CUBA nos anos 60, UIA e os estudantes.
Vários estudantes de Cursos de
Arquitetura da America do Sul embarcaram no Navio Russo Nadezda Krupskaya em
Santos, BR, para Cuba, eu entre eles.
O nome do navio é da esposa do lider
russo Lenin ( Vladmir Ilitch Lenine), marxista ativista que conheceu em 1894,
reencontrou no exilio na Sibéria onde se casou em 22/07/1898. Foi seu grande
amor, mas 12 anos depois conheceu a revolucionária bolchevique Inessa Armand,
separada de Alexandr Armand e viuva de outro companheiro, e que com 5 filhos se
uniu a Lenin, convivendo simultaneamente com Nadezda, numa relação a tres.
Talvez Inessa tenha sido o grande amor de Lenin, pois sua morte em 1922 levou
Lenin a acompanhá-la em seguida, em 1924.
Como disse, a memória falha para recordações
de 50 anos, mas me lembro de ter recebido na Fauusp, ainda da Rua Maranhão 88,
a noticia de que um grupo de Porto Alegre liderado por um Burmeister ou algo
parecido, estava organisando uma viagem a Cuba em condições irrecusáveis de
longos pagamentos para os estudantes que quisessem participar de um congresso
paralelo ao da UIA. As reuniões foram no IAB-SP, e formou-se um grupo de São
Paulo. Pelo que me lembro, estava conosco o Mateus Gorotitz, Paulo Valentino
Bruna, Glaycon de Mello, Nelson Popini Vaz, e não tenho certeza se Edson Eloy
da Silva e Arnaldo Martino estavam conosco, e estudantes de outros estados e de
outros paises. As estudantes chilenas chamaram a atenção dos meninos pelo
charme e beleza. A viagem foi cheias de surpresas, primeiro pelo inusitado de
estar a bordo de um navio russo, tripulação que falava apenas russo, comida
apenas russa, que por sinal tinha um gosto de oleo de baleia, forte sabor,
enjoativo para tantos dias, e ao chegar em Cuba, encontrar o feijão e arroz,
embora apenas parecido com o nosso, foi como estar em casa. Foram 12 dias de
viagem, e tivemos uma festa a bordo ao cruzar o trópico. Em Cuba, os estudantes
participaram da abertura do Congresso da UIA com a presença do Fidel, Che
Guevara e outros, depois de várias reuniões só de estudantes. Vários passeios,
por Varadero e locais historicos. Uma apresentação de show com musicas e danças
de Cuba foi montada no centro antigo de Havana, com um belo show de luzes no
ritmo das musicas hoje tão conhecidas. Trouxe de lá discos e livros, com uma
coleção completa de José Marti, conhecido no mundo pelo poema Guantanamera,
depois musicada. Coleção que foi embarcada para ser retirada na embaixada de
cuba no RJ, mas o golpe militar acabou confiscando com a quebra de relações
diplomáticas.
Esse relato foi feito a pedido do
colega camarada Victor Chinaglia, atual colega conselheiro do CAU-SP, filho de
uma linhagem de comunistas. Promessa cumprida, Victor, um grande abraço.
Meu amigo Mario Yoshinaga, camarada e mestre, esteve nessa famosa viagem que marcou uma geração de grandes arquitetos atentos ao papel social da profissão. Tenho muito orgulho de ser seu amigo e aluno.



O Victor é um bom camarada....
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