CONSCIÊNCIA DE CLASSE E A NOVA TAREFA DOS
ARQUITETOS.
Arq. e Urb. Victor Chinaglia
Conselheiro reeleito do CAU/SP
Dir. de Assuntos Jurídicos e legislativos SASP
Diretor Região Sudeste FNA
1-Histórico
O desenvolvimento dos sindicatos
no Brasil acompanha o processo político e econômico do fim da escravatura e da hegemonia do trabalho assalariado.
Ao final do século 19 é criada a
Escola Politécnica -1893, entre os engenheiros de várias especialidades, os
poucos engenheiros-arquitetos. Período da república velha apesar do forte
caráter agrícola, nossos profissionais travaram a luta pelo desenvolvimento da
indústria e da tecnologia nacional, e nas campanhas de saneamento das cidades, principalmente nos períodos das febres espanholas e amarelas.
Os primeiros sindicatos foram oficializados pelo
Dec. 979 de 1903 apenas para os trabalhadores rurais, carregando forte carga patrimonialista
e opressora ainda típica de uma sociedade escravocrata.
Nas cidades, influenciado pelos imigrantes
europeus de tradição anarco-sindical, obrigam ao governo da República Velha a legalizar
suas organizações em 1907 pelo Dec. 1637, e apesar de frágeis e da forte
repressão policial, organizaram várias ações reivindicatórias marcantes, dentre
elas a famosa greve de 1917 em São Paulo, neste ano funda-se o Instituto de
Engenharia - SP atrelada à elite urbana recém constituída.
Nos dois primeiros governos de
Getúlio, os sindicatos ganham praticamente o formato que temos hoje, com
unicidade territorial, contribuição compulsória dos trabalhadores e a CLT, mas
a intervenção do Estado na estrutura sindical é fortíssima e hegemônica, restringindo a
participação em um terço de trabalhadores, os estrangeiros, além das infiltrações em suas organizações da temida
Delegacia Especial de Segurança Política e Social (DESPS) criada em 1933 pelo
Decreto n° 22.33.
Pós Revolução de 1930, em São
Paulo, sempre influenciado pela instabilidade política decorrente da oposição
de setores da velha república em seu principal reduto, a cidade de São Paulo teve
sucessivos prefeitos de curtíssimos mandatos que eram os chefes do Departamento
de Obras, dentre eles os Urbanistas Anhaia de Mello 1930 e Artur Saboia 1932. Os
profissionais municipais fundariam a Sociedade de Engenheiros, Agrônomos posteriormente , Arquitetos
Municipais- SEAM em 1936.
Em 1933 é criado o sistema
CREA/CONFEA que regulamentou nossa profissão, à partir da iniciativa dos
agrônomos que contavam com o apoio do filho do Getúlio e a simpatia do
pai, foi reflexo direto da visão na necessidade da industrialização do país,
não a toa é fundada a Universidade de São Paulo, a USP em 1934.
O Brasil inovava em um mundo
destruído pelas guerras no início do século XX e colocava o país no calendário
das utopias contemporâneas. Funda-se em 1943 o Departamento São Paulo do IAB
com Eduardo Kneese de Mello na presidência e Vilanova Artigas de secretário e 1947
definitivamente engenharia e arquitetura tornam-se formações distintas com as
faculdades do Mackenzie e da USP em 49.
Coube somente na constituição de
1946 pós Estado Novo o direito de greve para os trabalhadores e liberdade
sindical.
O chamado período denominado nacional
desenvolvimentista dos governos Getúlio e os que sucederam entre 1954 e 1964 tornaram
possível a construção da Pampulha, em Belo Horizonte, da cidade de Brasília e de toda a
arquitetura e engenharia brasileira moderna calcada no concreto armado, da
nascente tecnologia nacional e de investimento público, a liberdade sindical existiu com relativa tranquilidade nesse período, mas durou muito pouco,
pois o regime de exceção de 1964 interviu e cassou os dirigentes sindicais nos
primeiros atos do novo regime.
O rompimento abrupto, impôs restrições à toda sociedade e induziu o pensamento crítico ao regime, levando muitos arquitetos
nesse contexto, assumirem posições além responsabilidades profissionais as sociais e políticas, atuando na resistência democrática.
Durante esse regime de exceção, o
distanciamento dos quadros mais combativos e preocupados com a função social dos arquitetos e urbanistas ,com a sociedade foi inevitável. Os trabalhadores, artistas e
agentes intelectuais – arquitetos entre eles, portanto – sofreram fortes
restrições em seus canais de comunicação inclusive com prisões e expulsões nas universidades públicas e restrições de toda ordem inclusive economica . Seguiu-se o caminho
da concentração de renda e do capital monopolista nacional e multinacional.
Proliferaram mais construtoras de
obras públicas propagandeando a grandeza do país e do novo regime, que
contratavam arquitetos e engenheiros e monopolizavam os serviços de
escritórios. Esse foi o período chamado de Milagre Brasileiro.
O Sindicato dos arquitetos do
Estado de São Paulo, fundado em 1971 herdeiro da Associação Profissional dos
Arquitetos do Estado de São Paulo de 1967.
Fruto da coragem de muitos
colegas que compreendendo a situação desse momento triste de nossa história e encabeçados
pelo arq. Vilanova Artigas, Alfredo Paesani, Icaro de Castro Mello e tantos
outros de deveríamos citar.
A dedicação desses arquitetos era de ampliar a
luta pela democracia no campo sindical e social, e impulsionar a criação de
outros sindicatos estaduais e a fundação da Federação Nacional dos Arquitetos e
Urbanistas – FNA, em 1979. Neste ano em 10/12, na sede do SASP no Ed. IAB foi realizado
o velório de Carlos Marighella, somente possível devido a nossa organização
sindical e respeito da sociedade para com os arquitetos.
Tarefa bem sucedida, pois o SASP,
FNA e IAB participaram ativamente na resistência e na mobilização popular para
derrubar o regime ditatorial nas ruas e nas urnas.
Do sindicato que nasceu a
primeira cooperativa de arquitetos do Brasil e que veio há ser base de vários
laboratórios de habitação das faculdades de São Paulo.
A Nova República trouxe os ares
de liberdade de reflexão e de organização, ampliou-se o debate em torno de
nosso papel social, sobre as intervenções territoriais nas cidades, com seus
graves problemas urbanos.
Após um turvo processo de quebra
de braços desleal e de resultados negativos para os trabalhadores, inicia-se segundo
período a partir da metade do governo Sarney, acentua-se as políticas neoliberais e de
enfraquecimento do Estado, o chamado Consenso de Washington, que influenciará
sucessivos governos, atingindo diretamente a engenharia e arquitetura pública,
tanto na cadeia produtiva da construção civil quanto na produção científico-tecnológico
nas universidades e indústrias nacionais.
Para aplicarem a política de
diminuição do Estado, serviços essenciais à população casada com o violento
processo de terceirização, setores neoliberais no governo e na grande imprensa
atacaram sistematicamente os sindicatos, instrumento de garantia dos direitos
trabalhistas e de forte representação política na sociedade no pós ditadura.
Transformaram os sindicatos em
empecilhos para um mundo globalizado e moderno capaz de competir mundialmente.
Os engenheiros e arquitetos
públicos, setor relacionado diretamente na reserva nacional da tecnologia
estratégica e obras públicas foram diretamente atingidos. Os baixos salários propostos em concursos a
consequente não renovação do corpo técnico e sucessivos reajustes salarias
abaixo da inflação “quando houveram”.
Na contra mão da política oficial
desses governos federais, alguns municípios incluindo várias capitais fizeram
investimentos locais em habitação e infraestrutura apoiado no associativismo e a
autogestão, incentivando a organização de arquitetos e urbanista em escritórios
coletivos de Assessorias Técnicas para auxiliar em projetos sociais.
Já sob o otimismo da eleição e do
grande desenvolvimento de políticas de inclusão ligadas ao consumo nos governos de Lula da Silva, é criado o
Conselho de Arquitetura e Urbanismo Federal - CAU/BR em 2011 exclusivo para a
profissão de arquitetos e urbanistas fruto de 54 anos de luta desde a primeira
tentativa legal em 1961.
Realizamos a eleição da primeira diretoria
no dia 29 de dezembro de 2011 no teatro da Livraria Cultura e um dia após
começamos a funcionar no local denominado “Espaço dos Arquitetos”, cedido pelo
Sindicato dos Arquitetos SASP e com funcionários emprestados por nossa entidade
por meio de convenio.
Todas essas movimentações estavam
inseridas no contexto global de modificações do mundo do trabalho, no qual
trabalhadores necessitam de maior conhecimento científico diante da
sofisticação da produção. Nesse contexto, o arquiteto e urbanista foi
arregimentado para atuar na linha de produção industrial, proletarizando-se
profissionalmente, seja com a inserção em setores de patentes
técnico-científicas ou em sua mais óbvia atribuição, o projeto e a linha de
produção, o canteiro de obras.
As mudanças de rumo na economia influenciada diretamente em acordos denominados de política de governança,
o investimento na renda para consumo e a falta de investimentos nas cidades,
transformaram cidadãos em consumidores sem espaço nas cidades e sua face mais
crua apareceu nas mídias do mundo, as manifestações de junho 2013.
Foi realizado entre junho e
agosto de 2013 a 1° Conferencia Estadual do CAU/SP, com o tema de
“Desenvolvimento Nacional e o papel dos Arquitetos e Urbanistas na Construção
das Cidades”, que teve 15 encontros regionais e uma plenária principal no
Memorial da América Latina, contabilizando 1500 pessoas participantes entre
profissionais e entidades e movimentos populares ligados ao tema, onde foi
lançado o documento “Tarefa para os Arquitetos”. Aprovado a publicação de uma
revista de debate periódica a Móbile.
Contou com apoio de Paulo Mendes da Rocha, Miguel Pereira,Ciro Pirondi, Pedro Fiori, João Whitaker e tantos outros colegas que além de legitimarem o encontro, deixava claro o caráter social e progressista da primeira gestão do CAU/SP.

Nesses poucos anos, mas intensos
de nosso jovem, mas já maduro conselho, teve papel fundamental o arquiteto Miguel
Pereira que sempre fazia seus discursos otimistas com a tarefa há ser
realizada, a dedicação dele serviu de exemplo em nossos momentos coletivos mais
difíceis.
Na fase atual proliferam os cursos
de arquitetura e urbanismo, chegando a mais de cem e adentram no mercado de
trabalho por ano 3,5 mil ex-alunos e jovens profissionais que somam-se aos atuais 35 mil profissionais, sendo em sua ampla maioria informais e
autônomos .
2-Análise do momento
atual da arquitetura e urbanismo.
O setor da construção civil
fechou 2014 com o pior resultado dos últimos 14 anos. Diante do fraco
desempenho da economia, término de empreendimentos da Copa do Mundo e
dificuldade para aumentar os investimentos em infraestrutura, a previsão é que
o Produto Interno Bruto (PIB) do setor reverta o quadro de crescimento robusto
dos últimos anos e caia 6,2%, segundo cálculos da consultoria GO Associados,
apresentados no boletim da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas
(APOEP).

No ano passado, a construção civil
teve participação de 5,4% no PIB total do País e empregou mais de 2 milhões de
trabalhadores. O melhor resultado ocorreu em 2010, quando o setor avançou
11,6%, influenciado, em especial, pelo boom imobiliário. De lá para cá, o
crescimento das atividades do setor foi um pouco mais modesto. Em 2013, avançou
1,6% e criaram apenas 48 mil postos de trabalho (abaixo dos 95 mil de 2012),
sendo que entre setembro de 2014 até
junho de 2015 , cerca de 450 mil postos de trabalho foram fechados, com previsão da FIESP de 580 mil desempregados até dezembro.
Em São Paulo a contratação de
mão-de-obra na Construção Civil no Estado registrou queda de 0,14% em 2014.
Isso significou a demissão de 14.800 mil trabalhadores. A tendência é de aumento
desses percentuais até o final 2015, decorrente do ajuste fiscal imposto pela
Fazenda e a dificuldade de empréstimos por parte das empreiteiras depois das sucessivas
crises da Petrobras e Metrô.
Campanha que teve e tem um papel
fundamental do isolamento político e social dos profissionais públicos, hoje expõe
seu pior reflexo, os recentes escândalos nas obras e eventos públicos,
flexibilização das Licitações Públicas e falta de fiscalização por parte
Estado. Verdadeiros atos discricionários.
Belo Monte, a maior obra pública
do Brasil de todos os tempos, com seu lago de 516 km² e custo foi estimado pela
concessionária em R$ 26 bilhões, valor maior que a soma de todos os estádios da
Copa do Mundo de Futebol FIFA, não apresenta nenhum arquiteto ou engenheiro
público em seu canteiro, servindo apenas de meros conferentes de planilhas
apresentadas pela própria empreiteira.
Agrava-se a situação com a crise
hídrica da região sudeste, principalmente o Estado de São Paulo, onde
decorrente de falta de investimento nesse setor da construção civil,
infraestrutura urbana, deve acarretar sérios problemas na cadeia produtiva
atingindo da grande empresa ao pequeno profissional autônomo que realizam as
construções unifamiliares e com severas consequências a saúde do trabalhador no
canteiro de obra.
A privatização branca proposta
pelo governo federal da Caixa econômica Federal causa espanto e temor no setor,
pois os investimentos de Minha casa Minha Vida são por ela administrado. MCMV faixa 1 esta fora do programa e não haverá repasse nesse ano para as entidades.
O Programa Casa Paulista segue o
mesmo rumo, um caos que atinge diretamente o setor e as organizações sociais.
Os escritórios de Assessoria Técnica que durante os anos empregavam centenas de profissionais, foram
perdendo espaço de trabalho para o programa oficial do governo Federal, o Minha
Casa Minha Vida. Muitos de seus arquitetos e urbanistas foram contratados pelas empreiteiras com suas linhas de crédito exclusivas sobre os recursos do programa , que sempre ficou claro que não era um plano nacional de habitação, mas um escape econômico
durante a crise internacional de 2008.
Hoje esses profissionais e tantos
outros engrossarão as estatísticas da informalidade ou os
chamados profissionais autônomos. Aos que conseguirem manter-se no setor sobrará
a precarização do trabalho.
Restou aos poucos escritórios de
projetos, preços dos serviços em tendência de queda substancial de valor de
mercado, a alternativa de tornar sócios minoritários seus empregados, uma
burla consentida.
Aos autônomos a administração de pequenas obras ou a arquitetura
de interiores nome refinado de vendedores de materiais de construção, ao preço fixo do serviço soma-se a Reserva Técnica. A
realidade de maioria de nossos profissionais.
Infelizmente o departamento
jurídico do SASP nunca trabalhou tanto nessa questão, as homologações restritas às quartas feiras de manhã, passou para o dia todo e poderá estender a outros
dias.
Os governos insistem na
horizontalidade da política habitacional em detrimento da política de
Estado, facilitando o loteamento dos governos para o campo conservador ligado
ao setor imobiliário.
Cabe assistirmos na pista e de pé posses de ministros e secretários, que sem poder de intervenção e mesmo de
diálogo para com essas escolhas fazem ações alheias às entidades dos arquitetos e urbanistas.
Entramos de onde nunca saímos, no
ritmo da agenda global, de capital vertiginoso e de especulação permanente nas
bolças de Nova Iorque à Hong Kong e de Melbourne à Londres, o Capital Sol, que
nunca dorme.
Não devemos cair no ledo erro das
cidades ditas globalizadas onde o fluxo de capital e mercadorias transformam
territórios em intervenções pontuais ao seu gosto, transmitindo a falsa
sensação de progresso e paz social global. Seus maiores representantes são os
arquitetos representantes do star
system mundiais.
 |
| Um projeto, dois arquitetos e milhões de dólares e mau gosto global. |
Esconde assim, mesmo com grandes
avanços nas políticas sociais, a verdadeira dimensão do território, onde
Impacto no cenário das cidades cujos canteiros de obras disciplinados e
organizados ao ritmo da produção, tendem a virar ocupações em processo de
desconstrução territorial, gerando a desorganização da própria sociedade,
fechando o ciclo da dependência do capital improdutivo e a desassistência por
parte do Estado do elo frágil da cadeia produtiva, os trabalhadores.
3- Uma Nova Tarefa para
os Arquitetos.
Fundamental foi a elaboração do
documento “Tarefa para os arquitetos” elaborada ao final do 1° Conferencia do
CAU/SP intitulada “ Desenvolvimento Nacional e o papel dos arquitetos e
urbanistas na construção das cidade” coordenado pelo amigo e mestre Miguel Pereira com redatores eleitos
nos 15 encontros regionais aqui já citado, cujo o documento deve sim, servir de base para
atuação de todas as entidades ligadas ao processo de construção da arquitetura
e urbanismo no Brasil.
O papel do arquiteto e urbanista está
diretamente relacionado à qualidade de vida e à defesa da reforma urbana e do
direito à cidade, entendendo esses temas como essenciais na construção de uma
nação mais justa e democrática. No entanto, observando os conflitos em nossas
cidades, ficam claro que as decisões acerca da produção do espaço priorizam o
mercado, em detrimento à universalização de melhores condições urbanas, fatores
que ficaram evidentes nas recentes manifestações das ruas. A cadeia produtiva
da construção impõe reposicionamento de nossa categoria frente às atividades da
arquitetura e do urbanismo, demandando a reconciliação do desenho com o
canteiro de obras.
Os arquitetos e urbanistas do
Estado de São Paulo, formados nas centenas de escolas paulistas, hoje, estão
atrasados frente à sociedade organizada em conquistas e vitórias políticas.
Alguns exemplos desses avanços são a inserção da luta urbana na agenda nacional
e o direito constitucional à moradia hoje majoritariamente dirigida pelas
entidades sociais.
Em grande parte pelo imobilismo
de suas instituições, que não souberam fazer uma análise e interpretar a
realidade e dar respostas a altura que o momento exige, uma vez que viveram
imergidos num passado de glórias que não há mais na arquitetura brasileira e as
transformações do mundo do trabalho atuais não são consideradas ações de nossa
profissão, marginalizando milhares de colegas.
Quanto ao SASP ficou claro o
imobilismo de sua própria função fim, a luta econômica da categoria.
As Campanhas Salariais que
estavam limitadas ao CDHU, SINAENCO e uma única prefeitura, a de São Paulo,
essa última por esforço dos próprios trabalhadores. Fugiu com as obrigações
estatutárias por vários anos deixando milhares de profissionais ao sabor do
jogo do mercado.
Cabe somente a nós, o Sindicato
de Arquitetos e Urbanistas do Estado de São Paulo - SASP, reduzir esse atraso e
conquistar a condição de vanguarda na luta pelo direito à cidade democrática. É
nossa responsabilidade, portanto, apresentar diretrizes reais e factuais.
Devemos ocupar espaços políticos e contribuir com o projeto tecnológico e seu
resultado distributivo de bem estar e progresso social.

Portanto não basta apenas ter conseguido
tirar o SASP do imobilismo de sua própria função fim, mas principalmente o
resgate da credibilidade dos trabalhadores para com seu sindicato, hoje somos procurados
por várias categorias de nossa profissão no sentido de contribuir com ações de
valorização profissional em suas bases.
Tal movimento deve usar a institucionalidade do SASP, reforçar sua força e trabalhar para que constitua numa entidade renovada e altura de enfrentar os graves problemas da arquitetura e urbanismo e defesa dos profissionais, emprego e salários, esse sim papel exclusivo do sindicato.
4-Metas:
1- Primeira e fundamental, realizar Campanhas Salariais com o casamento
da luta econômica e política, a formação de frentes sindicais amplas e
divulgação de nossas contribuições junto á sociedade fundamentais para o
sucesso da recuperação do prestígio da categoria e de sua própria elevação de
consciência de classe.
2- Defender e incentivar as novas
formas de organização do trabalho em torno de coletivos, associações, ONGs e cooperativas
que trabalhem desde assistência técnica, mas também em novos campos atuações da
arquitetura que fuja do receituário desenho- construção, desenvolvendo
Escritórios Modelos nas universidades e
compartilhados em nossas dependências .
3- A valorização dos Escritórios
Públicos de Projetos, presentes em todas as esferas de governo e que devem ser
apresentados à população de forma sistemática e ampla, rompendo o isolamento
político e a apropriação indébita de nossos serviços e projetos. Garantir o
direito das populações e cidades desassistidas às atividades profissionais,
promovendo o controle social dos órgãos formuladores de políticas públicas na
constituição de seus espaços administrativos, nos conselhos das cidades, nos
processos de elaboração dos planos diretores municipais participativos e na
formulação orçamentária;
4-A comunicação e a imprensa são
fundamentais para repercutir o movimento dos arquitetos e urbanistas e ter
convicção do papel fundamental da imprensa e da comunicação na luta no campo
das ideias e na organização dos profissionais e no diálogo com a sociedade;
5- A campanha associativa do SASP
e de ampliação e renovação de novos profissionais permanente, aproveitando as
diversas frentes de atuações, principalmente as Campanhas Salariais, mas
buscando oferecer o mais, ações culturais, exposições, materiais, sítios
eletrônicos, cine clube, debates etc. , que financie as estrutura regionais
existente e abertura de novas.
6- Valorizar a luta hercúlea dos
profissionais da prefeitura de São Paulo e repercutir o movimento da maior
cidade da América sul, que servira de alento aos profissionais do Brasil, além
de expandir nossa luta para as prefeituras, a interiorização de nossa política;
7-- Ampliar o papel do SASP
desconstruindo pechas de isolamentos políticos reafirmando seu papel em defesa
da arquitetura e urbanismo além do fundamental, a defesa intransigente dos
profissionais. Promover e incentivar de forma articulada, com as diversas
esferas de Governo, sociedade civil organizada, universidades e órgãos de
fomento ao desenvolvimento tecnológico, a busca dos avanços na qualidade de
vida, cumprindo os ideais éticos do papel social do arquiteto e urbanista na
perspectiva da reforma urbana e do combate à segregação sócio-espacial;
8- Intervenções e ações nacionais
através da FNA e FENEA, preparar intervenções políticas junto aos órgãos
públicos, privados e jurídicos, na defesa de ações que promovam o direito à
cidade como avanço da democracia e da participação social;
9- Ampliar nossas relações
politicas e de alianças além do campo dos arquitetos e urbanista, para o campo
sindical, social, intelectual e aos órgãos de ensino, pesquisa, extensão e de
Governo para ampliar o fomento e espaços institucionais que possibilitem a
atuação prática e teórica dos estudantes, junto às formulações e execuções de
políticas públicas de arquitetura e urbanismo.
São Paulo, 25 de Outubro de 2015.