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domingo, 4 de agosto de 2013

A 1° CONFERÊNCIA DE ARQUITETOS E URBANISTAS, O REENCONTRO DO DESENHO E O CANTEIRO.

     


    A 1° Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP foi realizado nos dias 1 e 2 de agosto, mas sua concepção e organização foi muito antes, iniciada com a aprovação do regimento interno do próprio conselho estadual.

    A necessidade   compreender a atualidade das entidades do finado Colégio Brasileiro de Arquitetos-CBA após a tarefa comprida frente a realização histórica do CAU, e a real definição de que regemos, fiscalizamos e disciplinamos as atividades relativas a arquitetura e urbanismo em todos as suas esferas de atuação , portanto nascemos para defender a sociedade dos maus profissionais, sejam eles a serviços de quem forem e assim preservar em atividade os capazes profissionais.

    A conferência foi o debate dos especialistas da área com a sociedade.

  O papel histórico dos arquitetos e urbanistas cresceu com a urbanização majoritária da sociedade brasileira, sua importância frente aos desafios do desenvolvimento econômico estabelecidos no fortalecimento de setores ligados diretamente a nossa profissão e na oportunidade de intervir aonde nós não fomos convidados , na política oficial de estado da habitação e  planejamento urbano e os resultados perigosos da movimentações  produtivas  do pré-sal e suas consequências no território nacional.

  Realizamos 12 encontros regionais, 5 micro-regionais e mais de uma dezena de municipais, percorremos mais de 5 mil quilômetros para compreender as diversidades de atuações  dos arquitetos e suas contribuições nas construções das cidades paulistas e nos desempenhos econômicos regionais.

 O papel fundamental de nossa profissão dentro da cadeia produtiva da construção civil e  os reflexos nos   aglomerados urbanos sob a ótica do desenvolvimento econômico e das transformações do campo de trabalho de nossos profissionais.

 Nomes como os arquitetos Lelé Filgueiras, Sergio Ferro e Rodrigo Léfevre em sintonia com Artigas, Niemeyer, Fabio Penteado foram amplamente citados. 

 A participação de Miguel Pereira, Paulo Mendes da Rocha e Ciro Perondi em diálogo com Pedro Fiori, João Whiteker, Rafic Farah e Marco Antonio Alves- Kim, a participação dos movimentos sociais ligados à luta pela reforma urbana e ao direito às cidades, demonstra o caminho do debate democrático do CAU/SP por opção política.

 Debates sobre o papel dos arquitetos e urbanista cadeia produtiva e tecnológica da construção civil, a formação e ensino, ética e globalização, o papel social dos arquitetos e urbanistas, a defesa do Estado/Nação e da arquitetura pública, afirmam a coragem em democratizar o debate em cima de temas que foram e são caros frente a mercantilização como ideologia dominante de nossa pequena e enraizada elite.

  Mais que abrir para a sociedade o debate, dizer o caminho a ser trilhado para contribuir com o desenvolvimento soberano, tecnicamente independente, demonstrado no documento aprovado nessa conferência histórica.

  Não mais desassociar  a arte do ofício, do trabalho intelectual do braçal.

  Aprofundar o debate plural e posicionar-se a favor das cidades inclusivas e democráticas.

  Reconciliar o desenho com o canteiro de obra.





  

   TAREFA DOS ARQUITETOS E URBANISTAS DO         CAU/SP



O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, criado em 2010, resultado de 52 anos de luta, apresenta grandes responsabilidades e expectativas, além de ser oportunidade histórica para os profissionais resgatarem o protagonismo e os compromissos com o desenvolvimento nacional e a construção das cidades. O surgimento do CAU possibilita maior valorização da profissão, o aprimoramento do ensino e da conduta ética e maior rigor nos projetos, execução e fiscalização das construções.

Nesse sentido, a realização da 1a Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP evidencia novo convite ao diálogo e à reflexão, com a sociedade e Governos, a respeito do empenho dos arquitetos e urbanistas das diversas regiões do Estado de São Paulo com os temas sensíveis à profissão.

O papel do arquiteto e urbanista está diretamente relacionado à qualidade de vida e à defesa da reforma urbana e do direito à cidade, entendendo esses temas como essenciais na construção de uma nação mais justa e democrática. No entanto, observando os conflitos em nossas cidades, fica claro que as decisões acerca da produção do espaço priorizam o mercado, em detrimento à universalização de melhores condições urbanas, fatores que ficaram evidentes nas recentes manifestações das ruas.

A cadeia produtiva da construção impõe reposicionamento de nossa categoria frente às atividades da arquitetura e do urbanismo, demandando a reconciliação do desenho com o canteiro de obras. O atual momento da economia abriu o mercado da construção civil, sendo fundamental a atuação dos arquitetos e urbanistas no planejamento destas grandes intervenções.

Propostas de compromissos do CAU/SP:

- promover e incentivar de forma articulada, com as diversas esferas de Governo, sociedade civil organizada, universidades e órgãos de fomento ao desenvolvimento tecnológico, a busca dos avanços na qualidade de vida, reclamados nas ruas e praças das cidades, cumprindo os ideais éticos do papel social do arquiteto e urbanista na perspectiva da reforma urbana e do combate à segregação sócio-espacial;

- garantir o direito das populações e cidades desassistidas às atividades profissionais, promovendo o controle social dos órgãos formuladores de políticas públicas na constituição de seus espaços administrativos, nos conselhos das cidades, nos processos de elaboração dos planos diretores municipais participativos e na formulação orçamentária;

- atuar junto aos órgãos públicos, privados e jurídicos, na defesa de ações que promovam o direito à cidade como avanço da democracia e da participação social;

- atuar junto aos órgãos de ensino, pesquisa, extensão e de Governo para ampliar o fomento e espaços institucionais que possibilitem a atuação prática e teórica dos estudantes, junto às formulações e execuções de políticas públicas de arquitetura e urbanismo;

- incentivar mudanças nos currículos dos cursos de arquitetura e urbanismo em busca de novos conhecimentos e tecnologias voltadas às novas demandas vindas da sociedade, tal como a assistência técnica pública e gratuita.


Estas são as principais tarefas e desafios dos arquitetos e urbanistas na colaboração para a construção de cidades, Estado e uma Nação mais justa, soberana e tecnologicamente independente.



São Paulo, 2 de agosto de 2013 - Memorial da América Latina.



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