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domingo, 13 de outubro de 2013

Eleição sindical não é uma disputa de par ou impar.



 
 Eleição sindical não é uma disputa de par ou impar.


    Sempre fui refratário em contar histórias como protagonista, medo de valorizar um determinado momento de minha vida que não interessasse a alguém na roda, mas a análise da posição ideológica e a faixa etária dos presentes me ajudam a apimentar o assunto e expor minhas ideias com humor.
    Infelizmente a eleição do SASP, não me permite esses artifícios e vou direto ao assunto. 
   Nasci de uma família de comunistas italianos e proletários quatrocentões e por tantos explorados e por séculos.
   Nasci ouvindo “A Internacional” em diferentes volumes de som pautados ao gosto de vizinhos inconvenientes.
   Politicamente, tornei-me militante orgânico aos 15 anos em 1982, durante minha associação à União Cultural Brasil e URSS de São Paulo, meu avô Victorio Chinaglia era o presidente do núcleo de Campinas e dirigente comunista.
   Portanto as relações familiares para mim, sempre foram fundamentais para a formação ideológica e partidária.
   Ideologia vem há ser uma escola de pensamento coerente entre os mesmos, que podem formar e alimentar um partido político ou grupos organizados.
   O elemento família é tático.
   Soube, estudei e vi vários sindicatos na legalidade e seus dirigentes cassados e mesmo mortos resistindo à política oficial.
   Vi vários sindicatos nesse período, através de políticas conciliatórias com  governos se legalizarem, importantes na luta contra a ditadura militar, nós democratas, suportávamos seus dirigentes palatáveis ao sistema, na esperança da hegemonia política e contentando-se  em influências em diretorias e no corpo administrativo da entidade.
   Esse conceito estratégico nunca passou pelo SASP, entidade criada na esteira da necessidade do Partido Comunista Brasileiro em ampliar sua atuação social em 1971 e entre os trabalhadores das cidades, os arquitetos tinham essa missão.
Sede do IAB durante a posse da 1° Diretoria do SASP
  O PCB decidiu e o IAB cedeu quadros e transferiu recursos para o SASP nascer.
   Quando da legalização democrática lenta e progressiva da década de 80, o PCB decadente e os militantes das diversas correntes internas do PT fortalecidos, assumem a direção do SASP, e impõem a importante luta pela construção da CUT e a vanguarda da luta social e política urbana.

   O IAB perde força na proporção que suas lideranças envelhecem e morrem com o PCB e o SASP através de seus membros, ganha músculo de atuação em governos do PT e Aliados com as eleições pós-democratização de 1985, principalmente em São Paulo, Campinas, Santos e Piracicaba.
   Avançamos assim organizados, nas estruturas econômicas e sócias.
   As conquistas da Carta Cidadã de 1988, a luta aberta pela Reforma Urbana e pelo Estatuto das Cidades favorecem a aliança da maioria das forças de esquerda e do pluralismo pragmático, que atinge seu ápice no 1° primeiro mandato de Lula presidente e na constituição do Ministério das Cidades.

   O SASP, fundamental nessas conquistas, vê sucessivas diretorias precisando de novos fôlegos organizacionais pela ampliação de novas frentes de lutas e atuação.
  Pulmão esse, formado por militantes sindicais para trabalhar, atuar e participar em face da nova realidade democrática da sociedade.
  Infelizmente, quantidade de associados não foi suficiente e necessária de renovar e preparar quadros políticos.
  Hoje vários sindicatos e entidades privadas de interesse público, representam o que podíamos dizer de estrutura de pessoas de mesma ideologia, partido e “família”, que negam a história dos pelegos da década de concertação e se atualizaram em novas figuras jurídicas, vide times de futebol, entidades esportivas, fundações e todas as variações do 3° setor.
  Odiaria ter uma entidade reduzida entre Pai, Mãe e cunhado, a Santíssima Entidade!
  Odiaria também, em ter que contribuir compulsoriamente em algo que não acredito e para um clã sem a gênese de nossa criação e pior, ter que conviver com hábito próximo de brigas familiares de domingo ao redor da mesa da macarronada e após, as segundas, disputarem por telefone as contas, no par ou impar .
Na última eleição só 40 e poucos arquitetos votaram, praticamente o mesmo número de candidatos da chapa da situação.
   Uma eleição sindical não é disputa de grêmio estudantil, Centro Acadêmico ou de time de futebol de várzea.
   Muito mais séria, envolve histórias e trajetórias políticas, carreiras profissionais e famílias que no meu caso se limita pela minha ausência e saudades de minha esposa e filhos.
   Temos obrigação de zelar pela legalidade da eleição, respeitando as assembleias soberanas e suas decisões, dentre elas a mais importante, a Comissão Eleitoral.
   Considero democrático apelar para a justiça comum, em todas suas instâncias e respeito às decisões tomadas em fórum.
   Não considero legais as interpretações pessoais em privilégio de determinado grupo ou mesmo por conceitos individuais duvidosos sobre democracia.
   O SASP não é base eleitoral de nenhum partido e muito menos de um determinado parlamentar, não é currículo vivo de nenhum acadêmico preso ao seu tempo ou cartório que passa o ofício por herança familiar.
   A renovação é fruto dessa luta interna entre a política de alianças e de pensamento plural de longa tradição no SASP e o grupo que “exige” respeito e “ditam” regras, em nome da perpetuação de um revisionismo histórico romanceado e infantil ,  extremamente prejudicial aos profissionais.
   Não me incomodam as manifestações da situação, dentro do nível suportável de diálogo e respeito, mesmo sabendo que ao aproximar da data final o clima esquenta como parte óbvia do processo.
  A legalidade da eleição esta garantida, ela vai existir até pelas decisões corretas da Comissão Eleitoral e que vença o melhor para a categoria.
   Qualquer semelhança com personagens e roteiros são frutos de ficção.  Mas luto ferrenhamente para que isso não aconteça com a nossa entidade!
   Espero ao escrever esse texto não estar atrasado.
Amém (Assim seja)!
Assim sou chapa 1, oposição!

Arq. e Urb. Victor Chinaglia

 

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