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domingo, 12 de outubro de 2014

PROGRAMA DA CHAPA CAU PARA TODOS-SP, manifesto em defesa das cidades, do Brasil e da arquitetura e urbanismo.







   O Programa de nossa chapa é um verdadeiro manifesto em defesa das cidades, do Brasil e da arquitetura e urbanismo. 
    Desenvolvido por uma força ampla de apoiadores e  por todos dos membros da chapa entre eles Ermínia Maricato, Afonso Celso Bueno, Ciro Pirondi,  Pedro Fiori, João Whitaker, Eder Silva, Alexandre Delijaicov, Gustavo Melo ,Guilherme Wisnik, Kazuo Nakano, André Takiya, Caio Santa More,Bruno Padovano,  João Carlos Correia, Gerson Faria e tantos outros nessa longa lista .
   Influenciado pela  1° Conferência do CAU/SP e seus documentos amplamente divulgados, que faz um diagnostico da situação da arquitetura paulista  seus desafios e perspectivas  e  pela sua continuidade programática  no  excelente trabalho desenvolvido pelos colegas que editam a Móbile, a Revista do CAU/SP.  
    Esperamos assim, em diálogo permanente com a sociedade  mostrar  a importância de um Conselho autônomo sem influencia de outras forças políticas que não representam os  52 anos de luta de várias gerações de profissionais e que hoje sabemos ser uma realidade irreversível.  Aqui faço reverencia ao Prof. Joaquim Guedes que lutou contra a elitização de nossa profissão durante sua  gestão progressista no IAB e ao primeiro conselheiro federal  Miguel Pereira, nosso timoneiro nessa longa e árdua caminhada,   que deu  seu aval político e intelectual aos trabalhos dos demais conselheiros   do CAU/SP e do CAU/BR. Deixaram sementes que germinam e se renovam a cada eleição. Nosso Conselho não pode parar.


Chapa CAU PARA TODOS – União e Valorização

16 Pontos do Programa 




    01)   AMPLIAÇÃO DO CAMPO PROFISSIONAL E FORTALECIMENTO DA SUA IMAGEM PÚBLICA E RELEVÂNCIA SOCIAL. 

    Estimular o entendimento do campo ampliado de atuação e identidade do arquiteto e urbanista. Isso significa definir, orientar e regulamentar a diversidade de suas áreas de atuação, como profissional humanista, com plena capacidade técnica, que pensa, ensina, planeja e projeta o território, as cidades e assentamentos humanos, da dimensão regional ao seu espaço construído, incluindo a arquitetura das infraestruturas e o desenho dos espaços públicos e áreas verdes – de modo a desfazer, inclusive, o senso comum do arquiteto como profissional restrito ao atendimento das elites e suas encomendas privadas. Atuar junto à opinião pública, mídia e órgãos públicos, com estratégias de comunicação eficientes, para que o CAU seja reconhecido como o conselho profissional mais habilitado a emitir posições públicas sobre assuntos de interesse da população relacionados à qualidade de vida nas cidades, obras e políticas públicas – tal como ocorre, por exemplo, com a OAB com temas como Direitos Humanos e Cidadania. 

   02) DEFENDER A QUALIDADE DA ARQUITETURA E DO URBANISMO. 

    O CAU deve defender a qualidade da arquitetura e da cidade em todos os projetos, públicos ou privados, obras, programas e políticas urbanas, habitacionais e fundiárias, atuando incisivamente para exigir a qualificação dos termos de referência (arquitetura do programa), projetos e orçamentos detalhados e completos, correta contratação de obras e sua fiscalização (incluindo a segurança dos trabalhadores), indicadores de desempenho e satisfação, elevar seus parâmetros qualitativos de integração com a cidade e, por fim, garantir as melhores condições de operação e manutenção de edifícios e espaços públicos. A valorização da qualidade arquitetônica e urbana é fundamental para a correspondente valorização social do profissional arquiteto e urbanista. O CAU pode e deve exercer o poder de fiscalização e denúncia, no caso de más práticas em políticas públicas e empreendimentos privados, inclusive do ponto de vista das relações de trabalho e produção, utilizando-se de sua autoridade enquanto órgão controlador e orientador da profissão. Ao mesmo tempo, o CAU deve estar atento ao problema corrente do leigo exercendo as funções profissionais do arquiteto e urbanista, alertando contratantes para as responsabilidades técnicas e profissionais requeridas e exercendo uma fiscalização inteligente, incluindo verificação de obras, projetos e aprovações que não apresentam o nome e cadastro do responsável técnico junto ao CAU ou CREA.

3   03) CIDADES MAIS JUSTAS E DEMOCRÁTICAS. 

      Defender a gestão democrática das cidades, cobrando de municípios e do Estado de São Paulo o cumprimento dos instrumentos e espaços de participação e controle social, por meio de conselhos, fundos e conferências previstos em lei, fortalecendo estruturas de democracia participativa e direta, complementares à representativa. Apoiar as ações públicas de democratização e regulação do uso da terra e do mercado imobiliário com vista a cidades mais justas, belas e sustentáveis. Ampliar o debate e avaliação sobre os instrumentos urbanísticos de Reforma Urbana, do Estatuto das Cidades, Políticas Nacionais de Desenvolvimento Urbano e legislações complementares, e sua efetividade, propondo suas revisões e estimulando sua implementação e regulamentação. Defender mecanismos de planejamento regional e metropolitano que favoreçam arranjos institucionais, políticas, infraestruturas e serviços públicos compartilhados entre municípios próximos ou conurbados, tendo em vista intervenção contextualizadas com suas características sociais, econômicas e geográficas.


0    04)   CIDADES E REGIÕES SUSTENTÁVEIS.  

    Cabe ao CAU colaborar na defesa da agenda verde para nossas regiões, cidades e edificações, manifestando-se sobre questões relevantes referentes à cultura de projeto público em mobilidade urbana, preservação do patrimônio histórico e arquitetônico, abastecimento de água e saneamento, proteção de bacias hidrográficas, drenagem urbana e permeabilidade do solo, reuso de água, eficiência energética e uso de fontes sustentáveis, gestão de resíduos sólidos e redução de aterros, infraestruturas verdes, agricultura urbana, áreas de preservação, aumento das áreas verdes e de parques, questionando obras de impacto negativo sócio-ambiental. Do ponto de vista institucional, atuar juntos ao órgãos públicos pertinentes ao tema e exigir o cumprimento de legislação e planos ambientais, a adoção progressiva de critérios de projeto e certificações ambientais e de construção limpa, colaborando com órgãos públicos por meio de revisão e ampliação de normas técnicas, editais, termos de referência para licitações, cartilhas, campanhas, proposição de novas leis, ampliação de quadros técnicos e formação na área.


5    05)     PRESENÇA E CARREIRA NO ESTADO. 


       Como autarquia pública, exigir a presença de arquitetos e urbanistas em todas as prefeituras do estado e nos órgãos de gestão metropolitana, nas secretarias estaduais e municipais pertinentes, garantindo a existência de corpo técnico compatível com um desenvolvimento urbano planejado, sustentado e socialmente justo. Defender a carreira pública de estado para arquiteto e urbanista, contra outras denominações de cargo e carreira que tem descaracterizado as atribuições e funções do profissional, resultando em desprestígio e rebaixamento de salários dos profissionais. Atuar pelo fortalecimento e dignidade da arquitetura pública, de projetos e obras das infraestruturas urbanas, dos equipamentos públicos e da habitação. Apoiar a estruturação e qualificação de Escritórios Públicos de Projeto que atuem na integração de políticas setoriais, na concepção, licitação, fiscalização e manutenção do parque público de edificações, combatendo a precarização da atuação profissional no Estado, encolhimento dos órgãos públicos e terceirização total dos serviços, como vem ocorrendo. Colaborar para construir uma cultura de projetos públicos junto com as escolas de arquitetura, fóruns e associações profissionais.


6     06)   INTEGRAÇÃO COM AS POLÍTICAS DE ASSISTÊNCIA DIRETA AOS CIDADÃOS. 

       Apoiar a implementação da lei federal de assistência técnica em habitação de interesse social para populações de baixa renda e ampliar sua abrangência, de modo que o atendimento em arquitetura e urbanismo para a população por profissionais ligados a ONGs, escritórios privados, laboratórios de universidades ou de programas residência profissional ocorra na ponta da política pública e não apenas em órgãos centrais. Essa prática histórica nas áreas das Defensorias Públicas. Pleitear que os programas e recursos públicos devam ser utilizados para que o arquiteto faça atendimento nas favelas e assentamentos precários das nossas cidades com equipes multiprofissionais (fazendo parte do Programa Saúde da Família, nas Diretorias de Ensino ou da Defensoria Pública, por exemplo), apoiando as demandas por melhorias nas moradias autoconstruídas, situações de risco, regularização fundiária, requalificação de praças, escolas e equipamentos públicos.


7   07)ENVOLVIMENTO NA MELHORIA DA CADEIA PRODUTIVA DA CONSTRUÇÃO CIVIL. 

E    Entender a nossa profissão como integrante do maior setor da economia brasileira, a cadeia produtiva da construção, envolvendo bilhões de reais e milhões de trabalhadores, de modo a posicionar-se publicamente a respeito das condições de trabalho e sustentabilidade ambiental em todas as suas fases e etapas em que direta e indiretamente há responsabilidade profissional do arquiteto e urbanista, do escritório ao canteiro, primando pela defesa da segurança, saúde, direitos e saberes de todos os trabalhadores da construção, avaliando o impacto social, ambiental e urbano da extração e produção de matérias primas e gestão de resíduos, execução de obras e operação de infraestruturas e edificações, com respeito aos insumos e culturas construtivas regionais. Defender o fortalecimento e ampliação de cooperativas autogestionárias de trabalho na construção civil e de fábricas públicas de componentes e edificações, com o CTRS e CEDEC. Como autarquia federal, o CAU pode colaborar com os Sindicatos, Associações de trabalhadores, Ministério do Trabalho, Polícia Ambiental e demais órgãos públicos na regulação, fiscalização controle da cadeia produtiva da construção.  

8     08)  REVISÃO DA LEI DE LICITAÇÕES E DEFESA DAS MODALIDADES TÉCNICAS DE CONTRATAÇÃO DE PROJETOS.


     Estimular órgãos públicos a realizarem licitação de projetos preferencialmente nas modalidades de concurso público e concorrências que privilegiem a avaliação e pontuação técnicas. Defender a contratação de Projetos Executivos Completos, contra a realização de obras a partir de Projetos Básicos, o que em geral resulta em aditivos de preço e de prazo, desequilíbrios de contratos, más soluções executivas em obra e baixa qualidade de atendimento das demandas originais da administração pública. Apoiar a troca de informações entre órgãos para a produção e qualificação de editais e termos de referência, patrocinando concursos e demais ações que melhor caracterizem a encomenda pública – em oposição à licitação de projetos por menor preço, pregão ou ainda na modalidade integrada (permitida pelo Regime Diferenciado de Contratação – RDC), na qual as próprias construtoras realizam os projetos. Defender a separação dos recursos para obra e para projetos nos processos de contratação de obras públicas de habitação, equipamentos e infraestrutura.


9    09) REMUNERAÇÃO PROFISSIONAL E DEFESA DA TABELA PÚBLICA DE HONORÁRIOS. 


     Defender em todas as instâncias o uso da tabela de honorários profissionais do CAU como índice público de avaliação de custos de projetos. Realizar divulgação junto a órgãos públicos e controladores da metodologia da tabela de honorários, aprimorando sua aplicação e criando instrumentos digitais para sua aplicação confiável e descomplicada. Combater a ideia de que a remuneração de projeto deva ser uma porcentagem do valor da obra, uma vez que o profissional contratado deve justamente zelar para que a obra seja a mais econômica e eficiente. Combater as práticas da “reserva técnica” junto a fornecedores, que criam uma cultura do privilégio e desmerecem as decisões de projeto e de obra baseadas em critérios técnicos.


1    10) ESTIMULAR A ATUAÇÃO  DOS ESCRITÓRIOS NA REALIZAÇÃO DE PROJETOS PÚBLICOS COMPLEXOS. 


     Atuar para fortalecer os escritórios brasileiros de arquitetura e urbanismo para atendimento de demandas complexas do estado brasileiro, que articulam muitas variáveis, hoje crescentemente sendo entregues para escritórios estrangeiros sem registro no país. Para tanto, criar um programa junto, com órgãos e associações pertinentes para fortalecimento institucional, profissionalização de gestão, competitividade em licitações, informatização de última geração, atualização profissional e ampliação de capacidade técnica e criativa de escritórios de arquitetura e urbanismo. Resgatar, a capacidade de responder com qualidade às grandes encomendas do Estado.


1  11) VALORIZAR E FORTALECER PROFISSIONAIS AUTÔNOMOS, ESCRITÓRIOS, ASSESSORIAS TÉCNICAS E COOPERATIVAS.



       A democratização do acesso à profissão depende de uma rede ampla e articulada de profissionais autônomos e escritórios, sejam eles privados, organizações não governamentais ou cooperativas. Cabe ao CAU/SP, em parceria com universidades, incubadoras de cooperativas e empresas, bancos estatais e secretarias e órgãos públicos,  dar apoio e suporte técnico, administrativo e jurídico para o fortalecimento dos escritórios e profissionais autônomos de atendimento a clientes individuais ou coletivos, nos seus diversos campos de atuação. O fortalecimento da capacidade de atuação de milhares de profissionais é aspecto fundamental para o reconhecimento da nossa profissão em larga escala, de modo a retomar nossa autoestima, função social e capacidade empreendedora, e fazer frente às inserções subalternas na própria produção da arquitetura (submetidas às decisões de construtoras, incorporadoras, do marketing imobiliário, de ingerências políticas de caráter eleitoreiro ou ainda precarizadas na condição de cadistas ou balconistas chiques em lojas de material

1 12) APROVAÇÕES E LICENCIAMENTOS DESCOMPLICADOS E PRESENÇA NOS ÓRGÃOS CONTROLADORES. 
    Como autarquia pública, defender a desburocratização e transparência de aprovações de projeto, licenciamentos e fiscalizações de órgãos públicos competentes, prevendo o aperfeiçoamento da gestão pública, informações e regras confiáveis, ampliando o controle público e reduzindo a margem para atos de corrupção neste setor. Defender a ampliação do número de arquitetos nos órgãos de fiscalização e controle, do fiscal de rua aos tribunais de contas e ministério público.


1     13) COOPERAR PARA A QUALIFICAÇÃO E FORMAÇÃO CONTINUA DO PROFISSIONAL. 


      Atuar em conjunto com o CAU/BR, Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação, ABEA e demais órgãos públicos e representações na qualificação da formação do arquiteto e urbanista, no estabelecimento de conteúdos mínimos e na acreditação de currículos e cursos de graduação, pós-graduação e especialização, destacando bons cursos para reconhecimento público, fortalecendo a internacionalização e validação de diplomas, programas de estágio e residência profissional, atualizando parâmetros de ensino, favorecendo o aprendizado crítico, humanista (social, público e coletivo) e tecnicamente competente. Fortalecer a integração entre escolas de arquitetura e a formação profissional em equipes multidisciplinares para projetos de interesse público, seja dentro do funcionalismo público ou integrando escritórios bem preparados para atender as diversas encomendas do estado e demandas sociais. Que o CAU possa atuar conjuntamente com a fiscalização e avaliação de cursos; que a abertura de novos cursos de arquitetura e urbanismo passem por análise junto ao CAU; que as atividades complementares e estágio profissional supervisionado contabilizem além das 3.600 horas mínimas do curso e não sejam incorporadas nestas; que o canteiro de obra experimental seja uma atividade efetiva e comprovada; que seja obrigatória a existência de escritórios-modelo, com CNPJ próprio e com professor arquiteto e urbanista responsável com RRT, para exercer ações das atividades de assistência técnica conforme Lei Federal n. 11.888 e outras que por ventura possam surgir; com o CAU/SP Universitário estimular a relação dos estudantes com a vida profissional e seu futuro Conselho profissional.

1    14) INTERCÂMBIO E ARTICULAÇÃO ENTRE ENTIDADES DE CLASSE. 

   Colaborar com o intercâmbio, fortalecimento e articulação das diversas entidades e representações profissionais de arquitetos e urbanistas, em escala municipal, estadual, federal e mesmo internacional, com frequência periódica. Apoiar a realização de debates, fóruns, conferências e revistas da área, incluindo a  Móbile, a Revista do CAU/SP e boletins eletrônicos, importantes veículos de comunicação e construção de agenda programática dos arquitetos e urbanistas do estado, criar grupos de trabalho temáticos, ampliando a participação dos profissionais e discutindo grandes temas da arquitetura e do urbanismo. Dialogar e procurar ações conjuntas com conselhos profissionais e entidades afins nas áreas de engenharia, geografia, design entre outras agremiações que atuam conjuntamente na produção de edificações, cidades e planejamento territorial.
1    15) PRESENÇA NO ESTADO COM EQUILÍBRIO E CAPILARIDADE. 

       Fortalecer a presença do CAU em todo o Estado de São Paulo, com sedes em seus polos regionais, zelando pelo equilíbrio entre interior e capital, ampliando a capilaridade de representação, orientação e fiscalização do Conselho, seus espaços de diálogo presencial, debates e atendimento aos profissionais.


1 16)INFORMAÇÃO ATUALIZADA SOBRE A PROFISSÃO E O PROFISSIONAL. 

      Manter atualizado, com avaliação crítica e divulgação permanente os dados do Censo do CAU sobre o perfil dos profissionais de arquitetura e urbanismo, para conhecimento da nossa identidade, das suas escolas de formação, das áreas de atuação, da geografia de recolhimento de responsabilidade técnica (RRTs), idade e gênero dos profissionais, de modo a compreendermos quais as características definidoras do perfil e modo de atuação da nossa profissão, para melhor compreendê-la e orientá-la.



Chapa CAU PARA TODOS-SP