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sexta-feira, 31 de maio de 2013

AFFONSO REIDY E DRUMMOND, ENCONTRO FANTÁSTICO

    A história brasileira é repleta de grandes encontros, sempre conflitantes  , exemplo que o  destino reservou para   Padre Cícero, Lampião e Luiz Carlos Prestes durante a jornada heroica da Coluna ,  amorosos... Tarcila do Amaral, Oswald de Andrade e Pagú ou intelectual Oscar Niemeyer e Joaquim Guedes, mas esse foi de uma pureza que somente Drummond e Reidy poderiam ser protagonistas, tristeza  que revela mais do que uma linda amizade,  o quanto arquitetura e poesia se confundem e se fundem . 


    “A morte de Affonso Eduardo Reidy desperta-me antes de tudo uma sensação de coisa errada, fora de norma e ritmo.
      Como se ele, cedendo à modéstia, houvesse furado a fila dos mais velhos, que estavam na sua frente, para chegar primeiro.
       Reidy era a distinção, a finura em pessoa, não podia passar à frente de outros.  Tinha um modo tão seu de trabalhar em discrição, como tantos outros trabalham em apoteose.
    Sua vida merecia ter sido longa e protegida dos males cruéis. E depois, apenas um cinqüentão, ele tinha ainda muito que fazer por causa do muito que já fizera.
     Nós, usuários dessa criação, estamos sempre exigindo mais. Nada pedimos aos omissos e aos estéreis, mas de um sutil manipulador de forma e espaço, como Reidy, quanta coisa se podia esperar ainda!”

Carlos Drummond de Andrade , em momento de tristeza pelo falecimento de REIDY.


Tudo isso aconteceu no dia 10 de agosto de 1964, ano do golpe militar no Brasil que matou e prendeu patriotas e  calou nossa cultura por 21 anos.






domingo, 26 de maio de 2013

1° CONFERÊNCIA ESTADUAL DE ARQUITETOS E URBANISTAS



Um caminho democrático:
a nossa 1 ª Conferência

COMISSÃO DA VERDADE -ARTE , O OBJETO E O DESENHO.

      Em dias de depoimentos e pressões populares sobre a Comissão da Verdade, que investiga os crimes cometidos nos tempos de ditadura militar, eu passei e ainda passo, parte dessa história digna de suspense, aventura e amor.
     Meu avô paterno, Victorio Chinaglia, era um militante e dirigente do Partido Comunista Brasileiro-PCB, segundo fontes desde 1933, após uma militância anarquista na Liga Anticlerical.
     Numa das várias prisões de sua vida, ele ao sair depois de dias e  meses nos idos de 1975, trouxe consigo um dos cobertores da alcova e, este permaneceu escondido na casa de meus pais por longos anos.  

     Por receio ou medo lá ficou, no alto do maleiro de um guarda roupa, eu  então menino perguntava por que não podia mexer ou mesmo usá-lo e com o tempo, transformou-se em objeto demonstrativo  da firmeza daquele senhor, em suportar torturas e privações em nome da liberdade e de seu  povo.
     Sempre que podia ,Victorio  ia  a São Paulo  ver  seu filho e dormia no meu quarto , lá nesse pequeno convívio,  me ensinou geografia, história e claro política, na minha tenra infância era uma enorme aventura cujo o herói estava presente e mais, era meu avô!!!
      Cresci,  estudei conforme combinado com ele, posteriormente  fui morar em sua casa em Campinas, no período da faculdade de arquitetura entre  1985 e 1990.
       No mesmo ano de minha chegada, o PCB  legalizou-se , ele seu presidente municipal e eu membro da Juventude Comunista, militante estudantil e seu camarada de partido.Tudo!!!
     Ele faleceu em 1991, logo após minha formatura, resolvi então dar vida ao objeto clandestino, melhor..transformar em uma tela, cujo o suor e o sangue do martírio ali estavam, um sacro do materialismo.
        O quadro foi pintado em 1995 na minha ida a São José dos campos a serviço da militância.
                                 Oportunidade de  reencontra-lo  na história.

sábado, 11 de maio de 2013

A CASA MONDRIAN, FUNCIONALISMO E FORMALISMO SUBJETIVO

   Enxergar  a arquitetura moderna através da crítica,  produziu  paisagens que realmente questionam nossa  profissão e mais, esconde o caráter ideológico por traz da alienação de conceitos das construções.
   Sou fruto e filho do modernismo. Justificado pelo prestígio adquerido pelos arquitetos brasileiros com a construção de Brasília e outros prédios ícones , acentuado pelo papel  de nossos profissionais na formação política e intelectual de nosso povo, determinantes em minha escolha.
     Fato nato que não impede o olhar novo e de futuro. 
    Romper com o formalismo do estilo internacional e praticar o funcionalismo  é um divertimento que requer conhecimento e firmeza ideológica, brincar com a cultura e a arte é um jogo perigoso e difícil, mas prazeroso no sentido masoquista.Vide futuras críticas.
   Fui contratado para projetar uma residência no prestigiado Distrito de Barão Geraldo em Campinas, terra de professores, alunos e boêmios, onde esta a UNICAMP.
    Nesse caso era um imóvel para uma senhora que ficaria próxima dos filhos em um terreno bem arborizado e agradável.