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sábado, 26 de janeiro de 2013

ARQUITETURA, VOLUME E COR PARTES INDISSOLÚVEIS DA FORMA

     A qualidade e eficácia dos sentidos humanos, longe de ser um dom divino e metafísico, trata-se de um processo genético e sua evolução educativa, quase sempre de difícil acesso a toda a população.
     A visão por requerer pouca energia e pela infinidade de informação acumulada numa fração de segundos é o mais democrático dos sentidos.
As cores das luzes do sol e das florestas
      Cada povo dentro desse processo educativo e exaustivos exercícios ao reflexo do sol  na natureza, enxergam o mundo em diferentes cores e tonalidades.
      Na carta dita batismal de Pero Vaz, as cores permeiam o texto e embebedam os lusitanos pela intensidade e sua variedade aqui encontrada.
Artista Maria Lúcia 

    Sob a luz constante dos trópicos, formou-se a cultura das cores vivas que ilustra as casas nordestinas e as vilas operárias desprovidas de formalismo, a pintura primitivista e o nosso rico artesanato.
    As academias de ofícios e Belas Artes , no caminho inverso, produziam a arte dita culta aos moldes das escolas europeias com seu clima frio e cores soturnas.
  O rompimento definitivo no Brasil com o academicismo se deu com a Arte Moderna Brasileira de  Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Portinari, Di Cavalcante, Aldo Bonadei tantos outros que reproduziram nosso cotidiano e nossas cores.
Alfredo Volpi, também modernista, distinguia 98 tons de amarelo, transformando suas famosas bandeirinhas das festas populares numa verdadeira régua cromática.
Festa em Marechal Deodoro-AL
    Das artes, a arquitetura é a que menos evoluiu quanto ao uso de cores como elemento da composição estética.
  Fato ao relativo  atraso tecnológico no desenvolvimento de novos pigmentos de durabilidade, brilho e preço acessível e ao domínio do branco ao modernismo na arquitetura.
    Exemplos de arrojos estiveram presentes nas obras que empreenderam os azulejos, que    davam uma conotação tropical e protegem o edifício das chuvas e do calor constantes , citamos as obras de Niemeyer que usou e abusou das peças de Portinari e de Athos Bulcão e o trabalho genial de Antônio Maluf.
Trabalho de Antônio Maluf  no conjunto de edifícios ao lado do COPAM-SP
Prédio do Ministério da Educação e Cultura no RJ, mural Portinari
   O arquiteto Ruy Ohtake lida com as cores  que aproximam-se das casas populares a exemplo do trabalho realizado na Favela de Heliópolis e de novos materiais com suas tonalidades longe do acesso dessa população que representam um terço dos 11 milhões de paulistanos.
Heliópolis
Centro Cultural Tomie Ohtake
   Em Americana entre 2002 e 04 realizamos pinturas em prédios públicos que buscavam releituras de suas arquiteturas ressaltando detalhes, redefinindo seus papéis na paisagem urbana e exteriorizando sua funcionalidades, rompendo com frágeis códigos que ainda regem a cultura massificante a nós imposta, demonstrando avanços tecnológicos de pigmentos  e principalmente ajudar na educação visual em grande escala.



   O Mercado Municipal de Americana, a pintura foi debatida com os comerciantes e paga pelos mesmos, houve ainda a reforma dos banheiros e estacionamento para eles e funcionários, área em que batemos de frente com a concessionária   pós  privatização da rede ferroviária. O autor do projeto era um funcionário de carreira da prefeitura  técnico e conseguiu fazer a primeira obra pública moderna de Americana na década de 50, fato que grafamos em sua entrada, brises de ferro, pilares estruturais e estéticos e formas modernistas.As cores salientam essa leitura.   


    Viaduto Centenário, principal via de acesso à cidade e que sobrepõe ao Ribeiro Quilombo  e todo o complexo viário da cidade, aqui a pintura teve como objetivo riscar a paisagem em laranja e vermelho, além da estética   aumentar a segurança em semáforos e vias alternativas aos trabalhadores que transitam embaixo  dele para encurtar caminho ao terminal de ônibus, ali teria um teatro de arena  e pistas de esportes radicais para ocupar um espaço  lindo sem utilidade-foto ao lado- e sem conflito com os moradores  para tal utilidade proporcionando eventos musicais e de esportes que concentram grande presença de jovens. A área também era do espólio da privatização da FEPASA e o governo do Estado não cedeu á municipalidade  para fazermos a praça.   Tentávamos assim , evitar a higiene social e a arquitetura anti-moradores de rua e  transformar espaços sem uso em utilidade educativa e social ao povo.  
   O Viaduto Amadeu Elias foi a primeira obra de sobre posição viária que rompeu o falso isolamento imposto pelo Ribeirão Quilombo e a linha férrea, no qual deveríamos sermos  eternamente grato, mas ganhamos  de presente uma obra precária e feia, a ideia foi amenizar seu impacto  diluindo sua forma na paisagem, pintando-o da cor do céu. 

   Origem de nossa cidade a estação ferroviária de Americana segue o plano de padronização da arquitetura frente a influencia da industrialização e o fator histórico.
       Não ousamos nos tons mas valorizamos cada detalhe do mestre artesão. 
O Paço Municipal foi a segunda obra pública em enovar  na forma e aderir ao modernismo, obra do arquiteto Sayão tinha elementos importantes como referência histórica e do progresso que a cidade vivia, os brises, planos livres internos o concreto armado em modelagem e seus volumes atrativos e incorporados a fachada funcional adentra nossa cidade ao progresso do modernismo. 
     O autor adorou o resultado. 

  










        Claro, o aumento do espaço de circulação dos pedestres integrando grande parte desses marcos históricos. Tudo foi  construído de forma coletiva, ficou em pé  nas  gestões posteriores , o debate democrático envolvendo a sociedade civil organizada, moradores, comerciantes e funcionários públicos participantes de todos os processos de  obras, é  mais demorado em resultados, mas o mais duradouro. Basta visitar Americana e ver o respeito ao patrimônio público de qualidade.  

    Definitivamente, o volume e a cor são partes indissolúveis da forma!         

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