A qualidade e eficácia dos sentidos humanos, longe de ser um dom divino e metafísico, trata-se de um processo genético e sua evolução educativa, quase sempre de difícil acesso a toda a população.
A visão por requerer pouca energia e pela infinidade de informação acumulada numa fração de segundos é o mais democrático dos sentidos.
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| As cores das luzes do sol e das florestas |
Cada povo dentro desse processo educativo e exaustivos exercícios ao reflexo do sol na natureza, enxergam o mundo em diferentes cores e tonalidades.
Na carta dita batismal de Pero Vaz, as cores permeiam o texto e embebedam os lusitanos pela intensidade e sua variedade aqui encontrada.
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| Artista Maria Lúcia |
Sob a luz constante dos trópicos, formou-se a cultura das cores vivas que ilustra as casas nordestinas e as vilas operárias desprovidas de formalismo, a pintura primitivista e o nosso rico artesanato.
As academias de ofícios e Belas Artes , no caminho inverso, produziam a arte dita culta aos moldes das escolas europeias com seu clima frio e cores soturnas.
O rompimento definitivo no Brasil com o academicismo se deu com a Arte Moderna Brasileira de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Portinari, Di Cavalcante, Aldo Bonadei tantos outros que reproduziram nosso cotidiano e nossas cores.
Alfredo Volpi, também modernista, distinguia 98 tons de amarelo, transformando suas famosas bandeirinhas das festas populares numa verdadeira régua cromática.
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| Festa em Marechal Deodoro-AL |
Das artes, a arquitetura é a que menos evoluiu quanto ao uso de cores como elemento da composição estética.
Fato ao relativo atraso tecnológico no desenvolvimento de novos pigmentos de durabilidade, brilho e preço acessível e ao domínio do branco ao modernismo na arquitetura.
Exemplos de arrojos estiveram presentes nas obras que empreenderam os azulejos, que davam uma conotação tropical e protegem o edifício das chuvas e do calor constantes , citamos as obras de Niemeyer que usou e abusou das peças de Portinari e de Athos Bulcão e o trabalho genial de Antônio Maluf.
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| Trabalho de Antônio Maluf no conjunto de edifícios ao lado do COPAM-SP |
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| Prédio do Ministério da Educação e Cultura no RJ, mural Portinari |
O arquiteto Ruy Ohtake lida com as cores que aproximam-se das casas populares a exemplo do trabalho realizado na Favela de Heliópolis e de novos materiais com suas tonalidades longe do acesso dessa população que representam um terço dos 11 milhões de paulistanos.
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| Heliópolis |
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| Centro Cultural Tomie Ohtake |
Em Americana entre 2002 e 04 realizamos pinturas em prédios públicos que buscavam releituras de suas arquiteturas ressaltando detalhes, redefinindo seus papéis na paisagem urbana e exteriorizando sua funcionalidades, rompendo com frágeis códigos que ainda regem a cultura massificante a nós imposta, demonstrando avanços tecnológicos de pigmentos e principalmente ajudar na educação visual em grande escala.
O Mercado Municipal de Americana, a pintura foi debatida com os comerciantes e paga pelos mesmos, houve ainda a reforma dos banheiros e estacionamento para eles e funcionários, área em que batemos de frente com a concessionária pós privatização da rede ferroviária. O autor do projeto era um funcionário de carreira da prefeitura técnico e conseguiu fazer a primeira obra pública moderna de Americana na década de 50, fato que grafamos em sua entrada, brises de ferro, pilares estruturais e estéticos e formas modernistas.As cores salientam essa leitura.
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Viaduto Centenário, principal via de acesso à cidade e que sobrepõe ao Ribeiro Quilombo e todo o complexo viário da cidade, aqui a pintura teve como objetivo riscar a paisagem em laranja e vermelho, além da estética aumentar a segurança em semáforos e vias alternativas aos trabalhadores que transitam embaixo dele para encurtar caminho ao terminal de ônibus, ali teria um teatro de arena e pistas de esportes radicais para ocupar um espaço lindo sem utilidade-foto ao lado- e sem conflito com os moradores para tal utilidade proporcionando eventos musicais e de esportes que concentram grande presença de jovens. A área também era do espólio da privatização da FEPASA e o governo do Estado não cedeu á municipalidade para fazermos a praça. Tentávamos assim , evitar a higiene social e a arquitetura anti-moradores de rua e transformar espaços sem uso em utilidade educativa e social ao povo. |
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| O Viaduto Amadeu Elias foi a primeira obra de sobre posição viária que rompeu o falso isolamento imposto pelo Ribeirão Quilombo e a linha férrea, no qual deveríamos sermos eternamente grato, mas ganhamos de presente uma obra precária e feia, a ideia foi amenizar seu impacto diluindo sua forma na paisagem, pintando-o da cor do céu. |
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Origem de nossa cidade a estação ferroviária de Americana segue o plano de padronização da arquitetura frente a influencia da industrialização e o fator histórico.
Não ousamos nos tons mas valorizamos cada detalhe do mestre artesão. |
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O Paço Municipal foi a segunda obra pública em enovar na forma e aderir ao modernismo, obra do arquiteto Sayão tinha elementos importantes como referência histórica e do progresso que a cidade vivia, os brises, planos livres internos o concreto armado em modelagem e seus volumes atrativos e incorporados a fachada funcional adentra nossa cidade ao progresso do modernismo.
O autor adorou o resultado. |
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| Claro, o aumento do espaço de circulação dos pedestres integrando grande parte desses marcos históricos. Tudo foi construído de forma coletiva, ficou em pé nas gestões posteriores , o debate democrático envolvendo a sociedade civil organizada, moradores, comerciantes e funcionários públicos participantes de todos os processos de obras, é mais demorado em resultados, mas o mais duradouro. Basta visitar Americana e ver o respeito ao patrimônio público de qualidade. |
Definitivamente, o volume e a cor são partes indissolúveis da forma!
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