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sábado, 13 de abril de 2013


CUBA nos anos 60, UIA e os estudantes.
Vários estudantes de Cursos de Arquitetura da America do Sul embarcaram no Navio Russo Nadezda Krupskaya em Santos, BR, para Cuba, eu entre eles.

O nome do navio é da esposa do lider russo Lenin ( Vladmir Ilitch Lenine), marxista ativista que conheceu em 1894, reencontrou no exilio na Sibéria onde se casou em 22/07/1898. Foi seu grande amor, mas 12 anos depois conheceu a revolucionária bolchevique Inessa Armand, separada de Alexandr Armand e viuva de outro companheiro, e que com 5 filhos se uniu a Lenin, convivendo simultaneamente com Nadezda, numa relação a tres. Talvez Inessa tenha sido o grande amor de Lenin, pois sua morte em 1922 levou Lenin a acompanhá-la em seguida, em 1924.   
 Como disse, a memória falha para recordações de 50 anos, mas me lembro de ter recebido na Fauusp, ainda da Rua Maranhão 88, a noticia de que um grupo de Porto Alegre liderado por um Burmeister ou algo parecido, estava organisando uma viagem a Cuba em condições irrecusáveis de longos pagamentos para os estudantes que quisessem participar de um congresso paralelo ao da UIA. As reuniões foram no IAB-SP, e formou-se um grupo de São Paulo. Pelo que me lembro, estava conosco o Mateus Gorotitz, Paulo Valentino Bruna, Glaycon de Mello, Nelson Popini Vaz, e não tenho certeza se Edson Eloy da Silva e Arnaldo Martino estavam conosco, e estudantes de outros estados e de outros paises. As estudantes chilenas chamaram a atenção dos meninos pelo charme e beleza. A viagem foi cheias de surpresas, primeiro pelo inusitado de estar a bordo de um navio russo, tripulação que falava apenas russo, comida apenas russa, que por sinal tinha um gosto de oleo de baleia, forte sabor, enjoativo para tantos dias, e ao chegar em Cuba, encontrar o feijão e arroz, embora apenas parecido com o nosso, foi como estar em casa. Foram 12 dias de viagem, e tivemos uma festa a bordo ao cruzar o trópico. Em Cuba, os estudantes participaram da abertura do Congresso da UIA com a presença do Fidel, Che Guevara e outros, depois de várias reuniões só de estudantes. Vários passeios, por Varadero e locais historicos. Uma apresentação de show com musicas e danças de Cuba foi montada no centro antigo de Havana, com um belo show de luzes no ritmo das musicas hoje tão conhecidas. Trouxe de lá discos e livros, com uma coleção completa de José Marti, conhecido no mundo pelo poema Guantanamera, depois musicada. Coleção que foi embarcada para ser retirada na embaixada de cuba no RJ, mas o golpe militar acabou confiscando com a quebra de relações diplomáticas.
Esse relato foi feito a pedido do colega camarada Victor Chinaglia, atual colega conselheiro do CAU-SP, filho de uma linhagem de comunistas. Promessa cumprida, Victor, um grande abraço.
Arq.  Urb.  Mario Yoshinaga

Meu amigo Mario Yoshinaga, camarada e mestre, esteve nessa famosa viagem que marcou uma geração de grandes arquitetos atentos ao papel social da profissão. Tenho muito orgulho de ser seu amigo e aluno.  

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