As manifestações que acontecem em várias cidades do Brasil, demonstram claramente que o modelo urbanístico calcado no desenho imposto pelas industrias multinacionais automobilísticas e de ocupação ao gosto do mercado especulativo não funciona mais.
Em São Paulo esse modelo esta sendo implantado desde a década de 30 iniciado pelo Plano de Avenidas do engenheiro Preste Maia.Canalizaram rios e abriram-se frentes de especulação imobiliária em terras até então dominadas pela natureza, transformando-se em corredores de automóveis sem limites, deslocando milhares de migrantes a "morarem" em periferias distantes desregulamentadas .
A zona leste de São Paulo é a sua face mais cruel dessa política urbana concentradora de renda e de espaços.
O transporte individual de 7 toneladas transportando um imbecil de 70 quilos é a face mais refinada da elite consolidada sob esse modelo.
Do total do solo urbano, 25% esta destinado ao automóvel enquanto 30% da população vivem em favelas e cortiços.
As políticas públicas de transporte e mobilidade urbana, sempre estiveram a serviço da dupla, indústria multinacional e especulação imobiliária, definindo-se como liberais em oposição ao planejamento da cidade, vide os bondes da Light, suplantados pelos ônibus a diesel , agora ameaçados pelas peruas e vans, pelo baixo investimento em metrô e toda a pobreza de repertório tecnológico de alternativas de transportes coletivos de nossas cidades.
Junta-se ao esgotamento dessa vertente neoliberal no urbanismo, a falta de clareza de projetos de nossos governantes, hoje não vemos diferenças nas políticas do Maluf, Alckmin, Kassab e Haddad,basta olhar quem compõe seus palanques e suas fotos na grande imprensa.
Triste ver o governador mais reacionário dos últimos anos com o atual prefeito PTista em Paris, enquanto a cidade pega fogo com manifestações, em discurso uníssono contra a população e a distância coordenam a polícia repressora e pronunciam-se pelos meios de comunicações patrocinados pelo velha dupla, multis e especuladores.
Estive ontem, após reuniões no Conselho de Arquitetura e Urbanismo de SP, nas manifestações na região central, constatei manipulação dos programas do Datena e do Marcelo Resende, mentindo estarem ao vivo, transferindo o caos urbano, o impedimento do direito de ir e vir e a violência para os manifestantes. O apresentador do boçal programa Cidade Alerta chegou a manipular a enquete devido a alta adesão da população aos manifestantes.
Manifestantes, esses compostos por estudantes pobres, cansados de se expressarem apenas por grafites e hap e engrossada espontaneamente pelos trabalhadores do centro, como pude constatar pessoalmente.
A sorte desses governantes é que o núcleo dirigente dos manifestantes é pequeno e frágil, incapazes de ampliarem suas demandas para outras categorias tradicionalmente mais organizadas e com tradições de lutas reivindicatórias .Os trabalhadores da CTPM efetivaram a paralisação do sistema de transporte de trens metropolitanos , alertando sobre as possibilidades de unificar e ampliar o movimento, principalmente entre os urbanitários.
Os arquitetos e urbanistas não poderão se omitirem frente a essa situação, as nossas entidades devem se pronunciarem e contribuírem para debater e buscar soluções práticas para nossas cidades e o desenvolvimento solidário de nossa população.
Consolidar e resgatar sua história de parceiro privilegiado nas lutas sociais urbanas sempre ao lado dos trabalhadores.
Apoio total as manifestações e pela ampliação das mobilizações em defesa da reforma urbana, mobilidade social e territorial das cidades, fonte matriz do desenvolvimento e bem estar dos trabalhadores.


























