Eleição sindical não é
uma disputa de par ou impar.
Sempre fui
refratário em contar histórias como protagonista, medo de valorizar um
determinado momento de minha vida que não interessasse a alguém na roda, mas a
análise da posição ideológica e a faixa etária dos presentes me ajudam a apimentar
o assunto e expor minhas ideias com humor.
Infelizmente a
eleição do SASP, não me permite esses artifícios e vou direto ao assunto.
Nasci de uma família
de comunistas italianos e proletários quatrocentões e por tantos explorados e
por séculos.
Nasci ouvindo “A
Internacional” em diferentes volumes de som pautados ao gosto de vizinhos
inconvenientes.
Politicamente, tornei-me
militante orgânico aos 15 anos em 1982, durante minha associação à União
Cultural Brasil e URSS de São Paulo, meu avô Victorio Chinaglia era o
presidente do núcleo de Campinas e dirigente comunista.
Portanto as relações
familiares para mim, sempre foram fundamentais para a formação ideológica e
partidária.
Ideologia vem há ser
uma escola de pensamento coerente entre os mesmos, que podem formar e alimentar
um partido político ou grupos organizados.
O elemento família é tático.
Soube, estudei e vi
vários sindicatos na legalidade e seus dirigentes cassados e mesmo mortos resistindo
à política oficial.
Vi vários sindicatos
nesse período, através de políticas conciliatórias com governos se legalizarem,
importantes na luta contra a ditadura militar, nós democratas, suportávamos
seus dirigentes palatáveis ao sistema, na esperança da hegemonia política e
contentando-se em influências em
diretorias e no corpo administrativo da entidade.
Esse conceito
estratégico nunca passou pelo SASP, entidade criada na esteira da necessidade
do Partido Comunista Brasileiro em ampliar sua atuação social em 1971 e entre
os trabalhadores das cidades, os arquitetos tinham essa missão.
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| Sede do IAB durante a posse da 1° Diretoria do SASP |
O PCB decidiu e o IAB
cedeu quadros e transferiu recursos para o SASP nascer.
Quando da
legalização democrática lenta e progressiva da década de 80, o PCB decadente e
os militantes das diversas correntes internas do PT fortalecidos, assumem a direção do SASP, e impõem a importante
luta pela construção da CUT e a vanguarda da luta social e política urbana.
O IAB perde força na
proporção que suas lideranças envelhecem e morrem com o PCB e o SASP através de
seus membros, ganha músculo de atuação em governos do PT e Aliados com as
eleições pós-democratização de 1985, principalmente em São Paulo, Campinas, Santos
e Piracicaba.
Avançamos assim
organizados, nas estruturas econômicas e sócias.
As conquistas da
Carta Cidadã de 1988, a luta aberta pela Reforma Urbana e pelo Estatuto das
Cidades favorecem a aliança da maioria das forças de esquerda e do pluralismo
pragmático, que atinge seu ápice no 1° primeiro mandato de Lula presidente e na
constituição do Ministério das Cidades.
O SASP, fundamental
nessas conquistas, vê sucessivas diretorias precisando de novos fôlegos organizacionais
pela ampliação de novas frentes de lutas e atuação.
Pulmão esse, formado
por militantes sindicais para trabalhar, atuar e participar em face da nova
realidade democrática da sociedade.
Infelizmente,
quantidade de associados não foi suficiente e necessária de renovar e preparar
quadros políticos.
Hoje vários
sindicatos e entidades privadas de interesse público, representam o que
podíamos dizer de estrutura de pessoas de mesma ideologia, partido e “família”,
que negam a história dos pelegos da década de concertação e se atualizaram em
novas figuras jurídicas, vide times de futebol, entidades esportivas, fundações
e todas as variações do 3° setor.
Odiaria ter uma
entidade reduzida entre Pai, Mãe e cunhado, a Santíssima Entidade!
Odiaria também, em ter
que contribuir compulsoriamente em algo que não acredito e para um clã sem a gênese
de nossa criação e pior, ter que conviver com hábito próximo de brigas
familiares de domingo ao redor da mesa da macarronada e após, as segundas, disputarem
por telefone as contas, no par ou impar .
Na última eleição só 40 e poucos arquitetos votaram, praticamente o mesmo número de candidatos da chapa da situação.
Uma eleição sindical
não é disputa de grêmio estudantil, Centro Acadêmico ou de time de futebol de
várzea.
Muito mais séria, envolve
histórias e trajetórias políticas, carreiras profissionais e famílias que no
meu caso se limita pela minha ausência e saudades de minha esposa e filhos.
Temos obrigação de
zelar pela legalidade da eleição, respeitando as assembleias soberanas e suas
decisões, dentre elas a mais importante, a Comissão Eleitoral.
Considero
democrático apelar para a justiça comum, em todas suas instâncias e respeito às
decisões tomadas em fórum.
Não considero legais as interpretações pessoais em privilégio de determinado grupo ou mesmo por conceitos
individuais duvidosos sobre democracia.
O SASP não é base
eleitoral de nenhum partido e muito menos de um determinado parlamentar, não é currículo
vivo de nenhum acadêmico preso ao seu tempo ou cartório que passa o ofício por
herança familiar.
A renovação é fruto
dessa luta interna entre a política de alianças e de pensamento plural de longa tradição no SASP e o grupo que “exige” respeito e “ditam” regras, em nome da perpetuação
de um revisionismo histórico romanceado e infantil , extremamente prejudicial aos
profissionais.
Não me incomodam as
manifestações da situação, dentro do nível suportável de diálogo e respeito,
mesmo sabendo que ao aproximar da data final o clima esquenta como parte óbvia
do processo.
A legalidade da
eleição esta garantida, ela vai existir até pelas decisões corretas da Comissão Eleitoral e que vença o melhor para a categoria.
Qualquer semelhança
com personagens e roteiros são frutos de ficção. Mas luto ferrenhamente para que isso não
aconteça com a nossa entidade!
Espero ao escrever
esse texto não estar atrasado.
Amém (Assim seja)!
Assim sou chapa 1,
oposição!
Arq. e Urb. Victor
Chinaglia






























