Páginas

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Entre a cruz e a espada, o novo !

   Ano 1997 em seu mês de maio, fui morar na cidade de Americana para trabalhar como assessor parlamentar e presidir o Partido Comunista do Brasil-PCdoB que tinha elegido seu primeiro vereador na cidade.
     Assumindo a nova tarefa partidária fui apresentado ao prefeito Waldemar Tebaldi, muito solicito e vendo minha tenra idade, me pôs a contar histórias sobre a resistência à ditadura militar e entre várias, uma me aparentava conhecida e relatada por um velho comunista, que falava-me durante minha  infância ter sido  preso nessa triste época, quando de seu interrogatório,  o milico entre porradas e humilhações  afirmava ser ele comunista desde  1936 e portanto conhecedor de sua ficha , com firmeza e uma certa dose de humor impensável naquele momento  corrige-o  a  data , sendo 1933 sua entrada ao PCB e  indicando ter participado do levante de 35. Provocação de corajosos.
     Foi quando perguntei ao prefeito se ele tinha conhecido Victorio Chinaglia, ele iniciou um choro contido e afirmou “esse homem que te falo é o seu avô”.
   Daí a diante sempre tive as portas abertas de seu gabinete numa gratidão que nunca deixei de respeitar, até por que esse vínculo de amizade com ele não foi iniciado e realizado por mim.

    Dentro desse relacionamento intenso com ele, uma história é curiosa e marcante.
     Quando recebi os cartões de visita da Câmara Municipal algo que me incomodava era o brasão da cidade que continha à bandeira dos confederados.

     Estávamos saindo das olimpíadas de Atlanta, a primeira sem os estados socialistas da Europa, mas que a população resistente obrigou os governantes do Estado da Geórgia a mudar sua bandeira por referir-se a dos antigos Confederados e que em nossos dias ainda é usada pomposamente como símbolo de grupos racistas e claro fascistas de todas as denominações.

    Americana não era a cidade dos Confederados derrotados que vieram se estabelecer no Brasil escravocrata.
    Nascemos de núcleos urbanos em 1875, um deles em torno da estação ferroviária da Cia. Paulista que fazia o entroncamento para a cidade de Santa Barbara e que ficou conhecido como vila dos americanos decorrente do comercio realizado pelos americanos que lá moravam e o outro pela fábrica têxtil Carioba de propriedade de alemães que instalaram uma vila operária com iluminação e asfalto nas ruas, comercio, igreja e cine teatro alimentada pela energia de uma usina hidroelétrica e pela força de trabalho de centenas de imigrantes, a maioria europeia.
    Para contar-me essas e outras histórias apareceu a figura emblemática de um senhor com forte sotaque italiano chamado Hercule Giordano, narrador da historia de Americana sob o ponto de vista do operário da Villa Carioba.


    Ele simplesmente fez o trabalho de informar-me sobre a cidade que eu estava escolhendo para viver.
    Textos escritos por ele no mais antigo jornal da cidade a mim foram entregues para cópia, além de centenas de horas de conversa em que eu fluía bem no seu edialeto.
     Foi entre essas e outras, comentei sobre o horroroso brasão que tanto me incomodava, quando ele contou-me que havia existido uma comissão indicada por decreto que concluiu os trabalhos apresentando um desenho do brasão que o prefeito anterior não acatou e ainda apresentando à Câmara Municipal outro projeto que aprovado, ele sancionou tal despautério heráldico.

    Com minha prepotência jovial lhe propus uma aposta, caso conseguisse mudar o brasão e a bandeira ele entraria no Partido, ironizando - me e dizendo ser quase impossível ele aceitou.
    Ao perguntar ao Hercule quem eram as pessoas que estavam no decreto da comissão, ele citou uma geração muito respeitada e que incluía um pai do presidente da época da Câmara e cujo passado era de militância do PCB. Um prato cheio.
    Pedi para o vereador que assessorava e outro parlamentar para acompanhar-me em uma audiência com o prefeito Waldemar Tebaldi.
    Quando expliquei a motivação de nossa reunião e no meio de meus argumentos, o velho Tebaldi levantou e retirou a bandeira que estava atrás de sua cadeira e queria já joga-la fora, assustado eu lhe disse que havia uma comissão que concluiu seus trabalhos que não foi encaminhado à Câmara para aprovação, ele mandou reeditar o decreto para aprovar a decisão da Comissão e revogando os dispositivos anteriores.

    Uma nova luta foi nos círculos conservadores capitaneado pelo jornal opositor que insuflava que o brasão era para perpetuar o” T” de Tebaldi tão usado como logomarca de suas vitoriosas campanhas e que as machadinhas cruzadas e o fundo vermelho representava o comunismo.

   O “T” é a cruz tau que representam franciscanos e por tabela Santo Antônio o padroeiro da cidade e as machadinhas alusivo ao cidadão Machado senhoril donatário das terras que formaram um terceiro núcleo que viria a formar Americana e que ninguém citava sua existência.
    Apelaram os reacionários à bancada evangélica que argumenta ser contra ao brasão da comissão por conter a cruz que representaria apenas os católicos, foi quando alertei-os que a bandeira confederada era composta pela cruz de Santo André.
    Discernidas as dúvidas e com a presença da grande maioria de velhos trabalhadores dos três núcleos da cidade que compunham a ”Comissão para a Realização de Estudos Visando a Adequação dos Símbolos do Município e a Instituição do Hino Municipal” reorganizada pelo meu amigo Hercule Giordano, constringiram os vereadores do atraso presentes em plenário, inclusive o filho do antigo militante comunista e a mudança foi aprovada.
    Entre a cruz e a espada, foi aprovado o novo brasão!
    Hercule era do tempo que bastava o fio de bigode para garantir a palavra e veio-me pedir para não cobra-lo da dívida, afirmando ser católico praticante e para tanto seria impossível ser filiado á um partido comunista, eu neto de marxista nunca cobraria nada advindo de aposta e serviu-me como lição de dignidade.  
       Tebaldi por cinco anos teve-me como seu diretor de urbanismo e fazendo do PCdoB um dos maiores partidos da cidade e região.

       Fui seu interlocutor com Oscar Niemeyer durante o projeto do paço municipal e seu representante no Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas. A última atividade política dele já acamado e doente em janeiro de 2006 foi uma visita minha em sua casa no qual assinou uma carta para ser entregue ao Oscar Niemeyer e ao despedir-se, desejou-me saúde!
      Hercule escreveu sua biografia aos 82 anos num livro de 151 páginas, sendo três delas de um capítulo em que fui citado sobre nossa amizade e referindo-se ao projeto do parque municipal projetado por mim e aprovado durante a gestão Tebaldi com seu nome em vida.

    Hercule Giordano nasceu em 25 de março de 1922, ano de fundação do Partido Comunista no Brasil. Faleceu em 22 de setembro de 2009.
    Oscar Niemeyer atendeu a solicitação de seu camarada Tebalbi, mas ao retornar após 15 de janeiro de 2006 não mais pude informa-lo.
   Tremularam as novas bandeiras á meio pau, assopradas pelos ventos das mudanças!

  



domingo, 13 de outubro de 2013

Eleição sindical não é uma disputa de par ou impar.



 
 Eleição sindical não é uma disputa de par ou impar.


    Sempre fui refratário em contar histórias como protagonista, medo de valorizar um determinado momento de minha vida que não interessasse a alguém na roda, mas a análise da posição ideológica e a faixa etária dos presentes me ajudam a apimentar o assunto e expor minhas ideias com humor.
    Infelizmente a eleição do SASP, não me permite esses artifícios e vou direto ao assunto. 
   Nasci de uma família de comunistas italianos e proletários quatrocentões e por tantos explorados e por séculos.
   Nasci ouvindo “A Internacional” em diferentes volumes de som pautados ao gosto de vizinhos inconvenientes.
   Politicamente, tornei-me militante orgânico aos 15 anos em 1982, durante minha associação à União Cultural Brasil e URSS de São Paulo, meu avô Victorio Chinaglia era o presidente do núcleo de Campinas e dirigente comunista.
   Portanto as relações familiares para mim, sempre foram fundamentais para a formação ideológica e partidária.
   Ideologia vem há ser uma escola de pensamento coerente entre os mesmos, que podem formar e alimentar um partido político ou grupos organizados.
   O elemento família é tático.
   Soube, estudei e vi vários sindicatos na legalidade e seus dirigentes cassados e mesmo mortos resistindo à política oficial.
   Vi vários sindicatos nesse período, através de políticas conciliatórias com  governos se legalizarem, importantes na luta contra a ditadura militar, nós democratas, suportávamos seus dirigentes palatáveis ao sistema, na esperança da hegemonia política e contentando-se  em influências em diretorias e no corpo administrativo da entidade.
   Esse conceito estratégico nunca passou pelo SASP, entidade criada na esteira da necessidade do Partido Comunista Brasileiro em ampliar sua atuação social em 1971 e entre os trabalhadores das cidades, os arquitetos tinham essa missão.
Sede do IAB durante a posse da 1° Diretoria do SASP
  O PCB decidiu e o IAB cedeu quadros e transferiu recursos para o SASP nascer.
   Quando da legalização democrática lenta e progressiva da década de 80, o PCB decadente e os militantes das diversas correntes internas do PT fortalecidos, assumem a direção do SASP, e impõem a importante luta pela construção da CUT e a vanguarda da luta social e política urbana.

   O IAB perde força na proporção que suas lideranças envelhecem e morrem com o PCB e o SASP através de seus membros, ganha músculo de atuação em governos do PT e Aliados com as eleições pós-democratização de 1985, principalmente em São Paulo, Campinas, Santos e Piracicaba.
   Avançamos assim organizados, nas estruturas econômicas e sócias.
   As conquistas da Carta Cidadã de 1988, a luta aberta pela Reforma Urbana e pelo Estatuto das Cidades favorecem a aliança da maioria das forças de esquerda e do pluralismo pragmático, que atinge seu ápice no 1° primeiro mandato de Lula presidente e na constituição do Ministério das Cidades.

   O SASP, fundamental nessas conquistas, vê sucessivas diretorias precisando de novos fôlegos organizacionais pela ampliação de novas frentes de lutas e atuação.
  Pulmão esse, formado por militantes sindicais para trabalhar, atuar e participar em face da nova realidade democrática da sociedade.
  Infelizmente, quantidade de associados não foi suficiente e necessária de renovar e preparar quadros políticos.
  Hoje vários sindicatos e entidades privadas de interesse público, representam o que podíamos dizer de estrutura de pessoas de mesma ideologia, partido e “família”, que negam a história dos pelegos da década de concertação e se atualizaram em novas figuras jurídicas, vide times de futebol, entidades esportivas, fundações e todas as variações do 3° setor.
  Odiaria ter uma entidade reduzida entre Pai, Mãe e cunhado, a Santíssima Entidade!
  Odiaria também, em ter que contribuir compulsoriamente em algo que não acredito e para um clã sem a gênese de nossa criação e pior, ter que conviver com hábito próximo de brigas familiares de domingo ao redor da mesa da macarronada e após, as segundas, disputarem por telefone as contas, no par ou impar .
Na última eleição só 40 e poucos arquitetos votaram, praticamente o mesmo número de candidatos da chapa da situação.
   Uma eleição sindical não é disputa de grêmio estudantil, Centro Acadêmico ou de time de futebol de várzea.
   Muito mais séria, envolve histórias e trajetórias políticas, carreiras profissionais e famílias que no meu caso se limita pela minha ausência e saudades de minha esposa e filhos.
   Temos obrigação de zelar pela legalidade da eleição, respeitando as assembleias soberanas e suas decisões, dentre elas a mais importante, a Comissão Eleitoral.
   Considero democrático apelar para a justiça comum, em todas suas instâncias e respeito às decisões tomadas em fórum.
   Não considero legais as interpretações pessoais em privilégio de determinado grupo ou mesmo por conceitos individuais duvidosos sobre democracia.
   O SASP não é base eleitoral de nenhum partido e muito menos de um determinado parlamentar, não é currículo vivo de nenhum acadêmico preso ao seu tempo ou cartório que passa o ofício por herança familiar.
   A renovação é fruto dessa luta interna entre a política de alianças e de pensamento plural de longa tradição no SASP e o grupo que “exige” respeito e “ditam” regras, em nome da perpetuação de um revisionismo histórico romanceado e infantil ,  extremamente prejudicial aos profissionais.
   Não me incomodam as manifestações da situação, dentro do nível suportável de diálogo e respeito, mesmo sabendo que ao aproximar da data final o clima esquenta como parte óbvia do processo.
  A legalidade da eleição esta garantida, ela vai existir até pelas decisões corretas da Comissão Eleitoral e que vença o melhor para a categoria.
   Qualquer semelhança com personagens e roteiros são frutos de ficção.  Mas luto ferrenhamente para que isso não aconteça com a nossa entidade!
   Espero ao escrever esse texto não estar atrasado.
Amém (Assim seja)!
Assim sou chapa 1, oposição!

Arq. e Urb. Victor Chinaglia

 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Álvaro Cecchino , pioneiro de uma cidade camarada.

Álvaro Cecchino, o homenageado .



Ser socialista é ser o homem do séc. XXI
              Salvador Allende

   Álvaro Cecchino entra em contato com o Partido Comunista em 1934 durante sua gestão como diretor e fundador do Sindicato dos Bancários do Brasil ,com sua sede na capital federal e ele atuando em São Paulo.

  Combativo, agentes infiltrados tentavam difama-lo ao ponto de conseguir sua expulsão do PCB, em vão segue o relato encontrado por mim no Arquivo do Estado de São Paulo:

“ A directoria começa por encobrir o que se passou, aos seus associados, por ser Cecchino muito sympathizado à classe e no momento, julgam que seria uma catástrofe relatar o acontecimento. Na noite em que estive na ALN notei que não se conformaram com a notícia do facto acima citado....Hoje( dia 10) estive almoçando com Cecchino e notei que não é o mesmo enthusiasta de outrora- São Paulo 31/07/1935”.

  Equívoco dos verdugos e provavelmente Álvaro tenha sido o único americanense a participar da Aliança Nacional Libertadora- ANL, frente antifascista e protagonista da insurreição armada de 1935.

   Ação não concretizada, ele assume o cargo de chefe de secção do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários de 1935 à 1938, quando pede demissão e     decide retornar à Americana. Trabalha como comerciário e após alguns anos participa da fundação da CITRA- Cooperativa Industrial de Trabalhadores e que pregava a distribuição de lucros aos associados e ausência da figura do patrão.

  Funda a tecelagem DISTRAL, descrita novamente por agentes do governo como “foco de criação de autênticos líderes comunistas, como exemplo Paulo Morões , Alcides Dias Freitas, Romeu Sturari, Antonio Leão e Miguel Domingos da Costa” , segundo relato do DOPS em 1958.

  O PCB conquista a legalidade em 03 de setembro de 1945, Cecchino além de ser seu secretário político, oferece um imóvel para ser a sede da legenda, que assim ganha novos filiados e encabeça uma série de movimentos reivindicatórios na cidade.

  A cassação do PCB, apenas 20 meses depois, em 07 de maio de 1947, fez que a recente e já antiga sede fosse alugada pelo governo do Estado de São Paulo, cujo  governador Adhemar de Barros envia um patético telegrama entregue pelo delegado da cidade Joaquim Pupo ao  Cecchino , em agradecimento ao gesto patriótico em aluga-lo ao Tiro de Guerra.

 Visita a URSS em 1953, ao retornar promove palestras e debates com exibições cinematográficas, muitas vezes realizadas na rua de sua casa.

  Deixa a secretaria politica do PCB em 1958 para seu camarada Romeu Sturari e assume a secretaria de agitação e propaganda, chegando a financiar   publicações do partido e na mídia privada em defesa do socialismo.

  Sua capacidade de dirigir o capital e promover a organização do proletário, aumenta seu prestígio no PCB, ao ponto de hospedar Luiz Carlos Prestes em sua chácara em 1963, véspera do golpe militar.

Álvaro Cecchino com Prestes em Americana.

  Preso em 1964 é solto, mas sem antes tentarem humilha-lo levantando as difamações de 30 anos atrás e o chamando de velho e doente para ser um perigo à nova ordem. Vale lembrar que a idade média de um camponês nordestino na época era de 45 anos.

   Faleceu em 1966, fiel à suas ideias e ao Partido.


 Álvaro Cecchino representa o ser humano além de seu tempo, síntese do empreendedorismo proletário, forja da capacidade do povo em transformar uma vila em referência urbana, política e da indústria nacional ao mundo.   




A Escultura. 


     O projeto do paço municipal de americana apresentava uma grande praça onde os prédios da prefeitura era ladeado pela Câmara de Vereadores e um teatro, ao entrar ao prédio central teríamos um grande painel representando os trabalhadores.

       Ideia principal seria convidar o artista Elifas Andreato para sua criação.

                                          A grande praça ficaria limpa e livre.




A grande praça e na projeção do prédio o painel 




     O grande prefeito Dr. Tebaldi, o grande mentor do projeto elege seu substituto Erich Hetzl Jr. que me indica como interlocutor com o Dr. Oscar Niemeyer decorrente de minha amizade e vínculos ideológicos com o mestre. 



Eu, Oscar Niemeyer e Waldemar Tebaldi 


    A mim foi dada a missão de solicitar ao  Oscar Niemeyer um "novo projeto" em um novo terreno, o da União Operária.

   Ciente da importância política e os vínculos com o Dr. Tebaldi, aceitou em adequar o antigo projeto ao novo terreno, criação  no qual participei ativamente.   



Escritório de Oscar Niemeyer, onde trabalhávamos no novo paço
 

    Foi quando apresentei a proposta de homenagear Álvaro Cecchino com um  projeto de monumento  que o representa-se na  altura de sua dimensão  histórica, política e social.








   Seria composta de aço na forma que representasse a união de esforços dos trabalhadores rumo ao futuro, firme ,  participativo  na escala humana e servisse como um relógio de sol e marco  de  nosso desenvolvimento, mostrando o tempo e o norte de nosso desenvolvimento através das sombras compostas pela peça. Fiel ao lema de nosso escudo," Ex-labore dulcedo ",  do trabalho nasce  o prazer.











   Contávamos para tanto com a expertise dos profissionais de nosso observatório municipal, vontade das entidades sindicais ,  patronais e a  doação do novo terreno pela União  Operária e claro o a poio do autor do projeto, o mestre Oscar Niemeyer.












    Fiz questão de apresentar o projeto a ele, e firme como sempre achou mais que justa.

   O tempo passou, houve a alternância de poder e como Lênin escreveu "Um passo à frente e dois par'atrás " enquanto uns destroem o sonho.....


A maquete original do Paço, hoje destruída. 


Fazendo a maquete do monumento



        Nós a reconstruímos em maquete,  ....na certeza de sua construção na forja 
e luz, na leveza da utopia e a dureza da luta!! 







   

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A Pampulha, Dr. Oscar falou e a Bossa Nova tocou.

   O Dr. Oscar, sempre me falou que o inteiro de sua obra estava dividido em três etapas, a primeira da Pampulha à Brasília, sendo seus pontos a capela e a matriz, e daí para o Memorial da América Latina, indo aos dias atuais.



  
    Impossível conhecer todas as obras desse mestre, que foi do Brasil para Argélia, Europa ao Cazaquistão, cuja produção, longe das estrelas atuais da propaganda globalizada, é comparada em importância ao Michelangelo.

   Conheci pessoalmente a Capela da Pampulha na última sexta dia 13, ao me aproximar tive uma sensação diferente, tive a certeza que tinha encontrado o elo perdido da arquitetura moderna, a lembrança fala do mestre me guiava.

   Não a vi como fã do arquiteto apenas, mas numa leitura de nossa história, do povo e do país.

   Sua construção da capela se deu entre 1942 e inaugurado em 16 de maio de 1943 com a presença de Getúlio Vargas e o prefeito Juscelino Kubitschek. O complexo inteiro atual foi em 1944, período da virada e vitória aliada na 2° Guerra Mundial, distencionamento político entre as potencias liberais e socialistas.

   Comunhão artística da vanguarda do mundo progressista, final do horror fascista e seus monstros, inclusive na arquitetura.




O profano e público- Painel Portinari 
O religioso - cultural e privado- Portinari



O uso de abóbodas rompendo o registro previsível da alvenaria, telhado e relevos desnecessários nas construções.A divisão  entre o público e o privado, o profano e sagrado, do desenho  de tradição burguesa foi rompido. 


Portinari em primeiro plano


Painel de Paulo Werneck

   A estrutura simples calculada por Joaquim Cardoso, longe das vigas, pilotis e todos os formalismos da arquitetura estilo internacional de Corbusier e companhia, trouxe o início da arquitetura genuinamente brasileira atrelada à necessidade desenvolvimentista da tecnologia e da engenharia, no caso, o concreto, soberba nacional revelada ao mundo.

  O jogo de luzes provenientes dos trópicos, a religiosidade como tradição cultural e narrativa, o poder de criação positiva frente à adversidade social e econômica do povo aí estão descritas com muita sensibilidade.




   O planejamento realizado por marcos arquitetônico, fugindo do quadrado da praça com seu palácio, cadeia e igreja são substituídas pelo cassino, clube, capela, casa do baile e hotel devidamente projetados sobre o jardim tropical de Burle Marx. Símbolos dos novos poderes econômicos, nacional e aberto ao mundo,  e que seria sonorizado pela Bossa Nova 10 anos depois. 






   Encontro  que poderia ser reduzido em tempo, se não fosse pela tragédia da eleição de Dutra, que proibiu o jogo e as liberdades políticas em 1946, colocando o partido de Oscar Niemeyer e Portinari na ilegalidade.

   Somente em 1959 houve uma missa católica no local, pois o padre achava que a forma era uma provocação dos comunistas e alusão à foice e o martelo.
   
   A Casa do Baile fechou dois anos após o cassino em 1948 e o Hotel nunca foi construído.


Será??? Onde esta a foice e o martelo??


  Do país do futuro nos transformamos numa província nos anos que se passaram entre 1964  e 1985 , narrada esplendidamente em Saramandaia de Dias Gomes, nas peças de Ariano Suassuna e em filmes de Gláuber, claro, ao som da Bossa. 

  Cabem-nos narrar uma nova história, que apesar de breve e interrompida é nossa e com lastro cultural intenso, como o Dr. Oscar falou.


sábado, 7 de setembro de 2013

Arquiteto Victor Chinaglia, fala durante a abertura solene da 1ª Conferê...




  A 1° Conferência do CAU/SP representou a retomada do debate sobre o papel social do arquiteto e urbanista na produção de tecnologia e de capital, seu papel no campo do trabalho e sua aliança estratégica com os demais trabalhadores dentro do canteiro de obra e sua contribuição na construção de sociedade mais igualitária capaz de gerir uma cidade justa, desenvolvimento nacional soberano e tecnologia independente.

  Para tanto é necessário  não desassociar o trabalho intelectual do braçal ,  a arte do ofício e o desenho da produção, fortalecendo assim a aliança os que realmente produzem as riquezas nacionais, os trabalhadores.

  Intensos debates tratados nos dois dias da Conferência, trouxeram de volta os nomes de Artigas, Sérgio Ferro,  Rodrigo Lefévre, Lelé Figueiras que foram citados com insistência e temas como reforma urbana, canteiro de obras, moradia social e cidades democráticas foram exaustivamente  aprofundados. 

  O reencontro do arquiteto e urbanista com a sociedade!