O texto elaborado por mim e o colega Éder Silva para o editorial da Móbile, a Revista do CAU/SP #2, enfrenta novos caminhos da arquitetura e do urbanismo de frente e por esses irão transitar onde o tradicional mercado editorial não frequenta , por estar preso ao seu alimento , o mercado.
A cidade vive uma realidade estabelecida fora dos parâmetros cartesianos do conhecimento, vivo como organismo ,somente vivenciando intensamente ruas e vielas de suas artérias sociais que a descobrimos, e assim conhecer nossa verdadeira vocação, o papel social dos arquitetos e urbanistas.A arte de viver num espaço transformador eterno e não hermético deve ser o ambiente de nosso veículo sócio-cultural.
Desconheço inovações tão livres como acontecem na Móbile, a Revista do CAU/SP , nem mesmo as realizadas por estudantes e universidades, ainda se contarmos que trata-se de uma publicação institucional e realizado por profissionais renomados. Sempre aberta às novas ideias de colegas, cheguei a ouvir da jornalista que "aprendeu com ela ( Móbile) tudo que poderia fazer o que a condicionaram a não fazer pela sua faculdade!", troca de logo a cada edição, mudanças na diagramação, ilustrações não sequenciais , fotos livres e previsões de também inovar nos materiais, os papeis , brilhos e formatos previstos para 2015.
Com conteúdo crítico sem medo de errar e com a obrigação de acertar somente com a incerteza do novo, mesmo que pese o enfrentamento que uma publicação dessa sucinta, tenho certeza da vida longo dos dois primeiros números, que assim seja.
A Móbile, a Revista do CAU/SP é o sopro de criatividade e o respiro da arquitetura e urbanismo atuais. Aeróbica do pensar contra a musculatura rígida do conservadorismo.
A Móbile, a Revista do CAU/SP é o sopro de criatividade e o respiro da arquitetura e urbanismo atuais. Aeróbica do pensar contra a musculatura rígida do conservadorismo.
Arq. e Urb. Victor Chinaglia- Coordenador da Móbile
No Brasil do processo veloz e violento da urbanização iniciada no século XX, a arquitetura ganha definitivamente nova escala com as mudanças nos cenários das cidades com suas obras e novos atores sociais.
As
necessidades de consumo para aquecer as máquinas das fábricas pelo número
crescente de trabalhadores fazem nascer novas manifestações, adicionados pelos
avanços tecnológicos que transformaram o modo de operar a arquitetura e a arte;
a siderurgia, o concreto, a química, o carro, o avião, cinema, fotografia e
televisão, afinal há luz nas cidades e nas artes.
O
planejamento e a gestão estão nos debates cotidianos: parques, avenidas, trens,
metrôs, escolas, hospitais, aeroportos, moradias populares e infraestrutura. O
desenho urbano torna-se um traço permanente na arquitetura e urbanismo.
A terceira
geração desses trabalhadores urbanos, na mudança dos séculos XX para XXI,
produz a arte que sai do ambiente interno da arquitetura e ganha as ruas, tendo
a própria cidade como suporte artístico que sintetiza suas vidas ao ritmo da
opressão e resistência. A periferia da produção arquitetônica e artística
torna-se visível com seus grafites, músicas e costumes nascentes dos conjuntos
habitacionais e favelas.
Novas
tecnologias, a facilidade de comunicação advinda da cibernética e dos satélites
modificam novamente a escala e a velocidade humana em todos os sentidos ao
entrar no século XXI. O celular vira um mundo, as artes ganham as massas e as
imagens, as alturas.
Pode-se ver
por meio de lentes nosso planeta e suas frenéticas cidades jamais imaginadas
aos olhos humanos, do espaço. O fotógrafo paulista Cássio Vasconcelos reflete
esse novo olhar em seus trabalhos. As cidades são imagens surpreendentes, imediatas
e vivas, nada escapa às novas lentes e,
dependendo da objetiva, é a própria obra.
A arte
convive simbioticamente com a arquitetura e o urbano a ponto de, em alguns
momentos, não distinguirmos quem é o suporte: a arquitetura, o urbanismo ou a
própria arte.
Exemplos
disso são os trabalhos de Alexandre Orion, Kobra, Eduardo Srur e tantos outros
reconhecidos pelas mídias e milhares que ainda continuam escondidos atrás de
suas próprias intenções.
A Móbile, a
Revista do CAU/SP, nasceu nesse contexto para inovar as artes gráficas e trazer
o debate da arquitetura e urbanismo para as novas escalas das cidades e da
sociedade, longe do formalismo conveniente e preguiçoso. E cada texto, foto ou
desenho em nossas folhas movimenta-se com a intensidade inovadora e criativa
que nossa profissão exige.
Não haverá
rigidez para nenhuma letra, texto, foto, desenho ou qualquer manifestação em
nossas folhas e sítios eletrônicos. Influenciaremos na liberdade de criação com
mais liberdade!
Optamos pela
eternidade do movimento envolvente nos móbiles e comemoraremos as novas
escalas, suportes artísticos e ideias sem dogmas.






