Em dias de depoimentos e pressões populares sobre a Comissão da Verdade, que investiga os crimes cometidos nos tempos de ditadura militar, eu passei e ainda passo, parte dessa história digna de suspense, aventura e amor.
Meu avô paterno, Victorio Chinaglia, era um militante e dirigente do Partido Comunista Brasileiro-PCB, segundo fontes desde 1933, após uma militância anarquista na Liga Anticlerical.
Numa das várias prisões de sua vida, ele ao sair depois de dias e meses nos idos de 1975, trouxe consigo um dos cobertores da alcova e, este permaneceu escondido na casa de meus pais por longos anos.
Por receio ou medo lá ficou, no alto do maleiro de um guarda roupa, eu então menino perguntava por que não podia mexer ou mesmo usá-lo e com o tempo, transformou-se em objeto demonstrativo da firmeza daquele senhor, em suportar torturas e privações em nome da liberdade e de seu povo.
Sempre que podia ,Victorio ia a São Paulo ver seu filho e dormia no meu quarto , lá nesse pequeno convívio, me ensinou geografia, história e claro política, na minha tenra infância era uma enorme aventura cujo o herói estava presente e mais, era meu avô!!!
Cresci, estudei conforme combinado com ele, posteriormente fui morar em sua casa em Campinas, no período da faculdade de arquitetura entre 1985 e 1990.
No mesmo ano de minha chegada, o PCB legalizou-se , ele seu presidente municipal e eu membro da Juventude Comunista, militante estudantil e seu camarada de partido.Tudo!!!
Ele faleceu em 1991, logo após minha formatura, resolvi então dar vida ao objeto clandestino, melhor..transformar em uma tela, cujo o suor e o sangue do martírio ali estavam, um sacro do materialismo.
O quadro foi pintado em 1995 na minha ida a São José dos campos a serviço da militância.
Oportunidade de reencontra-lo na história.
O quadro foi pintado em 1995 na minha ida a São José dos campos a serviço da militância.
Oportunidade de reencontra-lo na história.
A figura da solidariedade na busca do encontro das mãos em celas separadas, os modelos não poderiam ser diferentes de sua mão com a minha.
As barras de ferro da cela entrando na pele, e os riscos da parede contando os dias de carcere.
O vermelho da bandeira do partido com o verde e amarelo do Brasil queimado pela pela ditadura.
A descomposição da figura do corpo na cruz cristã, decorrente do pau de arara como forma de tortura.
Desenho de linhas clássicas, para mostrar a antiga luta pela liberdade e seu preço nos dias de hoje.









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