A 1° Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP foi realizado nos dias 1 e 2 de agosto, mas sua concepção e organização foi muito antes, iniciada com a aprovação do regimento interno do próprio conselho estadual.
A necessidade compreender a atualidade das entidades do finado Colégio Brasileiro de Arquitetos-CBA após a tarefa comprida frente a realização histórica do CAU, e a real definição de que regemos, fiscalizamos e disciplinamos as atividades relativas a arquitetura e urbanismo em todos as suas esferas de atuação , portanto nascemos para defender a sociedade dos maus profissionais, sejam eles a serviços de quem forem e assim preservar em atividade os capazes profissionais.
A conferência foi o debate dos especialistas da área com a sociedade.
O papel histórico dos arquitetos e urbanistas cresceu com a urbanização majoritária da sociedade brasileira, sua importância frente aos desafios do desenvolvimento econômico estabelecidos no fortalecimento de setores ligados diretamente a nossa profissão e na oportunidade de intervir aonde nós não fomos convidados , na política oficial de estado da habitação e planejamento urbano e os resultados perigosos da movimentações produtivas do pré-sal e suas consequências no território nacional.
Realizamos 12 encontros regionais, 5 micro-regionais e mais de uma dezena de municipais, percorremos mais de 5 mil quilômetros para compreender as diversidades de atuações dos arquitetos e suas contribuições nas construções das cidades paulistas e nos desempenhos econômicos regionais.
O papel fundamental de nossa profissão dentro da cadeia produtiva da construção civil e os reflexos nos aglomerados urbanos sob a ótica do desenvolvimento econômico e das transformações do campo de trabalho de nossos profissionais.
Nomes como os arquitetos Lelé Filgueiras, Sergio Ferro e Rodrigo Léfevre em sintonia com Artigas, Niemeyer, Fabio Penteado foram amplamente citados.
A participação de Miguel Pereira, Paulo Mendes da Rocha e Ciro Perondi em diálogo com Pedro Fiori, João Whiteker, Rafic Farah e Marco Antonio Alves- Kim, a participação dos movimentos sociais ligados à luta pela reforma urbana e ao direito às cidades, demonstra o caminho do debate democrático do CAU/SP por opção política.
Debates sobre o papel dos arquitetos e urbanista cadeia produtiva e tecnológica da construção civil, a formação e ensino, ética e globalização, o papel social dos arquitetos e urbanistas, a defesa do Estado/Nação e da arquitetura pública, afirmam a coragem em democratizar o debate em cima de temas que foram e são caros frente a mercantilização como ideologia dominante de nossa pequena e enraizada elite.
Mais que abrir para a sociedade o debate, dizer o caminho a ser trilhado para contribuir com o desenvolvimento soberano, tecnicamente independente, demonstrado no documento aprovado nessa conferência histórica.
Não mais desassociar a arte do ofício, do trabalho intelectual do braçal.
Aprofundar o debate plural e posicionar-se a favor das cidades inclusivas e democráticas.
Reconciliar o desenho com o canteiro de obra.
TAREFA DOS ARQUITETOS E URBANISTAS DO CAU/SP
O Conselho
de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, criado em 2010, resultado de 52 anos de luta,
apresenta grandes responsabilidades e expectativas, além de ser oportunidade
histórica para os profissionais resgatarem o protagonismo e os compromissos com
o desenvolvimento nacional e a construção das cidades. O surgimento do CAU
possibilita maior valorização da profissão, o aprimoramento do ensino e da
conduta ética e maior rigor nos projetos, execução e fiscalização das
construções.
Nesse
sentido, a realização da 1a Conferência Estadual de Arquitetos e
Urbanistas do CAU/SP evidencia novo convite ao diálogo e à reflexão, com a
sociedade e Governos, a respeito do empenho dos arquitetos e urbanistas das diversas
regiões do Estado de São Paulo com os temas sensíveis à profissão.
O
papel do arquiteto e urbanista está diretamente relacionado à qualidade de vida
e à defesa da reforma urbana e do direito à cidade, entendendo esses temas como
essenciais na construção de uma nação mais justa e democrática. No entanto,
observando os conflitos em nossas cidades, fica claro que as decisões acerca da
produção do espaço priorizam o mercado, em detrimento à universalização de melhores
condições urbanas, fatores que ficaram evidentes nas recentes manifestações das
ruas.
A
cadeia produtiva da construção impõe reposicionamento de nossa categoria frente
às atividades da arquitetura e do urbanismo, demandando a reconciliação do desenho
com o canteiro de obras. O atual momento da economia abriu o mercado da
construção civil, sendo fundamental a atuação dos arquitetos e urbanistas no
planejamento destas grandes intervenções.
Propostas de compromissos do CAU/SP:
-
promover e incentivar de forma articulada, com as diversas esferas de Governo, sociedade
civil organizada, universidades e órgãos de fomento ao desenvolvimento
tecnológico, a busca dos avanços na qualidade de vida, reclamados nas ruas e
praças das cidades, cumprindo os ideais éticos do papel social do arquiteto e
urbanista na perspectiva da reforma urbana e do combate à segregação
sócio-espacial;
- garantir
o direito das populações e cidades desassistidas às atividades profissionais, promovendo
o controle social dos órgãos formuladores de políticas públicas na constituição
de seus espaços administrativos, nos conselhos das cidades, nos processos de
elaboração dos planos diretores municipais participativos e na formulação
orçamentária;
-
atuar junto aos órgãos públicos, privados e jurídicos, na defesa de ações que
promovam o direito à cidade como avanço da democracia e da participação social;
-
atuar junto aos órgãos de ensino, pesquisa, extensão e de Governo para ampliar o
fomento e espaços institucionais que possibilitem a atuação prática e teórica
dos estudantes, junto às formulações e execuções de políticas públicas de
arquitetura e urbanismo;
-
incentivar mudanças nos currículos dos cursos de arquitetura e urbanismo em
busca de novos conhecimentos e tecnologias voltadas às novas demandas vindas da
sociedade, tal como a assistência técnica pública e gratuita.
Estas
são as principais tarefas e desafios dos arquitetos e urbanistas na colaboração
para a construção de cidades, Estado e uma Nação mais justa, soberana e
tecnologicamente independente.
São Paulo, 2 de agosto
de 2013 - Memorial da América Latina.


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