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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Qual a diferença entre camarada, companheiro e colega?




Qual a diferença entre camarada, companheiro e colega?





Muitas pessoas me chamam de camarada, por saber que sou comunista, ora por simpatia, ora por ironia, mas quando referida num contexto de militância política, daí a coisa fica mais séria.

Reclamam alguns colegas o lado solene, quase uma etiqueta, mas que na verdade serve para agilizar nossa leitura da participação política dos presentes em determinado momento e local de reunião ou plenário. Não determina de forma mecânica, mas ajuda bastante.

Numa das reuniões permanentes que realizamos toda terça feira numa determinada entidade, criou-se um clima negativo e atritoso entre colegas em determinado momento em relação ao termo companheiro. Coube ao meu amigo Ricardo Orlando, vice-presidente da entidade dar uma aula sobre a origem da palavra companheiro que seguirá aqui sua explicação, mas principalmente me alertou para que eu aproveitasse sua aula de latim e principalmente sua polidez política para mostrar as diferenças entre as palavras tão usadas por mim e meus pares.

As palavras têm, de fato, sentidos muito próximos uma das outras. A principal diferença está na situação em que são usadas e na carga histórica que lhes são associadas. Assim, “camarada”, que significou “pessoa que vive no mesmo quarto ou câmara que outra”, acabou por se aplicar a um “soldado da mesma companhia, regimento, divisão” e como sinal de militância política aplicado inicialmente na Alemanha em 1875, com o estabelecimento dos Trabalhadores socialistas' .

Originalmente, o termo carregava uma forte conotação militar. Depois da Revolução Russa de 1917, os comunistas empregaram-no profusamente como alternativa igualitária à forma de tratamento "senhor" e outras palavras similar pelo Partido Operário Social-Democrata (b) Russo , Tovarich  camarada em russo e que ficou associado aos militantes comunistas do mundo com raras exceções.



Formando parte do estereótipo dos comunistas, como retratados nos filmes e séries de televisão de forma provocativa e irônica, o uso da palavra "camarada" não era tão comum, reservado a ocasiões formais ou oficiais, assim como nas forças armadas.

Companheiro é praticamente sinónimo de camarada, mas tem uma história um pouco diferente: deriva de uma tradução em baixo latim (‘cum’ + ‘panis’), corrente na antiga Gália (hoje, a França), de uma expressão germânica, "gahlaiba", composta de “ga” («com») + “hlaiba” («pão») – cf. Dicionário Houaiss. Por outras palavras, companheiro, que se referia àquele com quem se comia o pão, passou a significar simplesmente o que faz companhia na trajetória militante. Para os comunistas é usado quando fora do contexto partidário, dentro das entidades de classe ou de movimentos sociais, para demostrar amplitude e respeito aos presentes  e principalmente à  autonomia da entidade.

Finalmente, “colega” relativo ao “colégio” é um termo derivado do latim “colega”, por via culta, e designa “indivíduo que, em relação a outro, faz parte da mesma comunidade, corporação, profissão» (ver José Pedro Machado, Grande Dicionário da Língua Portuguesa), ou seja, em termos atuais, é a pessoa que trabalha na mesma atividade ou no mesmo lugar que nós e no qual nos referimos entre pares nas entidades profissionais e associados a entidades de classe.

Nada impeça que a mesma pessoa seja camarada e colega, companheiro e colega ou mesmo camarada e companheiro, mas ser camarada significa que além de compartilhar a mesma ideologia, esta fechado com você em tarefas que exige desprendimento, dedicação e hierarquia para a ação, portanto trata-se da pessoa da mais alta confiança mutua. Para esse uso como falou o camarada Ricardo Zarattini na última quinta feira dia 29 durante sessão do Cine Clube Vladimir Herzog, tem que ser comunista testado. 

E o teste é exatamente na luta, e esses meus Ricardos tem de sobra e sem solenidade são meus camaradas!





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