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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A Móbile, a Revista do CAU/SP sopro de criatividade e o respiro da arquitetura e urbanismo atuais.


    O texto elaborado por mim e o colega Éder Silva para o editorial da  Móbile, a Revista do CAU/SP #2, enfrenta novos caminhos da arquitetura e do urbanismo de frente e por esses irão transitar onde o  tradicional mercado editorial não frequenta , por estar preso ao seu alimento , o mercado.
   A cidade vive uma realidade estabelecida fora dos parâmetros cartesianos do conhecimento, vivo como organismo ,somente vivenciando intensamente  ruas e vielas de suas  artérias sociais que a descobrimos, e assim conhecer nossa verdadeira vocação, o  papel social dos arquitetos e urbanistas.A arte de viver num espaço  transformador eterno e não hermético  deve ser o ambiente de nosso veículo sócio-cultural.
      Desconheço inovações tão livres como acontecem na  Móbile, a Revista do CAU/SP , nem mesmo as realizadas por estudantes e universidades, ainda se contarmos que trata-se de uma publicação institucional e realizado por profissionais renomados. Sempre aberta às novas ideias de  colegas, cheguei a ouvir da jornalista que   "aprendeu com ela ( Móbile) tudo que poderia fazer o que a condicionaram a não  fazer   pela sua faculdade!", troca de logo a cada edição, mudanças na diagramação, ilustrações não sequenciais , fotos livres e previsões de também inovar nos materiais, os papeis ,  brilhos  e formatos previstos para  2015. 
     Com conteúdo  crítico sem medo de errar e com a obrigação de acertar somente com a incerteza do novo, mesmo que pese  o  enfrentamento que uma publicação dessa  sucinta, tenho certeza da vida longo dos dois primeiros números,  que assim seja. 
   A Móbile, a Revista do CAU/SP é o sopro de criatividade  e o respiro  da arquitetura e urbanismo atuais. Aeróbica   do pensar contra  a musculatura rígida do conservadorismo.

Arq. e Urb. Victor Chinaglia- Coordenador da Móbile 





   No Brasil do processo veloz e violento da urbanização iniciada no século XX, a arquitetura ganha definitivamente nova escala com as mudanças nos cenários das cidades com suas obras e novos atores sociais.

   As necessidades de consumo para aquecer as máquinas das fábricas pelo número crescente de trabalhadores fazem nascer novas manifestações, adicionados pelos avanços tecnológicos que transformaram o modo de operar a arquitetura e a arte; a siderurgia, o concreto, a química, o carro, o avião, cinema, fotografia e televisão, afinal há luz nas cidades e nas artes.


  O planejamento e a gestão estão nos debates cotidianos: parques, avenidas, trens, metrôs, escolas, hospitais, aeroportos, moradias populares e infraestrutura. O desenho urbano torna-se um traço permanente na arquitetura e urbanismo.

  A terceira geração desses trabalhadores urbanos, na mudança dos séculos XX para XXI, produz a arte que sai do ambiente interno da arquitetura e ganha as ruas, tendo a própria cidade como suporte artístico que sintetiza suas vidas ao ritmo da opressão e resistência. A periferia da produção arquitetônica e artística torna-se visível com seus grafites, músicas e costumes nascentes dos conjuntos habitacionais e favelas.

   Novas tecnologias, a facilidade de comunicação advinda da cibernética e dos satélites modificam novamente a escala e a velocidade humana em todos os sentidos ao entrar no século XXI. O celular vira um mundo, as artes ganham as massas e as imagens, as alturas.


   Pode-se ver por meio de lentes nosso planeta e suas frenéticas cidades jamais imaginadas aos olhos humanos, do espaço. O fotógrafo paulista Cássio Vasconcelos reflete esse novo olhar em seus trabalhos. As cidades são imagens surpreendentes, imediatas e vivas, nada escapa às  novas lentes e, dependendo da objetiva, é a própria obra.

   A arte convive simbioticamente com a arquitetura e o urbano a ponto de, em alguns momentos, não distinguirmos quem é o suporte: a arquitetura, o urbanismo ou a própria arte.


   Exemplos disso são os trabalhos de Alexandre Orion, Kobra, Eduardo Srur e tantos outros reconhecidos pelas mídias e milhares que ainda continuam escondidos atrás de suas próprias intenções.


  A Móbile, a Revista do CAU/SP, nasceu nesse contexto para inovar as artes gráficas e trazer o debate da arquitetura e urbanismo para as novas escalas das cidades e da sociedade, longe do formalismo conveniente e preguiçoso. E cada texto, foto ou desenho em nossas folhas movimenta-se com a intensidade inovadora e criativa que nossa profissão exige.

  Não haverá rigidez para nenhuma letra, texto, foto, desenho ou qualquer manifestação em nossas folhas e sítios eletrônicos. Influenciaremos na liberdade de criação com mais liberdade!



  Optamos pela eternidade do movimento envolvente nos móbiles e comemoraremos as novas escalas, suportes artísticos e ideias sem dogmas.