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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Definição de pequena burguesia e sua ideologia nas estruturas orgânicas dos trabalhadores em arquitetura.

Definição de pequena burguesia e sua ideologia nas estruturas orgânicas  dos trabalhadores em arquitetura.










   Esse pequeno trabalho de Karl Marx O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (em alemão: "Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte"), escrito entre dezembro de 1851 e março de 1852 , publicado originalmente na revista Die Revolution , ele define os conceitos da base teórica hoje denomina marxismo e principalmente  a relação  do proletariado com o Estado burguês.
    Podemos afirmar que esse trabalho é atualíssimo, uma vez que em nossa etapa atual de desenvolvimento do capitalismo e em pleno século XXI atravessamos o maior refluxo das forças progressistas e a mais contundente participação da pequena burguesia no Brasil, fruto de seu crescimento e fortalecimento político  que de setor vacilante ganha agressividade e musculatura nas estruturas dos trabalhadores, em nosso caso específico em nosso sindicato.
Influenciado pelos partidos majoritários e pelo próprio perfil ideológico predominante da categoria, setores oriundos das manifestações pequeno burgueses foram e são  responsáveis pelo imobilismo reinante em nossas instituições profissionais, que não souberam fazer uma análise e interpretar a realidade e dar respostas a altura que o momento exige, uma vez que viveram imergidos num passado de glórias que não há mais na arquitetura brasileira e as transformações do mundo do trabalho atuais não são consideradas ações de nossa profissão, marginalizando milhares de colegas.          Quanto ao SASP ficou claro o imobilismo de sua própria função fim, a luta econômica da categoria.
   Fugiu com as obrigações estatutárias por vários anos deixando milhares de profissionais ao sabor do jogo do mercado.
      Cabe somente a nós, realinhar o  Sindicato de Arquitetos e Urbanistas do Estado de São Paulo - SASP, reduzir esse atraso e conquistar a condição de vanguarda em conjunto com os setores populares , a luta pelo direito à cidade democrática e ao emprego. É nossa responsabilidade, portanto, apresentar diretrizes reais e factuais.          Devemos ocupar espaços políticos e contribuir com o projeto tecnológico e seu resultado distributivo de bem estar e progresso social.
     Tal movimento deve usar a institucionalidade do SASP, reforçar sua força e trabalhar para que constitua numa entidade renovada e altura de enfrentar os graves problemas da arquitetura e urbanismo e defesa dos profissionais, esse sim papel exclusivo do sindicato.
      Portanto não basta apenas ter conseguido tirar o SASP do imobilismo de sua própria função fim, mas principalmente definir o projeto político e ideológico da entidade, fatores primordiais para resgate da credibilidade dos trabalhadores para com seu sindicato. 

"Contra a burguesia coligada fora formada uma coalizão de pequenos burgueses e operários, o chamado partido socialdemocrata. A pequena burguesia percebeu que tinha sido mal recompensada depois das jornadas de junho de 1848, que seus interesses materiais corriam perigo e que as garantias democráticas que deviam assegurar a efetivação desses interesses estavam sendo questionadas pela contra-revolução. Em vista disto aliara-se aos operários (...). Quebrou-se o aspecto revolucionário das reivindicações sociais do proletariado e deu-se a elas uma feição democrática; despiu-se a forma puramente política das reivindicações democráticas da pequena burguesia e ressaltou-se seu aspecto socialista. Assim surgia a socialdemocracia. (...) O caráter peculiar da socialdemocracia resume-se no fato de exigir instituições democrático republicanas como meio não de acabar com os dois extremos, o capital e o trabalho assalariado, mas de enfraquecer seu antagonismo e transformá-lo em harmonia. Por mais diferentes que sejam as medidas propostas para alcançar esse objetivo, por mais que sejam enfeitadas com concepções mais ou menos revolucionárias, o conteúdo permanece o mesmo. Esse conteúdo é a transformação da sociedade por um processo democrático, porém uma transformação dentro dos limites da pequena burguesia." (MARX, Karl. O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte, cit., v. 1, p. 226-227)


Marx alerta, ainda, que não devemos confundir a pequena burguesia com os“lojistas” (shopkeepers), pois boa parte deles está longe “como o céu da terra” dos pequenos comerciantes. Isso quer dizer que não devemos confundir a caracterização política da pequena burguesia e seu comportamento com o extrato de classe pequeno burguês (altos assalariados ou pequenos proprietários de pequenos negócios que são chamados de classes médias. Numa genial demonstração de que a classe não se define apenas por sua posição econômica no interior de uma divisão social do trabalho, Marx alega que o que torna certas pessoas “representantes da pequena burguesia é o fato de que sua mentalidade não ultrapassa os limites que esta não ultrapassa na vida” (idem,ibidem). 
Por seu caráter de termo “médio”, nas palavras de Marx “uma classe de transição”, a pequena burguesia apresenta um projeto e uma atitude política que a identificam em qualquer época ou situação.Mauro Iasi  Nota sobre o conceito de “pequena burguesia política”.

"(...) o democrata, por representar a pequena burguesia, ou seja, uma classe de transição, na qual os interesses de duas classes perdem simultaneamente suas arestas, imagina estar acima dos antagonismos de classes em geral. Os democratas admitem que se defrontam com uma classe privilegiada, mas eles, com todo o resto da nação, constituem o povo. O que eles representam é o direito do povo; o que interessa a eles é o interesse do povo. Por isso, quando um conflito está iminente, não precisam analisar os interesses e as posições das diferentes classes. Não precisam pesar seus próprios recursos de maneira demasiadamente crítica. Têm apenas que dar o sinal e o povo, com todos os seus inexauríveis recursos, cairá sobre os opressores" (MARX, Karl. O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte, cit., v. 1, p. 229).


Ainda Mauro Iasi define em - Nota sobre o conceito de “pequena burguesia política”.


As burocracias partidárias e sindicais, além dos espaços institucionais graças a este monopólio conquistados, seja na máquina do Estado Burguês, seja na institucionalidade da sociedade civil burguesa. Como a fonte de poder é o controle de espaços políticos de representação, inclusive no que tange ao controle dos Fundos de Pensão, trata-se de uma pequena burguesia “política”, querendo com isso indicar que seu poder deriva fundamentalmente do controle de espaços políticos de representação.

 Não é, propriamente, uma “aristocracia operária”, tal como define Lênin. A aristocracia operária tinha como principal fonte de legitimidade os trabalhadores organizados e sua capacidade de pressão. A pequena burguesia política de certa forma se independentizou da classe e a controla por meio de aparatos que não dependem da capacidade de organização e ação concreta, pelo contrário, sua força vem, em grande medida, da passividade da classe que se submete a uma hegemonia passiva.

 Sendo assim, parece-me que o conceito de “pequena burguesia política” pode ser uma ferramenta teórica e política útil às nossas formulações.


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