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sábado, 9 de maio de 2020

Pão nosso de cada noite.


Victor Chinaglia 09/05- 48° dia de quarentena

Poemas que saem 
do calor das  fornadas
em  paixões, 

aquecem e fortificam corpos ,copos e almas, 
da mesma semeadura fermentada ,
da noite profana ou sacra .

Do chão sagrado da padaria ,
saem a representação
do corpo de Cristo e 
o pãozinho da madrugada ,
hóstia dos boêmios
da noite expurgada . 

Comunhão que renova-se 
a cada amanhecer
pelos  notívagos ,
padeiros de perfumes ,
que saem de letras em frases imantadas , 

poemas ,

pandemias de amor 
em padarias próximas, 

lugar sempre permitido ,
templos nessa quarentena 
de solidaria solidão , 
devemos !

Dividir o amor,
como se divide o
pão!

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Portões sem trincas





Solidão forçada 
duas vezes ,

por dois
portões
uma 
decisão .

A tortura 
na lembrança 
constante 
nos  espaços 
vazios 
de tempo, 
que 
aumentaram , 

esperança 
à'calmar 
desespero 
como 
num 
templo,

não 
 desistir 
como carteiro 
que vê as centenas 
de cartas colocadas
na   caixa de correio
                         lotada, 

talvez  
lidas,
e se  acolhidas,
cada palavra 
protegida
num coraçãozinho , 

 relicário 
que bate 
como segredo 
que abrirá 
portões 
e desejos.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

terça-feira, 21 de abril de 2020

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Demasiadamente humano.






 Esse pequeno cobertor foi usado pelo Victorio Chinaglia no DOPS entre intervalos de interrogatórios e torturas , quando ele respondeu em "liberdade" por crime de consciência instituído pelo AI-5  e trouxe em meio as suas parcas roupas .
Esse material ficou escondido nos maleiros de meus pais que moravam em São Paulo por toda a ditadura, eu olhava para ele como um santo sudário , quantos sofrimentos, ferimentos e torturas foram aquecidos ou mesmo limpos por ele. Após sua morte ainda em nossa jovem democracia que não atingia dois dígitos de idade resolvi fazer uma homenagem a todos que usaram esse pano.
Pintei um torturado de ponta cabeça , um fantasma humano em posição de carne de um açougue macabro e a mão de meu avô tentando pegar a minha entre marcações de tempo, barras de ferro e a bandeira brasileira queimando, como um cristo desconstruído, esta  pendurado em eixos de madeira com correntes, parafusos e  porcas lembrando um pau-de-arara.

Material : Fibras diversas.  
1.35 X 1.75, 
 menor que cobertores populares atuais 1.70 x 1.90. 
Tinta óleo.