O Dr. Oscar, sempre me falou que
o inteiro de sua obra estava dividido em três etapas, a primeira da Pampulha à
Brasília, sendo seus pontos a capela e a matriz, e daí para o Memorial da
América Latina, indo aos dias atuais.
Impossível conhecer todas as obras
desse mestre, que foi do Brasil para Argélia, Europa ao Cazaquistão, cuja
produção, longe das estrelas atuais da propaganda globalizada, é comparada em
importância ao Michelangelo.
Conheci pessoalmente a Capela da
Pampulha na última sexta dia 13, ao me aproximar tive uma sensação diferente,
tive a certeza que tinha encontrado o elo perdido da arquitetura moderna, a
lembrança fala do mestre me guiava.
Não a vi como fã do arquiteto apenas,
mas numa leitura de nossa história, do povo e do país.
Sua construção da capela se deu
entre 1942 e inaugurado em 16 de maio de 1943 com a presença de Getúlio Vargas
e o prefeito Juscelino Kubitschek. O complexo inteiro atual foi em 1944, período da virada e vitória aliada na 2° Guerra Mundial,
distencionamento político entre as potencias liberais e socialistas.
Comunhão artística da vanguarda
do mundo progressista, final do horror fascista e seus monstros, inclusive na
arquitetura.
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| O profano e público- Painel Portinari |
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| O religioso - cultural e privado- Portinari |
O uso de abóbodas rompendo o
registro previsível da alvenaria, telhado e relevos desnecessários nas
construções.A divisão entre o público e o privado, o profano e sagrado, do desenho de tradição burguesa foi rompido.
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| Portinari em primeiro plano |
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| Painel de Paulo Werneck |
A estrutura simples calculada por Joaquim Cardoso, longe das
vigas, pilotis e todos os formalismos da arquitetura estilo internacional de
Corbusier e companhia, trouxe o início da arquitetura genuinamente brasileira
atrelada à necessidade desenvolvimentista da tecnologia e da engenharia, no
caso, o concreto, soberba nacional revelada ao mundo.
O jogo de luzes provenientes dos
trópicos, a religiosidade como tradição cultural e narrativa, o poder de
criação positiva frente à adversidade social e econômica do povo aí estão
descritas com muita sensibilidade.
O planejamento realizado por marcos
arquitetônico, fugindo do quadrado da praça com seu palácio, cadeia e igreja são
substituídas pelo cassino, clube, capela, casa do baile e hotel devidamente projetados sobre o jardim tropical de Burle Marx. Símbolos dos
novos poderes econômicos, nacional e aberto ao mundo, e que seria sonorizado pela Bossa
Nova 10 anos depois.
Encontro que poderia ser reduzido em tempo, se não fosse pela
tragédia da eleição de Dutra, que proibiu o jogo e as liberdades políticas em
1946, colocando o partido de Oscar Niemeyer e Portinari na ilegalidade.
Somente em 1959 houve uma missa católica no local, pois o
padre achava que a forma era uma provocação dos comunistas e alusão à foice e o
martelo.
A Casa do Baile fechou dois anos após o cassino em 1948 e o Hotel nunca foi construído.
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| Será??? Onde esta a foice e o martelo?? |
Do país do futuro nos
transformamos numa província nos anos que se passaram entre 1964 e 1985 , narrada esplendidamente em Saramandaia de Dias
Gomes, nas peças de Ariano Suassuna e em filmes de Gláuber, claro, ao som da Bossa.
Cabem-nos narrar uma nova
história, que apesar de breve e interrompida é nossa e com lastro cultural
intenso, como o Dr. Oscar falou.






















