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sábado, 12 de janeiro de 2013

SELARÓN, UM PROFANO EM TERRA SANTA

   Jorge Selarón ,o artista plástico, representa  literalmente a arte popular , a visão lúdica que o povo tem de seu próprio espaço da cidade , transcendendo fronteiras de guetos impostas pelo mercado e a  eugenia dos que dominam as partes privilegiadas do complexo tecido urbano.
   O seu mais conhecido  trabalho é a escadaria do convento , ligação entre a Lapa e ao Bairro elevado de Santa Teresa. Diga-se que trata-se da parte da Lapa em que turistas pouco visitam por ser   área  de cortiços , abrigo de trabalhadores pobres, mascates da região central, travestis, boêmios e artistas, ele próprio morador de pensão estabelecida em antigos e depauperados casarões e bem  como  endereço  de seu atelier.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Atuar e ser parte do canteiro de obras, o porquê de ser arquiteto



        Flavio Motta em 1967  lança o texto "Desenho e Emancipação" que  em conjunto com Villanova Artigas veio a dar linhas gerais do que seria o curso de arquitetura e o seu papel social, substituindo a figura do arquiteto decorador pelo tecnológico, sendo o habitar uma necessidade humana. 
       Lúcio Costa, Niemeyer, Affonso Reidy  e os Modernistas do Rio  e   Artigas e os arquitetos da chamada Escola Paulista, influenciaram várias gerações,que posteriormente teve em Sérgio Ferro, Flávio Império e Rodrigo Lefévre seus continuadores no pensar arquitetura na ótica marxista e que viria formar a minha.
      Meu pai era amigo de Artigas, Motta e todo uma geração de artistas e arquitetos que conviveram entre 1971 e 1978 fazendo trabalhos para  Secretaria  de Planejamento do Município de São Paulo ou na EMPLASA e mesmo na iniciativa privada, na Hidroservice e na Hidrobrasileira ,que empregaram muitos perseguidos políticos durante a ditadura civil-militar, dentre eles o Flávio Império que já tinha sido estagiário de Joaquim Guedes em 1959.
     Engenheiro especialista em planejamento , o velho Victor Chinaglia  foi decisivo para minha escolha em ser arquiteto ainda aos 8 anos.
     Na FAU-PUCCAMP entre 1985 e 1989, ano da Nova República e da legalidade do PCB, foi o aprendizado deixado pelo Rodrigo Lefévre e seus colegas , meus professores.
    Como Diretor de Urbanismo ou Secretário de Planejamento aprendi muito  com Niemeyer, Fábio Penteado e principalmente Joaquim Gudes que moldou definitivamente minha visão do papel social do arquiteto e a arte de projetar.
    Hoje , tenho em Mário Yoshinaga um colega de estudo e parceiro de idéias e ao lado do Arquiteto Marco António Alves Jorge, o Kim,  a oportunidade através das cooperativas  Cooperteto de Habitação e na Braço Forte de Arquitetura e Construção de                                  atuar e ser parte do canteiro de obra.
     A participação do povo no poder decisório do projeto e da obra, em conjunto com toda a cadeia produtiva da indústria da construção civil sem o intermediário, me faz ter certeza do papel do arquiteto na busca política de uma sociedade moderna, participativa e democrática, que ainda teremos.    
   
O quadro dedicado a mim quando eu tinha 5 anos  foi feito por Marcelo Nitsche  e retrata a esposa de Flávio Motta.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O PRÉ-MODERNISMO EM FORMA DE PÓS
                                  
O culturalismo no mundo globalizado desempenha um papel de dominação eficiente, disseminação da política de estado da matriz dominadora para área da cultura, onde qualquer elemento não adaptado aos padrões é severamente segregado. Fora dos marcos ocidentais, sobram bombas e ocupações.
O Brasil, dentro da área de influência dos Estados Unidos é fortemente atacado pela política culturalista.
 O uso crescente do anglicismo em nossa língua decorrente principalmente da superação tecnológica a nós imposta. As influências em nossa música destruindo e substituindo o tripé samba-sertanejo-regional pelo pagode-country – axé music e universitários de todos os tipos. Nosso cinema diminuído pelas as empresas hollywoodianas que infantilizam e massificam seus padrões gratuitamente, adentrando as casas de nossos trabalhadores, dos conjuntos habitacionais às palafitas e morros de nossas cidades sem esforço da guerra e claro a comunicação, agente difusor dessa política muitas vezes compartilhada com seus antigos concorrentes nacionais, agora no papel de sócios menores.
 Ações que transformam qualquer manifestação cultural alheia a sua vontade, em mero folclore decorrente do atraso cultural em que se encontra parte de nosso povo.
Na arquitetura a situação não se difere, a busca da referência nacional dentro do contexto modernista, diga-se escola paulista, o paisagismo de Burle Marx, as obras de Niemeyer e Vilanova Artigas, as cidades de Joaquim Guedes e tantos outros que forjaram o moderno e brasileiro, é agora substituído pelo neoclássico e pós-moderno.
Neoclássico que apresenta elementos ecléticos que dão certa nostalgia à pequena e a   decadente burguesia representa a eliminação com qualquer identidade nacional, nos remetendo ao falso academicismo que empastelou a paisagem de nossas cidades em nome do mercado imobiliário. Define-se como manifestação arquitetônica do neoliberalismo.
O pós- moderno caracteriza-se fundamentalmente pela crítica ao modernismo, mais severamente à sua corrente formalista e sua visão social, atrelada à produção e aqueles que a produzem, os trabalhadores. Propalam-se livre para criar, não definindo-se esteticamente, incitam a alienação política como agente facilitador da visão de mercado, produtos, da cultura do individualismo e de conquistas da supremacia da globalização, o futuro chegou para o mundo.
Podemos vê-los simultaneamente em Dubai, São Paulo, África do Sul e no leste europeu com suas formas de gosto duvidoso e adornos de produtos industrializados oriundos de nossas matérias primas a um custo altíssimo de energia ambiental e humana, mas principalmente ao peso de nossa dependência cultural!