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sábado, 27 de dezembro de 2014

A Bauhaus de Moscou, Vkhutemas ,por Frank Svensson

















As Oficinas Superiores de Arte e Técnica, na Rússia, competiam com a Bauhaus. Mas ao contrário da escola alemã, a russa praticamente caiu no esquecimento, apesar de seus feitos arquitetônicos e artísticos.





Projeto da fachada da Vkhutemas para o 10° aniversário da revolução comunista



Um novo ser humano e uma nova forma de sociedade: a década de 1920 foi um período em que a arte deveria atender a tal exigência. Na Europa, sob a direção do arquiteto Walter Gropius, a Bauhaus estabelecia as bases de uma nova era para a arquitetura e o design.
Mas também na antiga União Soviética, intelectuais, artistas e arquitetos acreditavam nessa utopia com uma euforia pós-revolucionária. Tanto ali quanto na Alemanha surgiram as primeiras instituições de ensino que promoviam a vanguarda na arte e, principalmente, na arquitetura. Em 1919, surgia em Weimar a escola Bauhaus, e, um ano mais tarde, foram fundadas em Moscou as Oficinas Superiores de Arte e Técnica – as Vkhutemas.
As duas escolas são, muitas vezes, motivo de comparação. Frequentemente, as Vkhutemas são chamadas de "Bauhaus russa". E, de fato, as escolas russas têm semelhanças com a Bauhaus na Alemanha, principalmente na abordagem pedagógica e compreensão da arte.
Houve também uma cooperação: nos anos de 1927 e 1928, os estudantes realizaram intercâmbios de visitas e ideias. Na década seguinte, tanto a Bauhaus quanto as Vkhutemas fecharam.
Passados cerca de 80 anos, o espaço de exposição Martin Gropius Bau, em Berlim, apresenta a mostra Vkhutemas. Um laboratório russo do modernismo. No entanto, os curadores da mostra não quiseram colocar as duas escolas em pé de igualdade. Pois, além das semelhanças, há também inúmeras diferenças entre elas.

"Uma centena de Gropius"


Qualquer um, mesmo sem conhecimentos especiais anteriores, podia estudar nas Vkhutemas, que foram abertas por decreto do governo soviético. Isso também teve impacto sobre o número de alunos. Enquanto somente no primeiro ano, as Vkhutemas registraram 2 mil matrículas, na Bauhaus, estavam inscritos somente 150 alunos, distribuídos nas faculdades de Pintura, Escultura, Têxteis, Gravura, Cerâmica, Madeira e Metalurgia. A Bauhaus dava destaque ao design industrial, e, nas oficinas russas, o foco estava na arquitetura.






Estudantes da Vkhutemas executando tarefas práticas

Nas Vkhutemas, os estudantes podiam escolher o professor ou professora cujo curso queriam frequentar. Essa decisão não era fácil. Enquanto na Bauhaus, Walter Gropius era o diretor criativo no círculo de seus seguidores, na Vkhutemas, havia "uma centena de Gropius", explica Gereon Sievernich, diretor do Martin Gropius Bau. Estes incluem arquitetos como Alexey Shchusev, Nikolai Ladovsky e Konstantin Melnikov ou pintores como Kazimir Malevitch, El Lissitzky e Vassily Kandinsky, que, mais tarde, manteve o espírito das Vkhutemas ao ensinar na Bauhaus.



Alunos superam professores




Nas Vkhutemas, o ensino se baseava no chamado "princípio sintético", que previa uma proficiência tanto em atividades artísticas quanto artesanais. Os alunos começavam com composições abstratas, para aprender conceitos de espaço, forma e equilíbrio. Posteriormente, recebiam tarefas práticas, tendo que projetar bancas de jornal, caixas d'água e centros comunitários.


Projeto de Ivan Leonidov para o Instituto Lênin





Algumas vezes, os projetos estudantis apresentavam uma extravagância que ficaram tão conhecidos quanto os projetos de seus professores e professoras. Por exemplo, após a defesa do trabalho de conclusão de curso por Ivan Leonidov, que projetou o Instituto e Biblioteca Lênin em Moscou, os docentes se levantaram de seus assentos em sinal de respeito: o aluno superara seus mestres.






Vkhutemas: uma lição para o futuro?


Apesar do sucesso, a "centena de Gropius" não conseguiu encontrar uma linguagem comum. Cada novo reitor – no total foram três – mudava radicalmente a política da instituição de ensino: as estruturas, o corpo docente e os objetivos. Em 1930, as Vkhutemas foram dissolvidas na esteira de outra reforma da educação.






Habitação comunitária: projeto de Nikolai Ladovski



As oficinas foram fechadas e caíram no esquecimento durante décadas. A vanguarda soviética foi substituída pelo "realismo socialista". Apesar de seu importante papel para o desenvolvimento da arte e da arquitetura, na Rússia e em toda a Europa, as Vkhutemas, diferentemente da Bauhaus, não se tornaram conhecidas mundialmente.

* Para alguns historiadores da arte, isso ainda vai mudar: está por vir a época em que as conquistas das Vkhutemas receberão reconhecimento. De qualquer forma, até o dia 6 de abril de 2015, quem for ou estiver em Berlim poderá visitar a mostra, organizada em cooperação com o Museu Estatal de Arquitetura Shchusev, em Moscou.

Frank Svensson, professor da FAU-Unb edita o blog Arquitetura e Engajamento  franksvensson.blogspot.com

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A Móbile, a Revista do CAU/SP sopro de criatividade e o respiro da arquitetura e urbanismo atuais.


    O texto elaborado por mim e o colega Éder Silva para o editorial da  Móbile, a Revista do CAU/SP #2, enfrenta novos caminhos da arquitetura e do urbanismo de frente e por esses irão transitar onde o  tradicional mercado editorial não frequenta , por estar preso ao seu alimento , o mercado.
   A cidade vive uma realidade estabelecida fora dos parâmetros cartesianos do conhecimento, vivo como organismo ,somente vivenciando intensamente  ruas e vielas de suas  artérias sociais que a descobrimos, e assim conhecer nossa verdadeira vocação, o  papel social dos arquitetos e urbanistas.A arte de viver num espaço  transformador eterno e não hermético  deve ser o ambiente de nosso veículo sócio-cultural.
      Desconheço inovações tão livres como acontecem na  Móbile, a Revista do CAU/SP , nem mesmo as realizadas por estudantes e universidades, ainda se contarmos que trata-se de uma publicação institucional e realizado por profissionais renomados. Sempre aberta às novas ideias de  colegas, cheguei a ouvir da jornalista que   "aprendeu com ela ( Móbile) tudo que poderia fazer o que a condicionaram a não  fazer   pela sua faculdade!", troca de logo a cada edição, mudanças na diagramação, ilustrações não sequenciais , fotos livres e previsões de também inovar nos materiais, os papeis ,  brilhos  e formatos previstos para  2015. 
     Com conteúdo  crítico sem medo de errar e com a obrigação de acertar somente com a incerteza do novo, mesmo que pese  o  enfrentamento que uma publicação dessa  sucinta, tenho certeza da vida longo dos dois primeiros números,  que assim seja. 
   A Móbile, a Revista do CAU/SP é o sopro de criatividade  e o respiro  da arquitetura e urbanismo atuais. Aeróbica   do pensar contra  a musculatura rígida do conservadorismo.

Arq. e Urb. Victor Chinaglia- Coordenador da Móbile 





   No Brasil do processo veloz e violento da urbanização iniciada no século XX, a arquitetura ganha definitivamente nova escala com as mudanças nos cenários das cidades com suas obras e novos atores sociais.

   As necessidades de consumo para aquecer as máquinas das fábricas pelo número crescente de trabalhadores fazem nascer novas manifestações, adicionados pelos avanços tecnológicos que transformaram o modo de operar a arquitetura e a arte; a siderurgia, o concreto, a química, o carro, o avião, cinema, fotografia e televisão, afinal há luz nas cidades e nas artes.


  O planejamento e a gestão estão nos debates cotidianos: parques, avenidas, trens, metrôs, escolas, hospitais, aeroportos, moradias populares e infraestrutura. O desenho urbano torna-se um traço permanente na arquitetura e urbanismo.

  A terceira geração desses trabalhadores urbanos, na mudança dos séculos XX para XXI, produz a arte que sai do ambiente interno da arquitetura e ganha as ruas, tendo a própria cidade como suporte artístico que sintetiza suas vidas ao ritmo da opressão e resistência. A periferia da produção arquitetônica e artística torna-se visível com seus grafites, músicas e costumes nascentes dos conjuntos habitacionais e favelas.

   Novas tecnologias, a facilidade de comunicação advinda da cibernética e dos satélites modificam novamente a escala e a velocidade humana em todos os sentidos ao entrar no século XXI. O celular vira um mundo, as artes ganham as massas e as imagens, as alturas.


   Pode-se ver por meio de lentes nosso planeta e suas frenéticas cidades jamais imaginadas aos olhos humanos, do espaço. O fotógrafo paulista Cássio Vasconcelos reflete esse novo olhar em seus trabalhos. As cidades são imagens surpreendentes, imediatas e vivas, nada escapa às  novas lentes e, dependendo da objetiva, é a própria obra.

   A arte convive simbioticamente com a arquitetura e o urbano a ponto de, em alguns momentos, não distinguirmos quem é o suporte: a arquitetura, o urbanismo ou a própria arte.


   Exemplos disso são os trabalhos de Alexandre Orion, Kobra, Eduardo Srur e tantos outros reconhecidos pelas mídias e milhares que ainda continuam escondidos atrás de suas próprias intenções.


  A Móbile, a Revista do CAU/SP, nasceu nesse contexto para inovar as artes gráficas e trazer o debate da arquitetura e urbanismo para as novas escalas das cidades e da sociedade, longe do formalismo conveniente e preguiçoso. E cada texto, foto ou desenho em nossas folhas movimenta-se com a intensidade inovadora e criativa que nossa profissão exige.

  Não haverá rigidez para nenhuma letra, texto, foto, desenho ou qualquer manifestação em nossas folhas e sítios eletrônicos. Influenciaremos na liberdade de criação com mais liberdade!



  Optamos pela eternidade do movimento envolvente nos móbiles e comemoraremos as novas escalas, suportes artísticos e ideias sem dogmas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mercado, ensino e canteiro de obras foram temas do Programa Câmara Aberta











 Programa Câmara Aberta especializado em questões sindicais entrevista os arquitetos Victor Chinaglia, diretor jurídico do SASP, Maurílio Chiaretti presidente do SASP e Alexandre delijaicov arquiteto da prefeitura e da FAU-USP.

Mercado, ensino e canteiro de obras foram temas dessa matéria.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Eleições CAU 2014, a história continua

BAILE DA SAUDADE
, delírios de um tempo que pode voltar.




    Nós nobres arquitetos paulistas decidimos  realizar uma grande comemoração para relembrar os grandes eventos da ARQUITETURA PAULISTA, os casarões da Av. Paulista, o viaduto do Chá, o Martinelli e outros grandes projetos que engrandecem o povo paulista.
   

   Os convidados serão fieis representantes do nobiliarchia paulista formada na Universidade de São Paulo ou na Universidade Presbiteriana do Mackenzie. Afinal fora desses espaços do pensar não existe inteligência, apenas diplomas e em milhares para nosso terror.
  

  Anúncio publicado no  Estado de São Paulo no dia 9 de Julho, data da estrondosa victória dos paulistas contra os baderneiros autoritários  de Getúlio, que até hoje  obriga-nos   enfrenta-los  contra a legalidade  da maioria ignorante e  resistente de nossa insuportável superioridade moral e eleitoral.


 Assim foi descrito:


 Baile datado para 05 de novembro de 2014 , 1514 anos do nascimento de João Ramalho, dia que o grande Paulista e Presidente da República Prudente de Morais sofreu atentado e ileso graças a Divina Intervenção. Local Rua Bento Freitas, 1964 AI-4 Andar , contaremos com serviço de  manobristas na porta, pois somos diferenciados. Será obrigatória apresentação de convite nominal dos seletos  128 convidados.

    Abertura com Discursos do Presidente Supremo Imortal da AIB Dr. Plínio Salgado e do IAB Dr. José Pé. No Sácrito Panctus.

   Abertura cultural da grandiosa BIG BAND CAUDOWN e CORAL IABABACHIANAS que farão a série de concertos com a LÁGRIMAS SASPIANAS do AMOR N° em R$s. Para os mais jovens septuagenários matinée com DJ MMDC.

  O glorioso evento contará com a presença do Excelentíssimo Governador do Estado de São Paulo , rejeitado por São Pedro e reprovado por  Minerva, Magnifico Prefeito da USP , Vossa santidade o Bispo de São Paulo de Piratininga , a diretoria do MASP, do Clube de Cultura Artística de São Paulo, que sem eles não poderíamos demonstrar todo nosso potencial profissional.

  Galardões e homenagens aos engenheiros – arquitetos que contribuíram para nossa maior representação arquitetônica, o estilo Marajoara e o atual neoclássico. Os caixotes de concretos serão oconcur esse ano.
  
  Após evento  interno será organizado passeio motorizado organizado pelo Automóvel Club do Brasil pelos bairros Pacaembu e Higienópolis   e buzinasso contra as  forças progressistas   da turbe do interior  e   da periferia  favelada que contaminam o  CAU , nossa real cultura  e ARQUITETURA PAULISTA.

   O CAU deve ser nossa imagem e semelhança!O AIB 
  
  Esperamos assim perpetuar com nosso nobre sangue seguindo com fé as  tábulas  pranchetas  sagradas da ARQUITETURA PAULISTA, que edificou    grandes prédios, catedrais e palácios,   apesar da mão de obra  ignorante analfabeta e infiel dos  imigrantes e nortistas, que imprudentemente votam e provocam o cisma na sociedade entre regiões e classes sociais, nas cidades e no Brasil.

“Viva o Brasil e sua elite”.

Exc.ª. Sr. Dr. Arq. Duque e IV Barão de Sant’ana

 José  Julio Never Bonito da Turquia .:


Aos  XXV, X ex. MMXIV




A História continua......

domingo, 19 de outubro de 2014

Aos Drs. Josés














Aos Drs. Josés


Drs. Josés fui forjado na dura realidade das universidades particulares, no enfrentamento por melhores condições de ensino e no combate aos aumentos nas mensalidades. Diretor do DCE da PUCAMP e dirigente da Juventude Comunista-UJC, não sua 4° força auxiliar que na década de 90 seria a 5° coluna do PCB, era reconhecido pela coragem e criatividade nas ações e não apelidado pelos estudantes de Zé Pé no Sac...
Drs. Josés, arquitetura evoluiu muito nos últimos anos, talvez não nos rumos que vocês queriam.
Diferente de vocês optei em trabalhar em cooperativas que sobrevivem sob o regime dos parcos recursos dos programas habitacionais destinados às entidades. Não preciso colecionar Certificados de Acervos Técnicos- CAT para participar de licitações cada vez mais flexíveis e em regimes de exceções, no qual vale muito a adulação aos governantes e indicações de parentes para construir o público a serviço do privado.  
No cooperativismo não temos patrões e elegemos nossos chefes, diferente dos escritórios, hoje minorias bem sucedidas. Sou sindicalista e convivo com o sacrifício de centenas de arquitetos que trabalham com esses escritórios, muitas vezes transformados em sócios minoritários e recebendo bem abaixo do piso da categoria. 
Talvez seja esse apego ao atual sistema que transforma-se em desprezo ao bem público.
Desprezo em que tratam nosso conselho fruto de 52 anos de lutas de nossa velha guarda. Faltam constantemente às plenárias e seguram centenas de processos que prejudicam o mesmo número de colegas profissionais.
Falam em carreirismo, deve ser pelo fato que faltei apenas três vezes e todas justificadas, participando ativamente da Comissão de Exercício Profissional, da coordenação da Móbile, a Revista do CAU/SP e da 1° Conferência do CAU/SP onde percorremos 5500 Km para conversar com 1500 profissionais e que resultou em 10 sedes regionais.
Drs. Josés, o CAU/SP é estadual assim como a produção da arquitetura não limita-se aos palácios e templos de seus pequenos reis e falsos deuses em que vocês insistem em produzir com seus desenhos que menosprezam os trabalhadores dos canteiros.
Nunca precisei ser presidente do IAB para contribuir com nossa quase centenária entidade, fui fundador de núcleos no interior, diretor e membro de seu Conselho Superior.
Defendo o IAB de Vilanova Artigas e não o que faz campanha para governantes que notoriamente espancam companheiros dos movimentos populares por moradias.
Ao tentarem menosprezar minha produção na arquitetura fazem o mesmo com 70% da categoria que sobrevive em órgãos públicos ou são autônomos.
Escuto desses colegas palavras como “obrigado” e “estamos juntos”, durante as assembleias que estamos dirigindo a maior greve de São Paulo de todos os tempos, enquanto os senhores falam em alto e bom tom que eles não podem reclamar “pois já sabiam do salário quando fizeram o concurso público“, deve ser por que vocês não consideram o serviço prestado pelo estado como arquitetura.
Gostaria que vocês vissem quantos loteamentos, casas e conjuntos habitacionais sou o responsável técnico ou mesmo quando assumimos cargos públicos não mudamos de opinião e foi como arquiteto e secretário de planejamento da cidade de Americana que recebi o prêmio do IAB/SP em 2004. Bingo!
Não conhecem a produção arquitetônica do interior e do resto do Brasil, pois seus olhares são para os impérios e a arquitetura do espetáculo mundial.  
Quem vos escreve é o arquiteto de Zés, Joaos, Carlões, Pedrões e tantos outros que não frequentam ou habitam seus projetos!

Arq. e Urb. Victor Chinaglia