Álvaro
Cecchino, o homenageado .
Ser socialista é ser o homem do séc. XXI
Salvador Allende
Álvaro Cecchino entra
em contato com o Partido Comunista em 1934 durante sua gestão como diretor e
fundador do Sindicato dos Bancários do Brasil ,com sua sede na capital federal
e ele atuando em São Paulo.
Combativo, agentes infiltrados tentavam difama-lo ao ponto de
conseguir sua expulsão do PCB, em vão segue o relato encontrado por mim no
Arquivo do Estado de São Paulo:
“ A
directoria começa por encobrir o que se passou, aos seus associados, por ser
Cecchino muito sympathizado à classe e no momento, julgam que seria uma
catástrofe relatar o acontecimento. Na noite em que estive na ALN notei que não
se conformaram com a notícia do facto acima citado....Hoje( dia 10) estive
almoçando com Cecchino e notei que não é o mesmo enthusiasta de outrora- São
Paulo 31/07/1935”.
Equívoco dos verdugos e provavelmente Álvaro tenha sido o
único americanense a participar da Aliança Nacional Libertadora- ANL, frente
antifascista e protagonista da insurreição armada de 1935.
Ação não concretizada, ele assume o cargo de chefe de secção do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários de 1935 à 1938, quando pede demissão e decide retornar à Americana. Trabalha como comerciário e após alguns anos participa da fundação da CITRA- Cooperativa Industrial de Trabalhadores e que pregava a distribuição de lucros aos associados e ausência da figura do patrão.
Ação não concretizada, ele assume o cargo de chefe de secção do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários de 1935 à 1938, quando pede demissão e decide retornar à Americana. Trabalha como comerciário e após alguns anos participa da fundação da CITRA- Cooperativa Industrial de Trabalhadores e que pregava a distribuição de lucros aos associados e ausência da figura do patrão.
Funda a tecelagem DISTRAL, descrita novamente por agentes do
governo como “foco
de criação de autênticos líderes comunistas, como exemplo Paulo Morões ,
Alcides Dias Freitas, Romeu Sturari, Antonio Leão e Miguel Domingos da Costa” ,
segundo relato do DOPS em 1958.
O PCB conquista a legalidade em 03 de setembro de 1945,
Cecchino além de ser seu secretário político, oferece um imóvel para ser a sede
da legenda, que assim ganha novos filiados e encabeça uma série de movimentos
reivindicatórios na cidade.
A cassação do PCB, apenas 20 meses depois, em 07 de maio de
1947, fez que a recente e já antiga sede fosse alugada pelo governo do Estado
de São Paulo, cujo governador Adhemar de
Barros envia um patético telegrama entregue pelo delegado da cidade Joaquim Pupo ao Cecchino , em agradecimento ao gesto
patriótico em aluga-lo ao Tiro de Guerra.
Visita a URSS em 1953, ao retornar promove palestras e
debates com exibições cinematográficas, muitas vezes realizadas na rua de sua
casa.
Deixa a secretaria politica do PCB em 1958 para seu camarada
Romeu Sturari e assume a secretaria de agitação e propaganda, chegando a
financiar publicações do partido e na mídia privada em
defesa do socialismo.
Sua capacidade de dirigir o capital e promover a organização
do proletário, aumenta seu prestígio no PCB, ao ponto de hospedar Luiz Carlos
Prestes em sua chácara em 1963, véspera do golpe militar.
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| Álvaro Cecchino com Prestes em Americana. |
Preso em 1964 é solto, mas sem antes tentarem humilha-lo
levantando as difamações de 30 anos atrás e o chamando de velho e doente para
ser um perigo à nova ordem. Vale lembrar que a idade média de um camponês
nordestino na época era de 45 anos.
Faleceu em 1966, fiel à suas ideias e ao Partido.
Álvaro Cecchino representa o ser humano além de seu tempo, síntese
do empreendedorismo proletário, forja da capacidade do povo em transformar uma
vila em referência urbana, política e da indústria nacional ao mundo.
A Escultura.
O projeto do paço municipal de americana apresentava uma grande praça onde os prédios da prefeitura era ladeado pela Câmara de Vereadores e um teatro, ao entrar ao prédio central teríamos um grande painel representando os trabalhadores.
Ideia principal seria convidar o artista Elifas Andreato para sua criação.
A grande praça ficaria limpa e livre.
O grande prefeito Dr. Tebaldi, o grande mentor do projeto elege seu substituto Erich Hetzl Jr. que me indica como interlocutor com o Dr. Oscar Niemeyer decorrente de minha amizade e vínculos ideológicos com o mestre.
A mim foi dada a missão de solicitar ao Oscar Niemeyer um "novo projeto" em um novo terreno, o da União Operária.
Ciente da importância política e os vínculos com o Dr. Tebaldi, aceitou em adequar o antigo projeto ao novo terreno, criação no qual participei ativamente.
Foi quando apresentei a proposta de homenagear Álvaro Cecchino com um projeto de monumento que o representa-se na altura de sua dimensão histórica, política e social.
Seria composta de aço na forma que representasse a união de esforços dos trabalhadores rumo ao futuro, firme , participativo na escala humana e servisse como um relógio de sol e marco de nosso desenvolvimento, mostrando o tempo e o norte de nosso desenvolvimento através das sombras compostas pela peça. Fiel ao lema de nosso escudo," Ex-labore dulcedo ", do trabalho nasce o prazer.
Contávamos para tanto com a expertise dos profissionais de nosso observatório municipal, vontade das entidades sindicais , patronais e a doação do novo terreno pela União Operária e claro o a poio do autor do projeto, o mestre Oscar Niemeyer.
Fiz questão de apresentar o projeto a ele, e firme como sempre achou mais que justa.
O tempo passou, houve a alternância de poder e como Lênin escreveu "Um passo à frente e dois par'atrás " enquanto uns destroem o sonho.....
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| A maquete original do Paço, hoje destruída. |
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| Fazendo a maquete do monumento |
Nós a reconstruímos em maquete, ....na certeza de sua construção na forja
e luz, na leveza da utopia e a dureza da luta!!
e luz, na leveza da utopia e a dureza da luta!!


























