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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A verdade sobre o movimento dos arquitetos-urbanistas e engenheiros da PMSP

A verdade sobre o movimento dos arquitetos-urbanistas e engenheiros da PMSP


   
Arquitetos-urbanistas e engenheiros públicos da Prefeitura Municipal de São Paulo entrarão em 2016 dentro da campanha salarial de 2014, tornando-se a mais longa  da principal empregadora de nossos profissionais do Brasil.

Realmente ganha  dimensão quando analisamos que a luta salarial adquiriu conscientização em defesa das carreiras públicas e principalmente da importância da arquitetura-urbanismo e engenharia em defesa do patrimônio do Estado brasileiro e da qualidade dos serviços prestados à população.

Ser neoliberal e defender o Estado Mínimo tornaram-se verdades absolutas e qualquer empecilho, em inimigos da modernidade e do mundo globalizado, dogma de todas as gestões da Prefeitura Municipal de São Paulo- PMSP a partir de 1993, em maior ou menor grau.

Pensamento dominante que motivou em 1998 aniquilar a carreira exclusiva de arquitetos e engenheiros transformando-se em Profissionais do Desenvolvimento Urbano- QPDU e em 2007 em Especialistas em Desenvolvimento Urbano-EDU, tudo com claro objetivo de retirar os habilitados dos cargos de chefias, enfraquecer politicamente a categoria e infringir grandes perdas a cada migração.



Somando-se com a LM 13 303/2002, legradura mais rígida que a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece não superar 35% do orçamento municipal para pagamento da folha de pagamento aos servidores, construiu uma falsa justificativa de austeridade onde hoje  somamos 13 anos de 0,01% de aumento para a categoria.

Em 19 de junho de 2013 o Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo realizou Assembleia (1) para eleger os Delegados da categoria nas negociações a pedida dos trabalhadores e dando início a campanha salarial de 2014.



  Abril de 2014 as três entidades representativas da categoria, Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo-SASP, Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos Municipais- SEAM e Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo-SEESP em seu auditório, realizaram Assembleia (2) para debater o PL 312/2014 no qual a categoria rechaçou com votação unânime com a participação de 400 colegas, aprovou a pauta de reivindicação assim definida:

1-Remuneração salarial por vencimentos,

2- Piso Salarial de 8,5 S.M. Lei 4950/66,

3-Carreira exclusiva com migração por tempo efetivo de exercício,

4- Paridade, integralidade e temporalidade entre servidores ativos e aposentados.

A inclusão das atribuições da Lei Federal 12 378/10 que estabeleceu o Conselho de Arquitetos – Urbanistas e  principalmente entramos em Estado de Greve.

    Diante da insistência da atual administração em aprovar o PL e depois de muita negociação realizamos Assembleia (3) dentro da Galeria Prestes Maia no dia 27 de maio e apresentamos nossas intenções constitucionais ao governo, a greve foi efetivada no dia 30 de maio após nova Assembleia (4) realizada no auditório do SEESP numa paralização de 17 dias.


    Fomos às ruas, manifestações em frente a PMSP e a Av. Paulista e travamos uma batalha dentro da Câmara Municipal com direito em virarmos de costas para a Secretária de Gestão e Planejamento durante audiência, gesto de desagravo em não atender nenhuma de nossas reivindicações. Nesse período realizamos Assembleias (5) (6) nos dias 04 e 11 de junho para decidirmos todos os rumos do movimento.

   O governo chamávamos de oportunistas em fazermos a greve durante a Copa do Mundo, injusto, pois todos os projetos e liberações de privatizações de espaços públicos foram realizados por exceções constitucionais  durante nosso calendário de negociações que já se arrastava .  

   Tivemos apoio de vários vereadores inclusive do Presidente da Câmara Municipal (PT) que declarou apoio ao movimento em reunião no auditório da SEAM com críticas profundas à secretaria de gestão e planejamento que acarretou em sua demissão.

   Nova Assembleia (7) em 26 de junho de 2014 no próprio auditório do SEESP foi decidido aprofundar  a luta no campo político na Câmara Municipal decorrente do forte apoio de vereadores que acarretou na retirada ,por parte da prefeitura, das carreiras de arquitetos e engenheiros do PL, aguardando a retomada das negociações após a posse do  novo secretário. Aprovamos a nova tabela de remuneração e protocolamos na Câmara Municipal a pedido de seu Presidente e aliado do Prefeito. O grau de otimismo aumentava.


   As negociações foram reabertas no início de 2015 com três meses de cansativas reuniões com os novos quadros da secretaria sem nunca contar com a presença do secretário e muito menos conseguirmos  qualquer audiência com o Prefeito Municipal.

    Realizamos outra Assembleia (8) em 18 de março no Sindicato dos Jornalistas para decidirmos os rumos do movimento. Novamente a categoria por unanimidade aprovou a pauta de reivindicação.

   O secretário recebeu as três entidades somente em 31 de março de 2015 para informar que encerraram-se as negociações e que enviariam um novo PL sem maiores explicações e nada de forma oficiosa. Sem justificativa!

     Afinal 31 de março afinal nunca foi uma boa data para os trabalhadores.

   A  Assembleia (9) no auditório do SEESP no mesmo dia , 31 de março, para informar a categoria, a decisão foi manter -se  firmes com nossa pauta no aguardo de  qual seria a proposta patronal.

   O governo ao invés de reabrir as negociações endurecia sua posição.

   Protocolaram no dia 19 de junho o PL 305/2015, apenas acatando o piso da categoria e a carreira exclusiva, mas deixando para os profissionais do meio da carreira ao final perdas na migração de rendimentos e tempo de serviço,  aos aposentados nada de reajuste, tirariam ainda a sexta parte, o quinquênio e a G.D.A  LM 14600/2007, conquista histórica da categoria e o colete salva vidas contra as más gestões no quesito salário profissional.

    Jogando na divisão da categoria uma vez que os mais novos receberiam  aumento considerável de 130%, alegavam ainda , que os mais antigos tinham privilégios salariais e  caberia o desgaste pela longa batalha às entidades, na tentativa de deixar a pecha de intransigentes .Nada novo e tudo dentro da estratégia dos  patrões convencionais.

     Realizamos nova Assembleia (10) no mesmo dia da protocolado, 19 de junho de 2015 no auditório do CREA-SP.

    Novamente por amplíssima maioria aprovamos recusar a proposta patronal, aumentar a presença na Câmara Municipal e na grande imprensa para informar nossa situação à população.



    Dois meses depois  em  19 de agosto foi realizada Audiência Pública na Câmara Municipal pela Comissão de Constituição e Justiça- CCJ.

    Com a participação maciça de 600 colegas que encheram o plenário e os corredores, numa brilhante demonstração de organização e conscientização da categoria e seu papel na arquitetura-urbanismo e engenharia pública para o Brasil ,  após discursos das principais lideranças   os colegas terminaram  aos gritos  em uma só voz de NÃO AO SUBSÍDIO!!  



    Diante de eminente vitória da categoria em que 48 dos 55 vereadores apoiavam nossas propostas de emendas ao projeto e numa afronta aos profissionais e ao próprio legislativo, o governo retirou o PL.

    A partir dessa data toda terça feira ao meio dia SASP e SEAM promoveram as já famosas Reuniões Permanentes com arquitetos-urbanista e engenheiros da PMSP.


   Novamente derrotado o governo resolveu ampliar sua estratégia agora desqualificando as principais lideranças do movimento com contrainformações que os mesmos estariam  partidarizando  a  campanha salarial com a aproximação da eleição municipal , promoveram  o racha na base valorizando um pequeno mas ativo grupo de colegas que passaram a defender  o subsídio,  no qual  representavam  cerca  de 8% da categoria, confirmados ao assinarem o manifesto em defesa do PL do governo  e principalmente caracterizar as entidades como antidemocráticas por  não quererem ouvir as bases e realizar nova assembleia.

    O grupo dissidente agora autodenominado Grupo de Arquitetos e Engenheiros-GAE com apoio ostensivo do sindicato majoritário dos servidores municipais-SINDSEP e realizando reuniões com a presença constante do secretário de gestão e planejamento dentro da própria PMSP  em horários de serviço,  fizeram  pressões no SASP para realizar nova assembleia na tentativa de dividir o movimento , inclusive se reunindo na frente de nossa sede com orientação jurídica e política, aproveitaram  que a maioria da diretoria executiva estava no Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetos em Campo Grande- MS .

    O Golpe não surtiu efeito e o SASP acompanhou a decisão soberana da Assembleia legal realizada no dia 19/06/2015, uma vez que o governo retirou-se  das negociações e não apresentou nova proposta que  motivasse  sua realização. A diretoria da SEAM firmemente já tinha antecipado essa decisão.

    O governo  convocou  por e-mail no dia 01/12   através da Secretaria de Gestão e Planejamento  o SASP, SEAM, SEESP e além das entidades alienígenas à categoria,  o SINDSEP e o Sindicato dos Geógrafos,  para uma reunião no dia 02 para apresentarem o protocolo com um   novo PL. Só compareceram SASP e SEAM, nem o secretário da pasta foi , um verdadeiro Samba do Arnesto, um desrespeito à categoria.

    No clima da pressão o SEESP realizou uma Assembleia solo no dia 02 de dezembro, com infiltração de engenheiros municipais de outras categorias através do Sindicato majoritário - SINDSEP ligado ao governo, inclusive com o acinte de ter uma barraca em frente à sede do sindicato dos engenheiros para promover a agitação do grupo dissidente e organizar a ação de aprovar o PL oficial.

   A nova estratégia do governo começou a florescer à  luz do dia o uso da máquina sindical em  seu favor.

    Sem novidades se não fosse pelo fato que há poucos anos os mesmos cunhavam essa ação  de peleguismo! 

    O SASP notificou extrajudicialmente o SINDSEP por não representar a categoria e entrou com Medida Cautelar na Justiça por não respeitar a unicidade sindical. O Juiz oficiou a PMSP que confirmou que aceita o SINSEP como representante dos arquitetos-urbanistas assumindo sua nova estratégia. *O julgamento será no início de 2016.

     Diante da posição unificada do SASP-SEAM, o governo resolveu apresentar no dia 16 de dezembro o PL  713/2015 , para aumentar a pressão de uma nova Assembleia contando com o reforço de sua estratégia   e o efeito surpresa. Coletaram  na calada da noite do dia 01 , a assinatura  dos representantes do  SEESP,  SINDSEP e o Sindicato dos Geógrafo, deixando claro porque não houve a apresentação do protocolo na reunião  do dia 02/12. Esse era o recado que o Arnesto pelo menos poderia ter ponhado na porta!



      SASP e SEAM solicitaram nova audiência pública e em Reunião Extraordinária do dia 17/12 a categoria aprovou enfrentar a posição do governo, seus aliados sindicais e a minoria na própria base .



     Ocupamos a Câmara Municipal  para denunciar a manobra governista em apresentar cópia do PL 305/2015 sob nova numeração com a justificativa de incluir os geógrafos que então tinham optados pelo já velho PL 312/2014,no sentido de incluir mais um sindicato no imbróglio   e diluir o papel da aliança SASP-SEAM.



     Estratégia que não foi concretizada pela força demonstrada pela categoria que lotou e enfrentou os adversários de momento  com muita garra e sabedoria política disputando os plenários e salas de reuniões da Câmara Municipal até o último dia de trabalhos da casa, dia 23/12, inclusive com plantão ao  final semana .

                               O PL 713/2015 nasceu velho em todos os sentidos.

    Necessário avaliar que a decadência das carreiras públicas estão inversamente proporcionais  ao crescimento da influencia do setor privado no Estado, chegando ao ponto das grandes empreiteiras financiarem a reforma da Secretaria Especial de Licenciamento-SEL e pasmem, com  placa de inauguração do “novo espaço” com os nomes das beneméritas empresas na entrada  , uma verdadeira aula de patrimonialismo brasileiro, onde o público e o privado confundem-se sem linha tênue.



   Ao fundo esta o dogma neoliberal aqui já citado, e os arquitetos-urbanistas e engenheiros querem  aos poucos que virem  gigantes invisíveis, apesarem de estarem por traz do progresso tecnológico  e  desenvolvimento do país por muitos anos, não são valorizados e reconhecidos.

   Quanto ao Estado, o final dos escritórios de projetos públicos e suas substituições pelas gerenciadoras e terceirizadas, a relação promiscua com as empreiteiras que trabalham com baixa fiscalização não deixa dúvida do que acontece na cidade de São Paulo, a carreira como foram  propostas nos sucessivos  PLs ,  vão   fornecer  mão de obra qualificada a médio prazo para o mercado privado da construção civil e aos que  aposentarem  minguarão junto  com patrimônio intelectual  e técnico construído por mais de 120 anos .

    Trata-se de uma luta que serve de referência tanto para outras gestões mas também para os trabalhadores.

    Não à toa que colegas de diversas prefeituras  procuraram o SASP para suas campanhas salarias no espelho da capital e outras administrações com receios da eminencia da aprovação do S.M. profissional em São Paulo, já  começaram a  reduzir a carga horária para 4hs/ diária para fugir da Lei 4950/66.

   Afinal uso e ocupação do solo e planejamento urbano são de exclusividade dos municípios e terra urbana vale muito, muito num país em processo permanente de desindustrialização e de destruição de seu patrimônio tecnológico. 
 
    Quanto às criticas de falta de transparência e democracia das entidades deixo o relato das dez Assembleias e  dezenas de reuniões aqui descritas, mas superamos principalmente pelo sentimento de dever realizado em mobilizar a categoria na defesa de objetivos nobres e incomodar aos que acharam que seria um passeio baseado no desprezo pelo público e de seu  fator humano, o trabalhador e a população por ele atendida .

   Assim coletivamente ,  a maior  campanha salarial da categoria da principal empregadora do Brasil,  SERÁ   VITORIOSA PARA TODOS!!!

Arq-urb Victor Chinaglia

Diretor da Exec. SASP
Diretor Reg. Sudeste FNA
Cns. Titular CAU/SP