A origem da palavra arquiteto é
grega e vem de ARKHITEKTÔN, ou seja, ARKHI = PRINCIPAL e TEKTÔN = CONSTRUTOR.
No início dominávamos as informações do ofício, sendo artista, operário e técnico,
frequentando o campo, ele operava e, portanto um operário.
Dominava o canteiro de obra dos templos e palácios das idades antiga e média, sua técnica construtiva e arte das riquezas dos detalhes.
Com a revolução burguesa e toda
sua divisão de tarefas correlatas ao mundo do trabalho, coube ao arquiteto apranchetar-se
(sic) e conquistar seu status, distanciando-se do canteiro de obras e
aproximando-se de sua nova função de dono de escritório proprietário
intelectual e muitas vezes dono material dos meios de produção.
No Brasil historicamente, a
elitização da profissão acompanhou as outras carreiras, pela dificuldade de
adentrar ao curso superior acentuada ao precoce ingresso dos filhos de trabalhadores no mercado de trabalho , difíceis processos seletivos das melhores escolas públicas e as poucas vagas nas faculdades de ponta, transformaram estrategicamente
as universidades em formadoras de
quadros da burguesia.
Prevaleceu o arquiteto com atribuições de
projeto desassociado ao canteiro e preso ao estilo eclético europeu,
importantes prédios representam esse período que tinha Paris como exemplo de
cidade moderna.
Esse ciclo profissional em São Paulo foi de 1893 com a fundação da Escola Politécnica
a 1948 ano da criação da FAU-USP.
A segunda etapa da arquitetura nacional foi marcada pelo modernismo e o advento tecnológico do concreto armado.
No Brasil, o prédio do Ministério de Cultura
e Saúde de Le Corbusier inicia o debate
sobre o estilo internacional de 1936. Brasília e a arquitetura paulista sintetizam a arquitetura moderna brasileira, inicialmente
formalista e em pouco tempo extremamente criativa, trazendo o desenvolvimento
tecnológico atrelado à marca do desenvolvimentismo.
Arquitetura musicada pela Bossa Nova!

Os debates sobre o papel social do arquiteto eram
realizados com fervor, que perduraram fraternalmente até o fatídico golpe
civil-militar de 1° de Abril de 1964 onde os dilemas internos do Partido
Comunista influenciaram e aguçaram as divergências e inicia a terceira fase da arquitetura brasileira.
Racha teórico sobre o tema colocara de um lado Artigas,
Paulo Mendes da Rocha, Fabio Penteado, Guedes e outros arquitetos filiados ou
próximos ao PCB e Sérgio Ferro, Rodrigo Lefevre e tantos outros que optaram
pela resistência armada.
Resumidamente, os primeiros defendiam o
papel dos arquitetos para responder a demanda do desenvolvimento
industrial nacional, independente dos retrocessos políticos de momento, deveriam assegurar a tecnologia necessária para preparar o terreno da revolução nacional
burguesa. O segundo grupo pregava a necessidade urgente de substituir o desenho distante da técnica produzida pela prática em conjunto com todos os trabalhadores e a
partir daí avançar a luta social.
O regime interviu em universidades, matou, exilou e prendeu centenas de arquitetos de todos os lados da resistência, afastando-os dos trabalhadores de um setor vital da ditadura, a construção civil. Debate prejudicado, mas visões que mostram-se convergentes e complementares nos dias atuais, como veremos.
Enquanto isso, o falso milagre brasileiro produziu uma nova elite na arquitetura e as diversas
crises que o sucederam, empurraram a maioria de nossos colegas a procurar buracos no
mercado de trabalho para atuação, quase sempre longe de nosso real papel
social.
Longe da produção da construção civil, coube a muitos colegas aderirem
à nova realidade do campo de trabalho.
A hegemonia do arquiteto
decorador, que Le Corbusier já na década de 20 e Artigas nos anos 40 no Brasil
criticariam tanto, não imaginavam que esse cenário fosse tão longo, e até hoje os poucos produtos
industrializados de qualidade, enfeitam as casas de nossa concentrada
burguesia, ao invés de ampliar o conforto dos trabalhadores.
Os caminhos atuais do capitalismo global impõem uma quarta fase da arquitetura nacional, estabelece a
figura do arquiteto alinhado ao projeto global de produção sem fronteiras, de
preferência sem leis trabalhista, licitações frágeis regulados pelo mercado, produzindo
projetos em escala mundial e de puro espetáculo e fantasia, o arquiteto prêt à
porter, a marca !
Sucesso de investimento, Cidade das artes no
Rio de Janeiro, Complexo cultural da Luz, Guggenheim Rio, estádios da copa etc.,
trazem as marcas de Portzamparc, Jean Nouvel e outras estrelas globais para passearem
pelo Brasil.
Quanto aos mortais profissionais restam resistir a esse macabro passeio que atrai junto o capital internacional com uma estratégia bem definida, formar mentes, incentivar o consumo e impor a urbanização incompleta, como fatores de dominação.
O sotaque
baiano de uma indústria transnacional de tubulações, o BRAS de outra de caixa d’água e telhas, as mantenedoras de faculdades com facilidades de intercâmbios internacionais,
não desmentem essa estratégia.
Mas enganam-se, nessa etapa
atual de democracia e liberdade de organização, arquitetos e urbanistas entram em novo ciclo de atuação, onde os investimentos públicos são essenciais
para aquecer o mercado de trabalho e definir nossa política dentro de um país ha ser construído.
Conscientes
de nossas forças produtivas e organizados, reivindicarmos investimentos na formação, acesso à produção tecnológica e valorização profissional, proporcional
a nossa importância na cadeia produtiva e no PIB nacional e indicar
outros caminhos.
Traduzindo, assistência
técnica gratuita, carreira de estado, investimento em educação e aumento de
recursos na demanda social das cidades com altos investimentos públicos.
A nossa verdadeira marca esta intrinsecamente atrelada às cidades, seus problemas, soluções e seus habitantes.
A nossa verdadeira marca esta intrinsecamente atrelada às cidades, seus problemas, soluções e seus habitantes.
Resumindo, rompermos a máxima que sempre
estivemos a serviço de pequenos reis e falsos deuses de longínquos impérios. O futuro esta nas URBI ET ORBI.


































