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sexta-feira, 31 de maio de 2013

TEATRO DE ARENA ELIS REGINA, ESPAÇO PÚBLICO PARA CULTURA POPULAR.

  
    No ano  2000 assumi a diretoria de urbanismo da prefeitura de Americana e na condição de arquiteto e urbanista elaboramos planos diretores e vários  projetos, escolas, creches, postos de saúde, equipamentos esportivos e mobiliário urbano, enfim um bom escritório público de arquitetura , a Unidade de Desenvolvimento Urbano e Físico- UDFU criou uma cultura de projeto no município e região.

   Entre eles um em especial, o antigo teatro de arena que encontrava-se desativado e abandonado por falta de uma política de cultura popular. 

   Originalmente idealizado pelo educador Wilson Camargo para ser um teatro circo, foi construído sob a responsabilidade do Eng. João D'Amaro e inaugurado em 1981, depois de anos de atividades culturais , foi esquecido  por preconceito quanto a sua concepção.





     Coube ao prefeito Waldemar Tebaldi reativar o espaço e as ideias originais e ao corpo de arquitetos e engenheiros da prefeitura realizar o novo projeto e sua construção e a mim coordenar a equipe e apresentar ao prefeito o projeto final.








     


 Numa área de 10.128,00 m² foi erguida uma estrutura em arco de 43,00 m que recebeu a lona de 1.800,00 m² , com área de projeção de 1.488,30 m² , confeccionada pela empresa tensobras/ Tensotech  Arquitetura Têxtil, nada mais apropriada para a cidade símbolo da industria têxtil sintética do Brasil e maior pólo do setor na América Latina.Sediada em Salvador foi enviado o arquiteto Cândido Denadai para discutir detalhes do projeto e a viabilidade de sua execução.





   


  A estrutura e demais obras foram realizadas pela Obrafort Engenharia e Construções e o calculo estrutural coube a Prisma Engenharia, ambas de Americana.  

   Toda a área foi cercada por estrutura metálica no sentido de expandir a área de atividades do teatro, incluindo uma extensão  do palco interno para a área externa , ganhando alternativa de realização de eventos ao ar livre e com um maior número de espectadores, além dos 1.100 acentos internos, incluindo um  estacionamento e caracterizando o novo espaço como multi-uso. Um pequeno Anhembi.





   


No dia da inauguração em julho de 2004, eu já tinha assumido a Secretaria de Planejamento e o prefeito em exercício,  Erich Hetzl , na fota a eterna primeira dama Luíza Mota Tebaldi, que sempre me apoiou .





     No mesmo ano ganhamos o Prêmio "Ex-Aequo" na categoria obra pública do IAB-SP em cerimonia no auditório do MASP  num juri presidido pelo meu amigo e mestre Joaquim Guedes e que garantiu a participação na Bienal de Arquitetura .




     

AFFONSO REIDY E DRUMMOND, ENCONTRO FANTÁSTICO

    A história brasileira é repleta de grandes encontros, sempre conflitantes  , exemplo que o  destino reservou para   Padre Cícero, Lampião e Luiz Carlos Prestes durante a jornada heroica da Coluna ,  amorosos... Tarcila do Amaral, Oswald de Andrade e Pagú ou intelectual Oscar Niemeyer e Joaquim Guedes, mas esse foi de uma pureza que somente Drummond e Reidy poderiam ser protagonistas, tristeza  que revela mais do que uma linda amizade,  o quanto arquitetura e poesia se confundem e se fundem . 


    “A morte de Affonso Eduardo Reidy desperta-me antes de tudo uma sensação de coisa errada, fora de norma e ritmo.
      Como se ele, cedendo à modéstia, houvesse furado a fila dos mais velhos, que estavam na sua frente, para chegar primeiro.
       Reidy era a distinção, a finura em pessoa, não podia passar à frente de outros.  Tinha um modo tão seu de trabalhar em discrição, como tantos outros trabalham em apoteose.
    Sua vida merecia ter sido longa e protegida dos males cruéis. E depois, apenas um cinqüentão, ele tinha ainda muito que fazer por causa do muito que já fizera.
     Nós, usuários dessa criação, estamos sempre exigindo mais. Nada pedimos aos omissos e aos estéreis, mas de um sutil manipulador de forma e espaço, como Reidy, quanta coisa se podia esperar ainda!”

Carlos Drummond de Andrade , em momento de tristeza pelo falecimento de REIDY.


Tudo isso aconteceu no dia 10 de agosto de 1964, ano do golpe militar no Brasil que matou e prendeu patriotas e  calou nossa cultura por 21 anos.