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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

FÁBULA DE UM ARQUITETO.


                                               
                                           
                             Fábula de um arquiteto



de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
casa exclusivamente portas e teto

O arquiteto o que abre para o homem
( tudo se sanearia desde casa abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa


Até que tantas livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto, 
até fechar o homem: na capela útero e 
com confortos de matriz, outra vez feto.
Gravura-Artigas
A arquitetura como construir portas, 
Obra de mutirão popular organizado pela Cooperteto


Poema de João Cabral de Melo Neto, brasileiro nascido em 1920 e eternizado materialmente pelo povo, poema dedicado a sua visão frente à Capela de Ronchamps, depois da  influência de Oscar Niemeyer em sua produção e sua espantosa mudança de linhas. 

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