Páginas

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Atuar e ser parte do canteiro de obras, o porquê de ser arquiteto



        Flavio Motta em 1967  lança o texto "Desenho e Emancipação" que  em conjunto com Villanova Artigas veio a dar linhas gerais do que seria o curso de arquitetura e o seu papel social, substituindo a figura do arquiteto decorador pelo tecnológico, sendo o habitar uma necessidade humana. 
       Lúcio Costa, Niemeyer, Affonso Reidy  e os Modernistas do Rio  e   Artigas e os arquitetos da chamada Escola Paulista, influenciaram várias gerações,que posteriormente teve em Sérgio Ferro, Flávio Império e Rodrigo Lefévre seus continuadores no pensar arquitetura na ótica marxista e que viria formar a minha.
      Meu pai era amigo de Artigas, Motta e todo uma geração de artistas e arquitetos que conviveram entre 1971 e 1978 fazendo trabalhos para  Secretaria  de Planejamento do Município de São Paulo ou na EMPLASA e mesmo na iniciativa privada, na Hidroservice e na Hidrobrasileira ,que empregaram muitos perseguidos políticos durante a ditadura civil-militar, dentre eles o Flávio Império que já tinha sido estagiário de Joaquim Guedes em 1959.
     Engenheiro especialista em planejamento , o velho Victor Chinaglia  foi decisivo para minha escolha em ser arquiteto ainda aos 8 anos.
     Na FAU-PUCCAMP entre 1985 e 1989, ano da Nova República e da legalidade do PCB, foi o aprendizado deixado pelo Rodrigo Lefévre e seus colegas , meus professores.
    Como Diretor de Urbanismo ou Secretário de Planejamento aprendi muito  com Niemeyer, Fábio Penteado e principalmente Joaquim Gudes que moldou definitivamente minha visão do papel social do arquiteto e a arte de projetar.
    Hoje , tenho em Mário Yoshinaga um colega de estudo e parceiro de idéias e ao lado do Arquiteto Marco António Alves Jorge, o Kim,  a oportunidade através das cooperativas  Cooperteto de Habitação e na Braço Forte de Arquitetura e Construção de                                  atuar e ser parte do canteiro de obra.
     A participação do povo no poder decisório do projeto e da obra, em conjunto com toda a cadeia produtiva da indústria da construção civil sem o intermediário, me faz ter certeza do papel do arquiteto na busca política de uma sociedade moderna, participativa e democrática, que ainda teremos.    
   
O quadro dedicado a mim quando eu tinha 5 anos  foi feito por Marcelo Nitsche  e retrata a esposa de Flávio Motta.