto de Nikolai Ladovski



As oficinas foram fechadas e caíram no esquecimento durante décadas. A vanguarda soviética foi substituída pelo "realismo socialista". Apesar de seu importante papel para o desenvolvimento da arte e da arquitetura, na Rússia e em toda a Europa, as Vkhutemas, diferentemente da Bauhaus, não se tornaram conhecidas mundialmente.

* Para alguns historiadores da arte, isso ainda vai mudar: está por vir a época em que as conquistas das Vkhutemas receberão reconhecimento. De qualquer forma, até o dia 6 de abril de 2015, quem for ou estiver em Berlim poderá visitar a mostra, organizada em cooperação com o Museu Estatal de Arquitetura Shchusev, em Moscou.

Frank Svensson, professor da FAU-Unb edita o blog Arquitetura e Engajamento  franksvensson.blogspot.com

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A Móbile, a Revista do CAU/SP sopro de criatividade e o respiro da arquitetura e urbanismo atuais.


    O texto elaborado por mim e o colega Éder Silva para o editorial da  Móbile, a Revista do CAU/SP #2, enfrenta novos caminhos da arquitetura e do urbanismo de frente e por esses irão transitar onde o  tradicional mercado editorial não frequenta , por estar preso ao seu alimento , o mercado.
   A cidade vive uma realidade estabelecida fora dos parâmetros cartesianos do conhecimento, vivo como organismo ,somente vivenciando intensamente  ruas e vielas de suas  artérias sociais que a descobrimos, e assim conhecer nossa verdadeira vocação, o  papel social dos arquitetos e urbanistas.A arte de viver num espaço  transformador eterno e não hermético  deve ser o ambiente de nosso veículo sócio-cultural.
      Desconheço inovações tão livres como acontecem na  Móbile, a Revista do CAU/SP , nem mesmo as realizadas por estudantes e universidades, ainda se contarmos que trata-se de uma publicação institucional e realizado por profissionais renomados. Sempre aberta às novas ideias de  colegas, cheguei a ouvir da jornalista que   "aprendeu com ela ( Móbile) tudo que poderia fazer o que a condicionaram a não  fazer   pela sua faculdade!", troca de logo a cada edição, mudanças na diagramação, ilustrações não sequenciais , fotos livres e previsões de também inovar nos materiais, os papeis ,  brilhos  e formatos previstos para  2015. 
     Com conteúdo  crítico sem medo de errar e com a obrigação de acertar somente com a incerteza do novo, mesmo que pese  o  enfrentamento que uma publicação dessa  sucinta, tenho certeza da vida longo dos dois primeiros números,  que assim seja. 
   A Móbile, a Revista do CAU/SP é o sopro de criatividade  e o respiro  da arquitetura e urbanismo atuais. Aeróbica   do pensar contra  a musculatura rígida do conservadorismo.

Arq. e Urb. Victor Chinaglia- Coordenador da Móbile 





   No Brasil do processo veloz e violento da urbanização iniciada no século XX, a arquitetura ganha definitivamente nova escala com as mudanças nos cenários das cidades com suas obras e novos atores sociais.

   As necessidades de consumo para aquecer as máquinas das fábricas pelo número crescente de trabalhadores fazem nascer novas manifestações, adicionados pelos avanços tecnológicos que transformaram o modo de operar a arquitetura e a arte; a siderurgia, o concreto, a química, o carro, o avião, cinema, fotografia e televisão, afinal há luz nas cidades e nas artes.


  O planejamento e a gestão estão nos debates cotidianos: parques, avenidas, trens, metrôs, escolas, hospitais, aeroportos, moradias populares e infraestrutura. O desenho urbano torna-se um traço permanente na arquitetura e urbanismo.

  A terceira geração desses trabalhadores urbanos, na mudança dos séculos XX para XXI, produz a arte que sai do ambiente interno da arquitetura e ganha as ruas, tendo a própria cidade como suporte artístico que sintetiza suas vidas ao ritmo da opressão e resistência. A periferia da produção arquitetônica e artística torna-se visível com seus grafites, músicas e costumes nascentes dos conjuntos habitacionais e favelas.

   Novas tecnologias, a facilidade de comunicação advinda da cibernética e dos satélites modificam novamente a escala e a velocidade humana em todos os sentidos ao entrar no século XXI. O celular vira um mundo, as artes ganham as massas e as imagens, as alturas.


   Pode-se ver por meio de lentes nosso planeta e suas frenéticas cidades jamais imaginadas aos olhos humanos, do espaço. O fotógrafo paulista Cássio Vasconcelos reflete esse novo olhar em seus trabalhos. As cidades são imagens surpreendentes, imediatas e vivas, nada escapa às  novas lentes e, dependendo da objetiva, é a própria obra.

   A arte convive simbioticamente com a arquitetura e o urbano a ponto de, em alguns momentos, não distinguirmos quem é o suporte: a arquitetura, o urbanismo ou a própria arte.


   Exemplos disso são os trabalhos de Alexandre Orion, Kobra, Eduardo Srur e tantos outros reconhecidos pelas mídias e milhares que ainda continuam escondidos atrás de suas próprias intenções.


  A Móbile, a Revista do CAU/SP, nasceu nesse contexto para inovar as artes gráficas e trazer o debate da arquitetura e urbanismo para as novas escalas das cidades e da sociedade, longe do formalismo conveniente e preguiçoso. E cada texto, foto ou desenho em nossas folhas movimenta-se com a intensidade inovadora e criativa que nossa profissão exige.

  Não haverá rigidez para nenhuma letra, texto, foto, desenho ou qualquer manifestação em nossas folhas e sítios eletrônicos. Influenciaremos na liberdade de criação com mais liberdade!



  Optamos pela eternidade do movimento envolvente nos móbiles e comemoraremos as novas escalas, suportes artísticos e ideias sem dogmas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mercado, ensino e canteiro de obras foram temas do Programa Câmara Aberta











 Programa Câmara Aberta especializado em questões sindicais entrevista os arquitetos Victor Chinaglia, diretor jurídico do SASP, Maurílio Chiaretti presidente do SASP e Alexandre delijaicov arquiteto da prefeitura e da FAU-USP.

Mercado, ensino e canteiro de obras foram temas dessa matéria.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Eleições CAU 2014, a história continua

BAILE DA SAUDADE
, delírios de um tempo que pode voltar.




    Nós nobres arquitetos paulistas decidimos  realizar uma grande comemoração para relembrar os grandes eventos da ARQUITETURA PAULISTA, os casarões da Av. Paulista, o viaduto do Chá, o Martinelli e outros grandes projetos que engrandecem o povo paulista.
   

   Os convidados serão fieis representantes do nobiliarchia paulista formada na Universidade de São Paulo ou na Universidade Presbiteriana do Mackenzie. Afinal fora desses espaços do pensar não existe inteligência, apenas diplomas e em milhares para nosso terror.
  

  Anúncio publicado no  Estado de São Paulo no dia 9 de Julho, data da estrondosa victória dos paulistas contra os baderneiros autoritários  de Getúlio, que até hoje  obriga-nos   enfrenta-los  contra a legalidade  da maioria ignorante e  resistente de nossa insuportável superioridade moral e eleitoral.


 Assim foi descrito:


 Baile datado para 05 de novembro de 2014 , 1514 anos do nascimento de João Ramalho, dia que o grande Paulista e Presidente da República Prudente de Morais sofreu atentado e ileso graças a Divina Intervenção. Local Rua Bento Freitas, 1964 AI-4 Andar , contaremos com serviço de  manobristas na porta, pois somos diferenciados. Será obrigatória apresentação de convite nominal dos seletos  128 convidados.

    Abertura com Discursos do Presidente Supremo Imortal da AIB Dr. Plínio Salgado e do IAB Dr. José Pé. No Sácrito Panctus.

   Abertura cultural da grandiosa BIG BAND CAUDOWN e CORAL IABABACHIANAS que farão a série de concertos com a LÁGRIMAS SASPIANAS do AMOR N° em R$s. Para os mais jovens septuagenários matinée com DJ MMDC.

  O glorioso evento contará com a presença do Excelentíssimo Governador do Estado de São Paulo , rejeitado por São Pedro e reprovado por  Minerva, Magnifico Prefeito da USP , Vossa santidade o Bispo de São Paulo de Piratininga , a diretoria do MASP, do Clube de Cultura Artística de São Paulo, que sem eles não poderíamos demonstrar todo nosso potencial profissional.

  Galardões e homenagens aos engenheiros – arquitetos que contribuíram para nossa maior representação arquitetônica, o estilo Marajoara e o atual neoclássico. Os caixotes de concretos serão oconcur esse ano.
  
  Após evento  interno será organizado passeio motorizado organizado pelo Automóvel Club do Brasil pelos bairros Pacaembu e Higienópolis   e buzinasso contra as  forças progressistas   da turbe do interior  e   da periferia  favelada que contaminam o  CAU , nossa real cultura  e ARQUITETURA PAULISTA.

   O CAU deve ser nossa imagem e semelhança!O AIB 
  
  Esperamos assim perpetuar com nosso nobre sangue seguindo com fé as  tábulas  pranchetas  sagradas da ARQUITETURA PAULISTA, que edificou    grandes prédios, catedrais e palácios,   apesar da mão de obra  ignorante analfabeta e infiel dos  imigrantes e nortistas, que imprudentemente votam e provocam o cisma na sociedade entre regiões e classes sociais, nas cidades e no Brasil.

“Viva o Brasil e sua elite”.

Exc.ª. Sr. Dr. Arq. Duque e IV Barão de Sant’ana

 José  Julio Never Bonito da Turquia .:


Aos  XXV, X ex. MMXIV




A História continua......

domingo, 19 de outubro de 2014

Aos Drs. Josés














Aos Drs. Josés


Drs. Josés fui forjado na dura realidade das universidades particulares, no enfrentamento por melhores condições de ensino e no combate aos aumentos nas mensalidades. Diretor do DCE da PUCAMP e dirigente da Juventude Comunista-UJC, não sua 4° força auxiliar que na década de 90 seria a 5° coluna do PCB, era reconhecido pela coragem e criatividade nas ações e não apelidado pelos estudantes de Zé Pé no Sac...
Drs. Josés, arquitetura evoluiu muito nos últimos anos, talvez não nos rumos que vocês queriam.
Diferente de vocês optei em trabalhar em cooperativas que sobrevivem sob o regime dos parcos recursos dos programas habitacionais destinados às entidades. Não preciso colecionar Certificados de Acervos Técnicos- CAT para participar de licitações cada vez mais flexíveis e em regimes de exceções, no qual vale muito a adulação aos governantes e indicações de parentes para construir o público a serviço do privado.  
No cooperativismo não temos patrões e elegemos nossos chefes, diferente dos escritórios, hoje minorias bem sucedidas. Sou sindicalista e convivo com o sacrifício de centenas de arquitetos que trabalham com esses escritórios, muitas vezes transformados em sócios minoritários e recebendo bem abaixo do piso da categoria. 
Talvez seja esse apego ao atual sistema que transforma-se em desprezo ao bem público.
Desprezo em que tratam nosso conselho fruto de 52 anos de lutas de nossa velha guarda. Faltam constantemente às plenárias e seguram centenas de processos que prejudicam o mesmo número de colegas profissionais.
Falam em carreirismo, deve ser pelo fato que faltei apenas três vezes e todas justificadas, participando ativamente da Comissão de Exercício Profissional, da coordenação da Móbile, a Revista do CAU/SP e da 1° Conferência do CAU/SP onde percorremos 5500 Km para conversar com 1500 profissionais e que resultou em 10 sedes regionais.
Drs. Josés, o CAU/SP é estadual assim como a produção da arquitetura não limita-se aos palácios e templos de seus pequenos reis e falsos deuses em que vocês insistem em produzir com seus desenhos que menosprezam os trabalhadores dos canteiros.
Nunca precisei ser presidente do IAB para contribuir com nossa quase centenária entidade, fui fundador de núcleos no interior, diretor e membro de seu Conselho Superior.
Defendo o IAB de Vilanova Artigas e não o que faz campanha para governantes que notoriamente espancam companheiros dos movimentos populares por moradias.
Ao tentarem menosprezar minha produção na arquitetura fazem o mesmo com 70% da categoria que sobrevive em órgãos públicos ou são autônomos.
Escuto desses colegas palavras como “obrigado” e “estamos juntos”, durante as assembleias que estamos dirigindo a maior greve de São Paulo de todos os tempos, enquanto os senhores falam em alto e bom tom que eles não podem reclamar “pois já sabiam do salário quando fizeram o concurso público“, deve ser por que vocês não consideram o serviço prestado pelo estado como arquitetura.
Gostaria que vocês vissem quantos loteamentos, casas e conjuntos habitacionais sou o responsável técnico ou mesmo quando assumimos cargos públicos não mudamos de opinião e foi como arquiteto e secretário de planejamento da cidade de Americana que recebi o prêmio do IAB/SP em 2004. Bingo!
Não conhecem a produção arquitetônica do interior e do resto do Brasil, pois seus olhares são para os impérios e a arquitetura do espetáculo mundial.  
Quem vos escreve é o arquiteto de Zés, Joaos, Carlões, Pedrões e tantos outros que não frequentam ou habitam seus projetos!

Arq. e Urb. Victor Chinaglia
 

 

 




domingo, 12 de outubro de 2014

PROGRAMA DA CHAPA CAU PARA TODOS-SP, manifesto em defesa das cidades, do Brasil e da arquitetura e urbanismo.







   O Programa de nossa chapa é um verdadeiro manifesto em defesa das cidades, do Brasil e da arquitetura e urbanismo. 
    Desenvolvido por uma força ampla de apoiadores e  por todos dos membros da chapa entre eles Ermínia Maricato, Afonso Celso Bueno, Ciro Pirondi,  Pedro Fiori, João Whitaker, Eder Silva, Alexandre Delijaicov, Gustavo Melo ,Guilherme Wisnik, Kazuo Nakano, André Takiya, Caio Santa More,Bruno Padovano,  João Carlos Correia, Gerson Faria e tantos outros nessa longa lista .
   Influenciado pela  1° Conferência do CAU/SP e seus documentos amplamente divulgados, que faz um diagnostico da situação da arquitetura paulista  seus desafios e perspectivas  e  pela sua continuidade programática  no  excelente trabalho desenvolvido pelos colegas que editam a Móbile, a Revista do CAU/SP.  
    Esperamos assim, em diálogo permanente com a sociedade  mostrar  a importância de um Conselho autônomo sem influencia de outras forças políticas que não representam os  52 anos de luta de várias gerações de profissionais e que hoje sabemos ser uma realidade irreversível.  Aqui faço reverencia ao Prof. Joaquim Guedes que lutou contra a elitização de nossa profissão durante sua  gestão progressista no IAB e ao primeiro conselheiro federal  Miguel Pereira, nosso timoneiro nessa longa e árdua caminhada,   que deu  seu aval político e intelectual aos trabalhos dos demais conselheiros   do CAU/SP e do CAU/BR. Deixaram sementes que germinam e se renovam a cada eleição. Nosso Conselho não pode parar.


Chapa CAU PARA TODOS – União e Valorização

16 Pontos do Programa 




    01)   AMPLIAÇÃO DO CAMPO PROFISSIONAL E FORTALECIMENTO DA SUA IMAGEM PÚBLICA E RELEVÂNCIA SOCIAL. 

    Estimular o entendimento do campo ampliado de atuação e identidade do arquiteto e urbanista. Isso significa definir, orientar e regulamentar a diversidade de suas áreas de atuação, como profissional humanista, com plena capacidade técnica, que pensa, ensina, planeja e projeta o território, as cidades e assentamentos humanos, da dimensão regional ao seu espaço construído, incluindo a arquitetura das infraestruturas e o desenho dos espaços públicos e áreas verdes – de modo a desfazer, inclusive, o senso comum do arquiteto como profissional restrito ao atendimento das elites e suas encomendas privadas. Atuar junto à opinião pública, mídia e órgãos públicos, com estratégias de comunicação eficientes, para que o CAU seja reconhecido como o conselho profissional mais habilitado a emitir posições públicas sobre assuntos de interesse da população relacionados à qualidade de vida nas cidades, obras e políticas públicas – tal como ocorre, por exemplo, com a OAB com temas como Direitos Humanos e Cidadania. 

   02) DEFENDER A QUALIDADE DA ARQUITETURA E DO URBANISMO. 

    O CAU deve defender a qualidade da arquitetura e da cidade em todos os projetos, públicos ou privados, obras, programas e políticas urbanas, habitacionais e fundiárias, atuando incisivamente para exigir a qualificação dos termos de referência (arquitetura do programa), projetos e orçamentos detalhados e completos, correta contratação de obras e sua fiscalização (incluindo a segurança dos trabalhadores), indicadores de desempenho e satisfação, elevar seus parâmetros qualitativos de integração com a cidade e, por fim, garantir as melhores condições de operação e manutenção de edifícios e espaços públicos. A valorização da qualidade arquitetônica e urbana é fundamental para a correspondente valorização social do profissional arquiteto e urbanista. O CAU pode e deve exercer o poder de fiscalização e denúncia, no caso de más práticas em políticas públicas e empreendimentos privados, inclusive do ponto de vista das relações de trabalho e produção, utilizando-se de sua autoridade enquanto órgão controlador e orientador da profissão. Ao mesmo tempo, o CAU deve estar atento ao problema corrente do leigo exercendo as funções profissionais do arquiteto e urbanista, alertando contratantes para as responsabilidades técnicas e profissionais requeridas e exercendo uma fiscalização inteligente, incluindo verificação de obras, projetos e aprovações que não apresentam o nome e cadastro do responsável técnico junto ao CAU ou CREA.

3   03) CIDADES MAIS JUSTAS E DEMOCRÁTICAS. 

      Defender a gestão democrática das cidades, cobrando de municípios e do Estado de São Paulo o cumprimento dos instrumentos e espaços de participação e controle social, por meio de conselhos, fundos e conferências previstos em lei, fortalecendo estruturas de democracia participativa e direta, complementares à representativa. Apoiar as ações públicas de democratização e regulação do uso da terra e do mercado imobiliário com vista a cidades mais justas, belas e sustentáveis. Ampliar o debate e avaliação sobre os instrumentos urbanísticos de Reforma Urbana, do Estatuto das Cidades, Políticas Nacionais de Desenvolvimento Urbano e legislações complementares, e sua efetividade, propondo suas revisões e estimulando sua implementação e regulamentação. Defender mecanismos de planejamento regional e metropolitano que favoreçam arranjos institucionais, políticas, infraestruturas e serviços públicos compartilhados entre municípios próximos ou conurbados, tendo em vista intervenção contextualizadas com suas características sociais, econômicas e geográficas.


0    04)   CIDADES E REGIÕES SUSTENTÁVEIS.  

    Cabe ao CAU colaborar na defesa da agenda verde para nossas regiões, cidades e edificações, manifestando-se sobre questões relevantes referentes à cultura de projeto público em mobilidade urbana, preservação do patrimônio histórico e arquitetônico, abastecimento de água e saneamento, proteção de bacias hidrográficas, drenagem urbana e permeabilidade do solo, reuso de água, eficiência energética e uso de fontes sustentáveis, gestão de resíduos sólidos e redução de aterros, infraestruturas verdes, agricultura urbana, áreas de preservação, aumento das áreas verdes e de parques, questionando obras de impacto negativo sócio-ambiental. Do ponto de vista institucional, atuar juntos ao órgãos públicos pertinentes ao tema e exigir o cumprimento de legislação e planos ambientais, a adoção progressiva de critérios de projeto e certificações ambientais e de construção limpa, colaborando com órgãos públicos por meio de revisão e ampliação de normas técnicas, editais, termos de referência para licitações, cartilhas, campanhas, proposição de novas leis, ampliação de quadros técnicos e formação na área.


5    05)     PRESENÇA E CARREIRA NO ESTADO. 


       Como autarquia pública, exigir a presença de arquitetos e urbanistas em todas as prefeituras do estado e nos órgãos de gestão metropolitana, nas secretarias estaduais e municipais pertinentes, garantindo a existência de corpo técnico compatível com um desenvolvimento urbano planejado, sustentado e socialmente justo. Defender a carreira pública de estado para arquiteto e urbanista, contra outras denominações de cargo e carreira que tem descaracterizado as atribuições e funções do profissional, resultando em desprestígio e rebaixamento de salários dos profissionais. Atuar pelo fortalecimento e dignidade da arquitetura pública, de projetos e obras das infraestruturas urbanas, dos equipamentos públicos e da habitação. Apoiar a estruturação e qualificação de Escritórios Públicos de Projeto que atuem na integração de políticas setoriais, na concepção, licitação, fiscalização e manutenção do parque público de edificações, combatendo a precarização da atuação profissional no Estado, encolhimento dos órgãos públicos e terceirização total dos serviços, como vem ocorrendo. Colaborar para construir uma cultura de projetos públicos junto com as escolas de arquitetura, fóruns e associações profissionais.


6     06)   INTEGRAÇÃO COM AS POLÍTICAS DE ASSISTÊNCIA DIRETA AOS CIDADÃOS. 

       Apoiar a implementação da lei federal de assistência técnica em habitação de interesse social para populações de baixa renda e ampliar sua abrangência, de modo que o atendimento em arquitetura e urbanismo para a população por profissionais ligados a ONGs, escritórios privados, laboratórios de universidades ou de programas residência profissional ocorra na ponta da política pública e não apenas em órgãos centrais. Essa prática histórica nas áreas das Defensorias Públicas. Pleitear que os programas e recursos públicos devam ser utilizados para que o arquiteto faça atendimento nas favelas e assentamentos precários das nossas cidades com equipes multiprofissionais (fazendo parte do Programa Saúde da Família, nas Diretorias de Ensino ou da Defensoria Pública, por exemplo), apoiando as demandas por melhorias nas moradias autoconstruídas, situações de risco, regularização fundiária, requalificação de praças, escolas e equipamentos públicos.


7   07)ENVOLVIMENTO NA MELHORIA DA CADEIA PRODUTIVA DA CONSTRUÇÃO CIVIL. 

E    Entender a nossa profissão como integrante do maior setor da economia brasileira, a cadeia produtiva da construção, envolvendo bilhões de reais e milhões de trabalhadores, de modo a posicionar-se publicamente a respeito das condições de trabalho e sustentabilidade ambiental em todas as suas fases e etapas em que direta e indiretamente há responsabilidade profissional do arquiteto e urbanista, do escritório ao canteiro, primando pela defesa da segurança, saúde, direitos e saberes de todos os trabalhadores da construção, avaliando o impacto social, ambiental e urbano da extração e produção de matérias primas e gestão de resíduos, execução de obras e operação de infraestruturas e edificações, com respeito aos insumos e culturas construtivas regionais. Defender o fortalecimento e ampliação de cooperativas autogestionárias de trabalho na construção civil e de fábricas públicas de componentes e edificações, com o CTRS e CEDEC. Como autarquia federal, o CAU pode colaborar com os Sindicatos, Associações de trabalhadores, Ministério do Trabalho, Polícia Ambiental e demais órgãos públicos na regulação, fiscalização controle da cadeia produtiva da construção.  

8     08)  REVISÃO DA LEI DE LICITAÇÕES E DEFESA DAS MODALIDADES TÉCNICAS DE CONTRATAÇÃO DE PROJETOS.


     Estimular órgãos públicos a realizarem licitação de projetos preferencialmente nas modalidades de concurso público e concorrências que privilegiem a avaliação e pontuação técnicas. Defender a contratação de Projetos Executivos Completos, contra a realização de obras a partir de Projetos Básicos, o que em geral resulta em aditivos de preço e de prazo, desequilíbrios de contratos, más soluções executivas em obra e baixa qualidade de atendimento das demandas originais da administração pública. Apoiar a troca de informações entre órgãos para a produção e qualificação de editais e termos de referência, patrocinando concursos e demais ações que melhor caracterizem a encomenda pública – em oposição à licitação de projetos por menor preço, pregão ou ainda na modalidade integrada (permitida pelo Regime Diferenciado de Contratação – RDC), na qual as próprias construtoras realizam os projetos. Defender a separação dos recursos para obra e para projetos nos processos de contratação de obras públicas de habitação, equipamentos e infraestrutura.


9    09) REMUNERAÇÃO PROFISSIONAL E DEFESA DA TABELA PÚBLICA DE HONORÁRIOS. 


     Defender em todas as instâncias o uso da tabela de honorários profissionais do CAU como índice público de avaliação de custos de projetos. Realizar divulgação junto a órgãos públicos e controladores da metodologia da tabela de honorários, aprimorando sua aplicação e criando instrumentos digitais para sua aplicação confiável e descomplicada. Combater a ideia de que a remuneração de projeto deva ser uma porcentagem do valor da obra, uma vez que o profissional contratado deve justamente zelar para que a obra seja a mais econômica e eficiente. Combater as práticas da “reserva técnica” junto a fornecedores, que criam uma cultura do privilégio e desmerecem as decisões de projeto e de obra baseadas em critérios técnicos.


1    10) ESTIMULAR A ATUAÇÃO  DOS ESCRITÓRIOS NA REALIZAÇÃO DE PROJETOS PÚBLICOS COMPLEXOS. 


     Atuar para fortalecer os escritórios brasileiros de arquitetura e urbanismo para atendimento de demandas complexas do estado brasileiro, que articulam muitas variáveis, hoje crescentemente sendo entregues para escritórios estrangeiros sem registro no país. Para tanto, criar um programa junto, com órgãos e associações pertinentes para fortalecimento institucional, profissionalização de gestão, competitividade em licitações, informatização de última geração, atualização profissional e ampliação de capacidade técnica e criativa de escritórios de arquitetura e urbanismo. Resgatar, a capacidade de responder com qualidade às grandes encomendas do Estado.


1  11) VALORIZAR E FORTALECER PROFISSIONAIS AUTÔNOMOS, ESCRITÓRIOS, ASSESSORIAS TÉCNICAS E COOPERATIVAS.



       A democratização do acesso à profissão depende de uma rede ampla e articulada de profissionais autônomos e escritórios, sejam eles privados, organizações não governamentais ou cooperativas. Cabe ao CAU/SP, em parceria com universidades, incubadoras de cooperativas e empresas, bancos estatais e secretarias e órgãos públicos,  dar apoio e suporte técnico, administrativo e jurídico para o fortalecimento dos escritórios e profissionais autônomos de atendimento a clientes individuais ou coletivos, nos seus diversos campos de atuação. O fortalecimento da capacidade de atuação de milhares de profissionais é aspecto fundamental para o reconhecimento da nossa profissão em larga escala, de modo a retomar nossa autoestima, função social e capacidade empreendedora, e fazer frente às inserções subalternas na própria produção da arquitetura (submetidas às decisões de construtoras, incorporadoras, do marketing imobiliário, de ingerências políticas de caráter eleitoreiro ou ainda precarizadas na condição de cadistas ou balconistas chiques em lojas de material

1 12) APROVAÇÕES E LICENCIAMENTOS DESCOMPLICADOS E PRESENÇA NOS ÓRGÃOS CONTROLADORES. 
    Como autarquia pública, defender a desburocratização e transparência de aprovações de projeto, licenciamentos e fiscalizações de órgãos públicos competentes, prevendo o aperfeiçoamento da gestão pública, informações e regras confiáveis, ampliando o controle público e reduzindo a margem para atos de corrupção neste setor. Defender a ampliação do número de arquitetos nos órgãos de fiscalização e controle, do fiscal de rua aos tribunais de contas e ministério público.


1     13) COOPERAR PARA A QUALIFICAÇÃO E FORMAÇÃO CONTINUA DO PROFISSIONAL. 


      Atuar em conjunto com o CAU/BR, Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação, ABEA e demais órgãos públicos e representações na qualificação da formação do arquiteto e urbanista, no estabelecimento de conteúdos mínimos e na acreditação de currículos e cursos de graduação, pós-graduação e especialização, destacando bons cursos para reconhecimento público, fortalecendo a internacionalização e validação de diplomas, programas de estágio e residência profissional, atualizando parâmetros de ensino, favorecendo o aprendizado crítico, humanista (social, público e coletivo) e tecnicamente competente. Fortalecer a integração entre escolas de arquitetura e a formação profissional em equipes multidisciplinares para projetos de interesse público, seja dentro do funcionalismo público ou integrando escritórios bem preparados para atender as diversas encomendas do estado e demandas sociais. Que o CAU possa atuar conjuntamente com a fiscalização e avaliação de cursos; que a abertura de novos cursos de arquitetura e urbanismo passem por análise junto ao CAU; que as atividades complementares e estágio profissional supervisionado contabilizem além das 3.600 horas mínimas do curso e não sejam incorporadas nestas; que o canteiro de obra experimental seja uma atividade efetiva e comprovada; que seja obrigatória a existência de escritórios-modelo, com CNPJ próprio e com professor arquiteto e urbanista responsável com RRT, para exercer ações das atividades de assistência técnica conforme Lei Federal n. 11.888 e outras que por ventura possam surgir; com o CAU/SP Universitário estimular a relação dos estudantes com a vida profissional e seu futuro Conselho profissional.

1    14) INTERCÂMBIO E ARTICULAÇÃO ENTRE ENTIDADES DE CLASSE. 

   Colaborar com o intercâmbio, fortalecimento e articulação das diversas entidades e representações profissionais de arquitetos e urbanistas, em escala municipal, estadual, federal e mesmo internacional, com frequência periódica. Apoiar a realização de debates, fóruns, conferências e revistas da área, incluindo a  Móbile, a Revista do CAU/SP e boletins eletrônicos, importantes veículos de comunicação e construção de agenda programática dos arquitetos e urbanistas do estado, criar grupos de trabalho temáticos, ampliando a participação dos profissionais e discutindo grandes temas da arquitetura e do urbanismo. Dialogar e procurar ações conjuntas com conselhos profissionais e entidades afins nas áreas de engenharia, geografia, design entre outras agremiações que atuam conjuntamente na produção de edificações, cidades e planejamento territorial.
1    15) PRESENÇA NO ESTADO COM EQUILÍBRIO E CAPILARIDADE. 

       Fortalecer a presença do CAU em todo o Estado de São Paulo, com sedes em seus polos regionais, zelando pelo equilíbrio entre interior e capital, ampliando a capilaridade de representação, orientação e fiscalização do Conselho, seus espaços de diálogo presencial, debates e atendimento aos profissionais.


1 16)INFORMAÇÃO ATUALIZADA SOBRE A PROFISSÃO E O PROFISSIONAL. 

      Manter atualizado, com avaliação crítica e divulgação permanente os dados do Censo do CAU sobre o perfil dos profissionais de arquitetura e urbanismo, para conhecimento da nossa identidade, das suas escolas de formação, das áreas de atuação, da geografia de recolhimento de responsabilidade técnica (RRTs), idade e gênero dos profissionais, de modo a compreendermos quais as características definidoras do perfil e modo de atuação da nossa profissão, para melhor compreendê-la e orientá-la.



Chapa CAU PARA TODOS-SP