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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A Pampulha, Dr. Oscar falou e a Bossa Nova tocou.

   O Dr. Oscar, sempre me falou que o inteiro de sua obra estava dividido em três etapas, a primeira da Pampulha à Brasília, sendo seus pontos a capela e a matriz, e daí para o Memorial da América Latina, indo aos dias atuais.



  
    Impossível conhecer todas as obras desse mestre, que foi do Brasil para Argélia, Europa ao Cazaquistão, cuja produção, longe das estrelas atuais da propaganda globalizada, é comparada em importância ao Michelangelo.

   Conheci pessoalmente a Capela da Pampulha na última sexta dia 13, ao me aproximar tive uma sensação diferente, tive a certeza que tinha encontrado o elo perdido da arquitetura moderna, a lembrança fala do mestre me guiava.

   Não a vi como fã do arquiteto apenas, mas numa leitura de nossa história, do povo e do país.

   Sua construção da capela se deu entre 1942 e inaugurado em 16 de maio de 1943 com a presença de Getúlio Vargas e o prefeito Juscelino Kubitschek. O complexo inteiro atual foi em 1944, período da virada e vitória aliada na 2° Guerra Mundial, distencionamento político entre as potencias liberais e socialistas.

   Comunhão artística da vanguarda do mundo progressista, final do horror fascista e seus monstros, inclusive na arquitetura.




O profano e público- Painel Portinari 
O religioso - cultural e privado- Portinari



O uso de abóbodas rompendo o registro previsível da alvenaria, telhado e relevos desnecessários nas construções.A divisão  entre o público e o privado, o profano e sagrado, do desenho  de tradição burguesa foi rompido. 


Portinari em primeiro plano


Painel de Paulo Werneck

   A estrutura simples calculada por Joaquim Cardoso, longe das vigas, pilotis e todos os formalismos da arquitetura estilo internacional de Corbusier e companhia, trouxe o início da arquitetura genuinamente brasileira atrelada à necessidade desenvolvimentista da tecnologia e da engenharia, no caso, o concreto, soberba nacional revelada ao mundo.

  O jogo de luzes provenientes dos trópicos, a religiosidade como tradição cultural e narrativa, o poder de criação positiva frente à adversidade social e econômica do povo aí estão descritas com muita sensibilidade.




   O planejamento realizado por marcos arquitetônico, fugindo do quadrado da praça com seu palácio, cadeia e igreja são substituídas pelo cassino, clube, capela, casa do baile e hotel devidamente projetados sobre o jardim tropical de Burle Marx. Símbolos dos novos poderes econômicos, nacional e aberto ao mundo,  e que seria sonorizado pela Bossa Nova 10 anos depois. 






   Encontro  que poderia ser reduzido em tempo, se não fosse pela tragédia da eleição de Dutra, que proibiu o jogo e as liberdades políticas em 1946, colocando o partido de Oscar Niemeyer e Portinari na ilegalidade.

   Somente em 1959 houve uma missa católica no local, pois o padre achava que a forma era uma provocação dos comunistas e alusão à foice e o martelo.
   
   A Casa do Baile fechou dois anos após o cassino em 1948 e o Hotel nunca foi construído.


Será??? Onde esta a foice e o martelo??


  Do país do futuro nos transformamos numa província nos anos que se passaram entre 1964  e 1985 , narrada esplendidamente em Saramandaia de Dias Gomes, nas peças de Ariano Suassuna e em filmes de Gláuber, claro, ao som da Bossa. 

  Cabem-nos narrar uma nova história, que apesar de breve e interrompida é nossa e com lastro cultural intenso, como o Dr. Oscar falou.


sábado, 7 de setembro de 2013

Arquiteto Victor Chinaglia, fala durante a abertura solene da 1ª Conferê...




  A 1° Conferência do CAU/SP representou a retomada do debate sobre o papel social do arquiteto e urbanista na produção de tecnologia e de capital, seu papel no campo do trabalho e sua aliança estratégica com os demais trabalhadores dentro do canteiro de obra e sua contribuição na construção de sociedade mais igualitária capaz de gerir uma cidade justa, desenvolvimento nacional soberano e tecnologia independente.

  Para tanto é necessário  não desassociar o trabalho intelectual do braçal ,  a arte do ofício e o desenho da produção, fortalecendo assim a aliança os que realmente produzem as riquezas nacionais, os trabalhadores.

  Intensos debates tratados nos dois dias da Conferência, trouxeram de volta os nomes de Artigas, Sérgio Ferro,  Rodrigo Lefévre, Lelé Figueiras que foram citados com insistência e temas como reforma urbana, canteiro de obras, moradia social e cidades democráticas foram exaustivamente  aprofundados. 

  O reencontro do arquiteto e urbanista com a sociedade!




  


domingo, 4 de agosto de 2013

A 1° CONFERÊNCIA DE ARQUITETOS E URBANISTAS, O REENCONTRO DO DESENHO E O CANTEIRO.

     


    A 1° Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP foi realizado nos dias 1 e 2 de agosto, mas sua concepção e organização foi muito antes, iniciada com a aprovação do regimento interno do próprio conselho estadual.

    A necessidade   compreender a atualidade das entidades do finado Colégio Brasileiro de Arquitetos-CBA após a tarefa comprida frente a realização histórica do CAU, e a real definição de que regemos, fiscalizamos e disciplinamos as atividades relativas a arquitetura e urbanismo em todos as suas esferas de atuação , portanto nascemos para defender a sociedade dos maus profissionais, sejam eles a serviços de quem forem e assim preservar em atividade os capazes profissionais.

    A conferência foi o debate dos especialistas da área com a sociedade.

  O papel histórico dos arquitetos e urbanistas cresceu com a urbanização majoritária da sociedade brasileira, sua importância frente aos desafios do desenvolvimento econômico estabelecidos no fortalecimento de setores ligados diretamente a nossa profissão e na oportunidade de intervir aonde nós não fomos convidados , na política oficial de estado da habitação e  planejamento urbano e os resultados perigosos da movimentações  produtivas  do pré-sal e suas consequências no território nacional.

  Realizamos 12 encontros regionais, 5 micro-regionais e mais de uma dezena de municipais, percorremos mais de 5 mil quilômetros para compreender as diversidades de atuações  dos arquitetos e suas contribuições nas construções das cidades paulistas e nos desempenhos econômicos regionais.

 O papel fundamental de nossa profissão dentro da cadeia produtiva da construção civil e  os reflexos nos   aglomerados urbanos sob a ótica do desenvolvimento econômico e das transformações do campo de trabalho de nossos profissionais.

 Nomes como os arquitetos Lelé Filgueiras, Sergio Ferro e Rodrigo Léfevre em sintonia com Artigas, Niemeyer, Fabio Penteado foram amplamente citados. 

 A participação de Miguel Pereira, Paulo Mendes da Rocha e Ciro Perondi em diálogo com Pedro Fiori, João Whiteker, Rafic Farah e Marco Antonio Alves- Kim, a participação dos movimentos sociais ligados à luta pela reforma urbana e ao direito às cidades, demonstra o caminho do debate democrático do CAU/SP por opção política.

 Debates sobre o papel dos arquitetos e urbanista cadeia produtiva e tecnológica da construção civil, a formação e ensino, ética e globalização, o papel social dos arquitetos e urbanistas, a defesa do Estado/Nação e da arquitetura pública, afirmam a coragem em democratizar o debate em cima de temas que foram e são caros frente a mercantilização como ideologia dominante de nossa pequena e enraizada elite.

  Mais que abrir para a sociedade o debate, dizer o caminho a ser trilhado para contribuir com o desenvolvimento soberano, tecnicamente independente, demonstrado no documento aprovado nessa conferência histórica.

  Não mais desassociar  a arte do ofício, do trabalho intelectual do braçal.

  Aprofundar o debate plural e posicionar-se a favor das cidades inclusivas e democráticas.

  Reconciliar o desenho com o canteiro de obra.





  

   TAREFA DOS ARQUITETOS E URBANISTAS DO         CAU/SP



O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, criado em 2010, resultado de 52 anos de luta, apresenta grandes responsabilidades e expectativas, além de ser oportunidade histórica para os profissionais resgatarem o protagonismo e os compromissos com o desenvolvimento nacional e a construção das cidades. O surgimento do CAU possibilita maior valorização da profissão, o aprimoramento do ensino e da conduta ética e maior rigor nos projetos, execução e fiscalização das construções.

Nesse sentido, a realização da 1a Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP evidencia novo convite ao diálogo e à reflexão, com a sociedade e Governos, a respeito do empenho dos arquitetos e urbanistas das diversas regiões do Estado de São Paulo com os temas sensíveis à profissão.

O papel do arquiteto e urbanista está diretamente relacionado à qualidade de vida e à defesa da reforma urbana e do direito à cidade, entendendo esses temas como essenciais na construção de uma nação mais justa e democrática. No entanto, observando os conflitos em nossas cidades, fica claro que as decisões acerca da produção do espaço priorizam o mercado, em detrimento à universalização de melhores condições urbanas, fatores que ficaram evidentes nas recentes manifestações das ruas.

A cadeia produtiva da construção impõe reposicionamento de nossa categoria frente às atividades da arquitetura e do urbanismo, demandando a reconciliação do desenho com o canteiro de obras. O atual momento da economia abriu o mercado da construção civil, sendo fundamental a atuação dos arquitetos e urbanistas no planejamento destas grandes intervenções.

Propostas de compromissos do CAU/SP:

- promover e incentivar de forma articulada, com as diversas esferas de Governo, sociedade civil organizada, universidades e órgãos de fomento ao desenvolvimento tecnológico, a busca dos avanços na qualidade de vida, reclamados nas ruas e praças das cidades, cumprindo os ideais éticos do papel social do arquiteto e urbanista na perspectiva da reforma urbana e do combate à segregação sócio-espacial;

- garantir o direito das populações e cidades desassistidas às atividades profissionais, promovendo o controle social dos órgãos formuladores de políticas públicas na constituição de seus espaços administrativos, nos conselhos das cidades, nos processos de elaboração dos planos diretores municipais participativos e na formulação orçamentária;

- atuar junto aos órgãos públicos, privados e jurídicos, na defesa de ações que promovam o direito à cidade como avanço da democracia e da participação social;

- atuar junto aos órgãos de ensino, pesquisa, extensão e de Governo para ampliar o fomento e espaços institucionais que possibilitem a atuação prática e teórica dos estudantes, junto às formulações e execuções de políticas públicas de arquitetura e urbanismo;

- incentivar mudanças nos currículos dos cursos de arquitetura e urbanismo em busca de novos conhecimentos e tecnologias voltadas às novas demandas vindas da sociedade, tal como a assistência técnica pública e gratuita.


Estas são as principais tarefas e desafios dos arquitetos e urbanistas na colaboração para a construção de cidades, Estado e uma Nação mais justa, soberana e tecnologicamente independente.



São Paulo, 2 de agosto de 2013 - Memorial da América Latina.



sexta-feira, 14 de junho de 2013

OS ARQUITETOS E URBANISTAS E AS MANIFESTAÇÕES EM NOSSAS CIDADES


As manifestações que acontecem em várias cidades do Brasil, demonstram claramente que o modelo urbanístico calcado no desenho imposto pelas industrias multinacionais automobilísticas e de ocupação ao gosto do mercado especulativo não funciona mais.

Em São Paulo esse modelo esta sendo  implantado desde a década de 30 iniciado pelo Plano de Avenidas do engenheiro  Preste Maia.Canalizaram  rios e abriram-se  frentes de especulação imobiliária em terras até então dominadas pela natureza, transformando-se em corredores de automóveis sem limites, deslocando milhares de migrantes a "morarem" em periferias distantes desregulamentadas .


A  zona leste de São Paulo é a sua face mais cruel  dessa política urbana concentradora de renda e de espaços.

O transporte individual de 7 toneladas transportando um imbecil de 70 quilos é a  face mais refinada da elite consolidada sob esse modelo.

Do total do solo urbano, 25% esta destinado ao automóvel enquanto 30% da população vivem em favelas e cortiços.  

As políticas públicas de transporte e mobilidade urbana, sempre estiveram a serviço da dupla, indústria multinacional e especulação imobiliária, definindo-se como liberais em oposição ao planejamento da cidade,  vide os bondes da Light, suplantados pelos ônibus a diesel , agora ameaçados pelas peruas e vans,  pelo baixo investimento em metrô e toda a pobreza de repertório tecnológico de alternativas de transportes coletivos de nossas cidades.


Junta-se ao esgotamento dessa  vertente  neoliberal no urbanismo, a falta de clareza de projetos de nossos governantes, hoje não vemos diferenças nas políticas do Maluf, Alckmin, Kassab e Haddad,basta olhar quem compõe seus  palanques e suas fotos na grande imprensa.


Triste ver o governador mais reacionário dos últimos anos com o atual prefeito PTista em Paris, enquanto a cidade pega fogo com manifestações, em discurso uníssono contra a população e a distância coordenam a polícia repressora e pronunciam-se pelos meios de comunicações patrocinados pelo velha dupla, multis e especuladores.

Estive ontem, após  reuniões no Conselho de Arquitetura e Urbanismo de SP, nas manifestações na região central, constatei manipulação dos programas do Datena e do Marcelo Resende, mentindo estarem ao vivo, transferindo o caos urbano, o impedimento do direito de ir e vir e a violência para os manifestantes. O apresentador do boçal  programa Cidade Alerta chegou a manipular a enquete devido a alta adesão da população aos manifestantes.

Manifestantes, esses compostos por estudantes pobres, cansados de se expressarem apenas por grafites e hap e engrossada espontaneamente pelos trabalhadores do centro, como pude constatar pessoalmente.


A sorte desses governantes é que o núcleo dirigente dos manifestantes é pequeno e frágil, incapazes de ampliarem suas demandas   para outras categorias tradicionalmente mais organizadas e com tradições de lutas reivindicatórias .Os trabalhadores da CTPM  efetivaram a paralisação do sistema de transporte de trens metropolitanos , alertando sobre as possibilidades de unificar e ampliar o movimento, principalmente entre os urbanitários.

Os arquitetos e urbanistas não poderão se omitirem frente a essa situação, as nossas entidades devem se pronunciarem e contribuírem para debater e buscar  soluções práticas para nossas cidades e o desenvolvimento solidário  de nossa população.

Consolidar e resgatar sua história de parceiro privilegiado nas lutas sociais urbanas sempre ao lado dos trabalhadores.  

Apoio total as manifestações e pela ampliação das mobilizações em defesa da reforma urbana, mobilidade social e territorial das cidades, fonte matriz do desenvolvimento e bem estar dos trabalhadores.